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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Assessoras ou suplentes?

Suplentes ou assessoras?
Um político importante chega de viagem, desembarca, no carnaval do Ceará. Um acidente terrível de trânsito vitimando amigos muito próximos do político e cujo motorista era parente ainda mais próximo, tinha acontecido. Ele chega vistoso no seu terno empolado , passa pela piscina- cobertura do hotel- cumprimenta o meu saudoso pai - meu pai conhecia e tinha carinho pelo seu principal adversário político, no seu estado. No dia seguinte, um dos jornais da capital trazia, lá no cabeçalho escondido de uma página, notícias sobre o acidente fatal: houve dois mortos e muitas versões. Casal jovem. O hotel com 50 por cento de ocupação PARECIA não se importar, desconsiderar o acontecido.
Eis que à noite, ele retorna . Mudou o terno, mas não a empáfia. Atravessa o salão principal e pega o elevador. O anel de casamento brilha no clarão da noite. Dez minutos depois, duas senhoritas surgem muito animadas e fogosas. Passam pela recepção onde os funcionários as ignoram propositadamente.Prestígio?
Agora , o personagem é o elevador. Chega e parte. Aquelas duas moças penetram o elevador sem cerimônia. E ele faz aquele barulho típico, nativo- aquele som de elevador quando chega ou quando parte-, e ainda por cima indica o andar alcançado.Prestativo? O mesmo andar em que esse político- e que é conhecido no país inteiro- desceu, há pouco .
No salão do hotel, onde esses personagens transitaram sem cerimônia ou pudor, bebíamos um 'drink'- papi e eu - chamado 'bisbilhoteiros pela Pátria'- quando o moço do bar, atento, cearense da gema, avisa: ' São assessoras.'
- Sim. Mas... num Domingo, à noite, de Carnaval?- indaguei republicanamente.
-O 'home' é trabalhador..E além do que na sua terra também tem... ( Vejam o puxa saco oficial atrás da gorjeta gorda ).
- Só que na minha terra se chama.. SUPLENTE. - informei.
Meu pai sorriu... experiente. Aquele sorriso é o que me fez escrever sobre isso. Faz 18 anos, que esse 'golpe' contra assessoras e/ou suplentes ocorreu.
PS: a inspiração também ocorreu mediante um encontro duplo com um dog alemão. Que vem a ser aquele cachorrão que mais se parece com um cavalo. E o porquê da inspiração? O acidente foi creditado a um cavalo, desavisado, na pista. Na estrada por onde se desgovernou o carro. Nunca se soube desse cadáver cavalo. Depois, virou um potro. O tal 'atropelado'. Aquele cavalinho menorzinho. Por fim, um dog alemão que depois se metamorfoseou num poodle.. Não havia lei seca naquela época. Muito menos nos 'carnavais'..

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Cuidado com a gula eleitoreira.

Eleições ; COMIDAS?
Comida de campanha e durante a campanha pode ser indigesta. Na campanha de 2002 à presidência, o tucano candidato,Serra, depois de cometer um erro crasso - pois caiu na armadilha do PFL que por sua vez 'caiu' na do PMDB. Hoje, MDB. Implicou e denunciou a filha de um ex presidente e seu respectivo marido sobre uma grana num esquecido escritório. Ou teria sido uma esquecida grana- bufunfa alta- num conhecido escritório?
A televisão, os jornais, os bordéis.. Enfim, todo mundo comentou e apresentou provas. A candidatura da filha do 'rei' ( minúsculas sempre) naufragou. O tucano começou a alçar vôo e como todo mundo, deslumbrou-se. A gente quando acredita demais , dá nisso.
Um dia, deslocou-se para a capitania hereditária recortada por lençóis belíssimos e fez um suador suador. Leia-se: corpo a corpo. Estacionou sua magreza diante de um desses locais em que se vende de tudo. Até para comer. Ofereceram-lhe então um 'quitute'. Pimenta pura, gordura no céu. Quem conhece o personagem sabe que tem tendências hipocondríacas e muitas manias.. Feito a gente. Provou do pecado e o olho direito quase saltou para fora, caindo no papel vagabundo que lhe prestava socorro momentâneo .Mas não perdeu a pose de candidato em busca de voto.'Saboroso'- comentou suando frio. 'Sabores do Brasil'- emendou um assessor puxa saco que - segundo dizem- não foi nomeado nem para vigia do tucanato, nos mandatos que a 'vítima' obteve depois, em eleições paulistanas/paulistas.
Chegando à noite, no hotel, para os íntimos, discursa um desabafo semelhante ao que o filho de Bolsonaro fez, 2018, quando entrou no hospital, JF ( faltaria o K?) onde o pai estava sendo operado, após tentativa de assassinato: ' Agora é guerra'.
Os quitutes eram partidários e bastante passionais. Já os fotógrafos 'espontâneos' não conseguiram obter a foto que desejavam.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Sem Censura.

Quando o programa Sem Censura estreou em 1985, TV Educativa, abertura política (que alguns desejam trancar de novo. Por quê?) reinaugurava-se o bate papo coletivo e,obviamente, censurado. Não há como não existir censura. Alguma pessoa sem ego por aí? Câmbio. 
Gilse Campos, Lucia Leme - essa tocou o barco no auge-, Leda Nagle.. Eram as apresentadoras. Cabia de quase um tudo. Liberais, socialistas, idiotas, autônomos, jogadores, televisivos, psicanalistas.. Ah! Também tinha isso dando pinta por lá. Era ótimo. Um dia, um ex secretário de transporte de Brizola, um desses que beijavam a mão ( até hoje) de baratas e outros insetos, estranhou-se com o, ainda vivo, jornalista, Helio Fernandes. Irmão do Millôr. Isso é título de nobreza, senhoras e senhores. Tribuna da Imprensa. Seu jornal.
Quase saíram na porrada, ao vivo. O motivo: uma dessas tolices políticas que presenciamos na vida eterna.
Lucia Leme, apresentadora, nesse dia, virou a cadeira e disse para um outro convidado ( no começo a mesa era arredondada) : 'Por favor, segurem esses dois brigões. Tenho muito programa para fazer ainda. Que saco..' kkkkkkk.
Reminiscências. Todo dia morre alguma coisa que gosto muito. 'Que saco'!

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Antônio

José Hugo Celidônio faleceu. Ontem, jantando no muito bom, Primitivo, Copacabana, Antônio, o principal dono e ex- Le Bec Fin, Enotria, D'Amici - de onde rompeu sociedade há pouquíssimo tempo, conta histórias deliciosas. Outras não tanto. Quase meio século de gastronomia de qualidade no Rio. Preso numa cadeira de rodas, as duas pernas amputadas, sobrevive heroicamente. E mantém o humor e a cortesia. Fez o seu principal gerente, aprendiz do Walmir, a lenda do Bec Fin, a me fazer um crepe suzette. Disse-lhe então que conhecia bem do riscado. Minha mãe adorava e sabia fazê-lo. Maravilhoso. Com um vinho do porto branco portuga da gema, a acompanhar. Vida longa ao mais carioca dos cerenses. E o Ciro? Impublicável. Mas , vota nele com fervor.

Viena e Marias minhas.

A melhor cidade do mundo para se viver, segundo uma pesquisa, é Viena. Dentre outras, nessa lista, você têm várias cidades australianas e outras canadenses. São melhores para quem? É uma quase piada. O Rio aparece em 88º e seu alterego, SP,em 93º. Entendeu, Geraldo? Tudo mentira. Mas Viena é uma realidade excepcional. Já gostava através das falas das agora-sempre saudosas, Minha Mãe e de minha Adriana Ítalo - a pessoa mais inteligente que conheci , depois de MD.MAGNO. Foi Adr...
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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Cumprimento negado, sacanagem por vir?


Nunca negue um cumprimento a um dos muitos porteiros que acompanham seus passos. Por uma razão simples: ele pode se lembrar de algumas privacidades, preferências, gostos. E aí..
Houve um momento que trocávamos um olá, bom dia, dane-se..De repente, cessou. 
A esposa dele costurava, reparava peças de roupa. Fomos clientes. Faz muitos anos. O prédio em que trabalham é um dos mais antigos da rua, do bairro. Austero, bonito e apostando na boa forma e no não sedentarismo, dispensou os elevadores. Não existem. Mas são só 3 andares. Ufa!
Se quiseres estacionar o seu gravítico veículo, por exemplo, também não conseguirás. CARROS não são bem vindos ali. Não vai manchar as minhas paredes quase centenárias, nem tampouco os belos corrimões que garantem uma certa segurança aos moradores e visitantes. Parece ser esse o recado, proveniente daquele concreto.
Eis que hoje, dia bonito e triste por causa da morte de mais um pedaço da história da cidade, do Estado, do país, ele estava a postos no seu lugar de trabalho. Uniforme arrumado, sapatos engraxados, penteava o cabelo utilizando um daqueles pentes antigos. Tão antigo que pode se pensar que fora fabricado ali mesmo. 
Cabisbaixo, taciturno, amolado, o rosto que traz consigo alguns olhares, aqueles e outros gostos, desgostos , ergueram-se da face e cruzaram o meio do quarteirão enquanto se retorna para casa. Que fica, tão somente, há dois prédios de distância. Importante relembrar: se o humor e o condicional iludido e quase mítico , Se, não colaborar, não SE viabilizar, essa distância é infinita
Mecanicamente, a mão esquerda se levantou. E se recusava a retornar à posição inicial. Do outro lado, emerge um sorriso. O sorriso também acena, faz uma cena. Sorri. Aqui também se fez sorriso.
Chegando próximo do tal edifício que é vizinho do tal edifício inflexível, rígido , escuta-se a voz:
- E o seu Flamengo, hein? Perdeu para o meu Ceará.
Nunca soube que ele torcia para o Ceará. Nunca me interessei em saber sobre esse seu tesão particular. Creio que nesse momento é que houve um dane-se! E esclareço que não existe o MEU Flamengo. Isso inclusive pode resultar em morte matada. São milhões de amalucados. Há de se ter cautela quando abordamos paixões. Elas se enganam quase sempre. 
Por certo, a memória visual do rapaz está intacta. E a intimidade é certamente , mesmo que passados tantos anos, uma bela merda. Ou como sentenciou um prezado amigo, artista talentoso das pinturas; 'É feito o casamento. Uma linda esperança que se desfaz com a experiência'. kkkkkkk. ( nunca usei tantas letras banidas oficialmente do alfabeto como agora). 
Ficaremos, pois, mais uma década sem saudações ou cumprimentos recíprocos. Até lá, nossos olhares permaneceram suspensos e suspeitosos. Sob cuidadosa suspeição. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Maquilagens e mães.

Segunda consulta nesse ano. Tão somente se passaram quatro meses.
O consultório fica numa clínica de olhos no bairro. Frequenta-se o espaço há uns 15 anos. Achamos que sim. Difícil precisar.
Uma das situações que sempre causaram um pequeno desconforto é a vizinhança que divide os horários disponíveis para consulta. Uma turma mais impaciente, mais comprometida.
Do mesmo modo que no consultório de urologia , frequentado há uns 12 anos, por razões histéricas e preventivas, percebe-se que se está mais jovem, muitas vezes, bem mais jovem do que os novos 'amiguinhos ' ou clientes. Alguns, num estado deplorável. Sem exageros. Quem mandou se prevenir? Exageros à parte, tivestes um avô materno vitimado por um câncer de próstata. Morrera aos 76 anos. E o sofrimento foi grande. Naquela época, quimioterapia era mais destrutiva para o organismo do que hoje. A lembrança do meu avô favorito- pois com o  vô paterno  tive pouca convivência- remete aos agrados, referências importantes e exemplaridade. Homem culto, empresário e jornalista por profissão.Livreiro ( dono de uma livraria inclusive) por tesão maior.  Educadíssimo, conservador. Não fez nenhum esforço- ao contrário-para que as duas filhas mulheres almejassem trabalho. Preferia que fizessem bom matrimônio e adquirissem filhos para criá-los bem. Assim como fez com sua esposa e filhos. E assim, filhas obedientes, amorosas, resignadas com o papel que o período lhes conferia, também o fizeram.
Minha foto está imortalizada acima da sua cadeira de balanço , numa das salas daquela bela e aconchegante casa, em Natal, RN. Está porque está aqui e agora nessas linhas. Esteve, por lá,  por muitos anos. Eu sorria, meio banguela, cabelo liso e farto ( quanta saudade!) na  única praça que chamo de minha e que resgatei nos últimos dois anos. E fiz questão de fazê-lo. É uma espécie de luta pessoal contra a destruição da cidade após bombardeio, pós olimpíadas. Pós Cabral, enganador, não descobridor. Quase a destruíram com o utilíssimo e bem feito jovem e juvenil, metrô .
A imagem poderia ajudar num teste neurológico ou numa ressonância magnética funcional.  Já feitos num ano que, metade dele, perdeu-se.
Mas a lembrança ou reminiscência perseveram com cuidados e até competência. De volta ao lugar de consulta oftalmológica... ' E não é que já se viu aquele rosto e aquele jeito sem jeito, da última vez'.- Indaguei às pessoas que aqui por dentro habitam.
Era ele. Aquela bermuda disforme com aquele sapato de rico e aquela cara escondida por um óculos escuros com armação dourada. E por esses lados, eu estava fantasiado com os meus óculos escuros. Porém, com aros também escuros. Tal como na primeira ocasião, iniciava um discurso grosseiro, permeado de palavrões. Totalmente inadequado para o local e platéia presentes.
Na primeira vez, estava com a mamãezinha. Ele deve estar próximo dos 60 anos. Se não estiver, está próximo do fim. Porque qualquer década a menos, dedurada por delação ou não, na sua carteira de identidade, o condena. Como saber? Só porque se imagina e se registra. Lá e aqui.
Quando a mamãe do 'rapaz' se afastou para ser examinada, o 'mancebo' agarrou o telefone celular e começou a esbravejar. Estava então munido com os mesmos óculos escuros. Uma bronca atrás da outra no  infeliz do outro lado do telefone móvel ( apreciava bastante a expressão do outro lado da linha. Hoje, superada) e a sala de espera fingindo que assistia ao jornal sanguinolento que apresenta fatos ocorridos na cidade sitiada. E ele resmungava e balançava  a cabeça. Parecia que não concordava com nada do que lhe era dito. A mãe acaba de retornar do pré-exame onde se mede a pressão dos olhos, etc. Vinha balbuciando o nome do rabugento que imediatamente lhe adverte para ficar calada mediante um gesto brusco com a mão desocupada. Um grosseirão típico. Foi então que passei a confabular coisas.
Imaginei que o grosseirão estivesse morando com a senhora sua mãe e que essa ficara viúva faz pouco tempo. O pai, um senhor aposentado e com ganhos financeiros bem razoáveis, morreu de desgosto, já que o único filho ( o indiscreto falador em salas de espera) o roubara. Sabem como é.
O cidadão sacou que o pai tinha uma boa grana aplicada e outros dois imóveis alugados em ponto nobre da cidade e decidiu lhe propor uma sociedade, no mínimo estranha. Consegue na truculência a assinatura e procuração que precisa e desanda com seus quereres perversos. Pai morto, filho ainda pobre.
Nesse dia de ontem, foi diferente. Ele falava mais baixo e vestia-se pior. A senhora viúva, mãezinha dele, sai cabisbaixa do atendimento. Não diz nada. Ele tampouco. 
Do lado contrário do balcão recepção, percebo movimentos mais discretos e suaves por parte do 'casal'. Ela está sozinha. Está há muito tempo, desejo crer. Ele nasceu assim. Algum golpe não funcionou mais. Como deve estar a vida na casa daquela senhora que por anos lhe impunha alguma repressão, muitas vezes, necessária? Será que ele leva prostitutas para dentro de casa? Conheci uma autoridade policial que transava com senhoritas que buscam independência financeira breve, na varanda do apartamento, avenida movimentadíssima da Copacabana de sempre, andar alto, e a pobre da mãe - moravam juntos mãe e filho também- dormindo no quarto ao lado. Qual seria o tesão? No caso desse último taradinho, a mãe vinha até a sala e lhe perguntava algo. Algumas vezes foi um gemido que se propôs a responder. Mãe resiliente, retornava para o lugar de onde não deveria ter saído. Seu apelido nas conversas de boteco sem papas na língua e freio de mão era -quanta maldade com a senhora vossa mãe-, Mrs. Magoo. Lembram do personagem e sua quase cegueira? Pois não é que arrumou uma namorada!?
Dentro da sala do pré exame estão, agora, os meus olhos. Falando mais francamente, estavam. Pois agora já foi ontem. Quando iniciou o procedimento, a senhorita que comanda o espetáculo o interrompe. Levanta-se e pede para que eu afaste o queixo do aparelho. Cuidadosa, passa um pano com álcool no lugar para em seguida secá-lo:
'Muita maquilagem.- Disse.
Mas de quem?- perguntei intrigado.
'Nunca se sabe. Mas acho que era um pouco dele também.- Emendou sem piscar.' 
Nada de ponto de vista cansado com essa turma.
O 'casal' segue feliz e tentando enxergar.