A crise no Chipre e na Coréia do Norte. Não posso mais viver sem isso. Imaginem que mal sabia onde ficava o Chipre. Minha mulher, geógrafa atenta, adverte-me:" Se você tem o hábito de consultar o dicionário, seja ele em Português, Inglês ou qualquer outra língua estrangeira, para tirar dúvidas ortográficas, gramaticais ou semânticas, porque não consultar um Atlas, um mapa, virtual ou não, para se localizar"? Ponto. Intervenção de um GPS belo e bem pragmático.
Mapa devidamente consultado e estavam lá o Chipre, pertinho da Turquia, da Grécia....e a Coréia do Norte, escondidinha do mundo, ao lado da sua irmã mais adoravelmente odiada, Coréia mais ao Sul. Pertinho da China também. Só não peçam o nome das respectivas capitais, pois o desinteresse se apossa de quem escreve e de quem possa se aventurar a ler isso aqui. Além do mais, sou um mau guia para esses roteiros. Entretanto, parece que não vivemos sem isso no momento. Perguntamos: teriam os maluquinhos -olhos apertadinhos, pele branquinha-amarelada, falando aquela língua sem predicações-, condições para explodir o planeta azulado? Existiriam tais competências? Poderia 'Yellowstone' e sua competência 'ianque' para destruição razões para invejar tal mérito destrutivo? Ainda mais vindo de lugar ignorado, desprezado, tão longínquo? Alguns ianques consideram Marte e sua configuração esverdeada mais próximo do que a Coréia do Norte. O Hulk, herói também esverdeado de amódio, é conterrâneo dos Obamas.
Um dia soube, pela primeira vez através de brinquedos infantis, da Coréia do Norte. Foi na copa do mundo de futebol da Inglaterra, em 1966. Ano que dizem ter eu nascido. E os olhinhos puxados, cheios de brio, aprontaram a maior zebra daquela competição. Uma das maiores de todas as épocas. Venceram os já campeões mundiais, os gladiadores italianos! Guarda pretoriana a postos. Palácios de Césares em ebulição. Vaticano à espreita da coloração da fumaça sagrada. 'Habemus vexame'!!!
Na última edição da famigerada pelada premiada pela Fifa, na África do Sul, eles, coreanos ao norte, por lá passaram novamente. Enfrentaram a seleção do Brasil e chegaram a causar reboliço. Todavia - lá vem esse texto cheio de adversativas- alguém conhece algum pensador, escritor importante, ator - fora os presidentes daquela família estranha-, atleta de ponta, enfim, uma frase inteligente que tenha sido bombardeada por um norte-coreano? O fato de não se conhecer não é sinônimo de que não haja. Pode existir. A ignorância é nossa.
Uma vez, uma foto de uma policial norte-coreana vazou nas redes do planeta que desejam explodir. Bonita a tal moça. Ela comandava o trânsito. Solitária. O fotógrafo que fez as imagens era estrangeiro. Ela soprava o seu apito para lugar nenhum. Não havia carro em torno. Por isso o espanto da máquina que fizera a tal fotografia, pois elas se fotografavam: a moça isolada da Coréia, a máquina, o 'voyeur',apelidado de fotógrafo, e a solidão.
O piano do ianque genial, Bill Evans, acompanha-me nessa madrugada insone. O mundo ainda não explodiu, visto que lá em Marte, ou melhor, na vizinha Coréia do Norte, as guardas, mas somente as meninas ( Porque assim desejamos. Feito ditador. Feito criança), continuam soprando apitos. Ainda bem que existem as meninas!! Até o maluquete do Presidente deles há de concordar. O anterior, não menos doido ruim, tinha um harém de apitos.
Essa crise do mundo- e crise tem o sentido da oportunidade também- diz respeito ao quê mesmo? Frases feitas evocando quebras de paradigmas, modelos, referências (algumas sacralizadas) parecem que estão com os dias contados.Na verdade morreram. E não são os coreanos ao norte os responsáveis. Aquilo é uma pintura fossilizada tal e qual tantos outros modelos. Aqui mesmo no Brasil vivemos uma doce ilusão. Tudo banalizado, não pelo esgarçamento de cada situação e o reconhecimento da sua artificialidade, do teatro efetivo que é essa vida toda. E sim pelo esquecimento, pelo recalcamento, de que somos os reis da nossa selva particular. Reis porque palhaços, escravos, plebeus , mambembes também.
Uma borboleta pode bater as asas lá na Coréia ou no Chipre e passado algum tempo - que é uma espécie de contagem ilusória entre um fato e outro e o sonho de que mais um monte de fatos estão por vir- uma combinatória infinita de elementos provocarem a emergência de um maremoto, de um despertar vulcânico pelos lados de cá. Garantem os cosmólogos, os físicos, a turma do caos contemporânea. Essa ordenação bagunçada! Já imaginaram uma nova guarda pretoriana ressurgindo pelo Vesúvio abaixo? Berlusconi a brandir sua nova invenção? A nova invenção seria o ressurgir de um Vesúvio, Berlusconiano!!
A mente é um aliado poderoso, necessário e extremamente perigoso. Feito viver. Já nos garantia Guimarães Rosa. Ela é isso e tanto mais ao qual nos submetemos de inconsciente. Lugar que hei, pois não estamos por lá. Quando se diz sobre é porque já virou coisa outra. Estamos em atraso já que o nosso tempo é tardio. Não somos seres precoces. Mas isso - que é também um apelido para o inconsciente - é o que nos especifica.
Chamemos de pegadinha, sacanagem, coisa suja, mas também há muito de alegria. Circulando, obviamente, pelo haver que nós possuímos, que portanto somos. Até mesmo na Coréia do Norte há. Vejam o ignorado, ridicularizado até pelas modelos-manequins do resto do planeta ameaçado, Chipre, e que pregou uma autêntica pegadinha na Máfia Russa. Não é divertido? Quem poderia predizer que tal obra de arte ocorreria? Qual é a cara do futuro?
O Brasil me parece distante de uma certa contemporaneidade. Há muita saudade ressentida nas mentes que governam e de quem se finge governar.. E um certo odor de loucura ruim, porque existe a doidice boa, profícua, poética, inventiva e não destrutiva. Achamos que tudo que vem de fora é melhor do que a gente. Morar lá longe - Coréia do Norte ou Marte- é o máximo, sobretudo se sentir muita falta das coisas daqui. E quando se está aqui, sente-se falta de lá. É o exemplo do mazombo oswaldiano. Ao mesmo tempo, não nos abrimos para políticas externas, negociações comerciais para valer com o resto do mundo. Protegemos demasiadamente o nosso lixinho. No máximo, estendemos ' La basura ' ao Paraguai, Bolívia....Eles , 'los hermanos,' nos adoram, odiando-nos. É visível até mesmo de Marte. A música daquele bonequinho que para lá foi passear, da nossa Beth Carvalho, mandou avisar.
Bill Evans avisa também que o expediente por hoje acabou. Seus dedos, e ele tem uns 40, adormecerão por algumas horas. Voltarão? Ele diz que sim, mas garante que não pode garantir. Insistir, persistir, desistir também pode.Quem sabe a cara de um futuro possível?
terça-feira, 2 de abril de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
Uma certa Rosa
Maria Rosa era uma menina com seus cabelos loiros e
ondulados. Morava na Rua Nascimento e Silva, numa casa com certo quintal
gigante para os passos dos pequenos. Jogamos bola uma tarde. Era aniversário de
seu irmão, o Jorge.
Jorge tinha os seus cabelos negros e era bem bonito. Aliás,
a família toda era bonita. Não há lembrança de seus pais, mas eram bonitos
também. Havia quem garantisse isso. Existia, afinal, a inveja de sempre.
Fotogenia é uma forma de poder.
Fui apaixonado por Maria Rosa durante um tempo. Paixões
foram feitas, felizmente, para passar. Feito modismo. Numa noite, cercada de
anseios pela chegada dos pais, que estavam a viajar para o estrangeiro, ganhei um
jogo com bonecos de plástico. Um jogo de futebol que meu pai trouxera da
Argentina. ‘Uno regalo para El pibe’. Os
bonecos plastificados vestiam camisetas do River Plate e do Boca Juniors. Essas
duas instituições são os dois principais times de futebol da Argentina. Adorava
aquele jogo. Ao longo da caixa de papelão que o embrulhara, desde Buenos Aires
até o Rio de Janeiro, marquei uns gols sob a forma de escrita infantil. Um
tento amoroso. Declarei-me à Maria Rosa. Escrevi seu nome, desde a arquibancada
imaginária à dureza das gerais. Jamais mostrei a ela. Sim, pois a mocinha tinha
um namorado à época.
O nome dele? Esqueci. Engraçado, não? Porém, não me esqueci
do seu rosto bonito e dos seus olhos azuis turquesa.
Ele era mais
experiente do que eu nesses temas amorosos. Tinha nove anos. A criatura aqui
tinha somente oito. Isso fazia muita
diferença aos belos olhos da menina. Creio que trazia algum tipo de segurança.
Ainda que os maldosos colegas assegurassem que essa tal segurança era fruto da
grana que a família do bonitão esbanjava.Eu não tinha essa grana. Um tio bem
mais experiente, já que tinha uns 40, e essa marca para um pequeno indicava
algo de eterno, garantia que a grana remexia com nossas vísceras. Curioso, pois
acreditava que o coração fosse um músculo! De repente, as vísceras são os tais
sentimentos. Sentimentos esses que supomos não possuir suas razões. Apesar de certo
senhor – bem mais experiente, feito estátua, conclamado Pascal –, ter garantido
que sim. O tal músculo as tinha. Tempos depois, tempos de agora, alguém ainda
mais experiente me garantiu que a razão também tem lá os seus corações. Os
sentimentos, portanto, expressam inteligências. São tão racionais quanto
qualquer ideia, qualquer conceito, qualquer estratégia. E a formação cobiçada
passa a considerar a outra formação que a cobiça...
Maria Rosa desconfiou que eu lhe fazia a corte. Comentava insistentemente
com a irmã do meu melhor amigo, O Guilherme. Essa irmã falou para mim. E eu
conspirei para que nos encontrássemos no fim de semana seguinte. Quem sabe um
“drink” de.. “Milk-shake” no Gordon ou no Bob’s? Aqui mesmo em Ipanema? Quem
sabe nos próximos finais de semana todos? Até completarmos o tempo que nos
separa desse texto? Vejam quanta experiência a trocar?
A irmã do tal amigo, por sua vez, dissera que ela viria
passar o fim de semana seguinte na sua casa. Naquele tempo era assim: a gente
andava uns quatro quarteirões no bairro em que se morava e passava o fim de
semana na casa de um amigo. Eu adorava esses fins de semana! Os apartamentos
dos amigos eram enormes e podíamos fazer uma arruaça despretensiosa! Sinto até
hoje o cheiro daquela arruaça, naqueles lugares dos amigos. A casa do amigo era
sempre uma novidade familiar e intrigante. E as pessoas eram diferentes e tão
iguais. Mãe e irmã de amigo são assexuadas para os pequenos moralistas. Fiéis
pela amizade. Elas desfilavam com camisolas e badulaques pela casa grande e a
gente fingindo que não percebia. Era o buraco da fechadura na cara de pau da
criança taradinha.
Na Rua Prudente de Moraes existiam vários apartamentos
amigos. Uma espécie de latifúndio urbano sem escritura. Seria essa uma das
razões do interesse pela política e pela loucura? Não custa recordar que Prudente
foi o nosso primeiro presidente civil e que morreu doidinho, coitadinho! Creio
até que não completara o mandato. Mandatos presidenciais podem ser muito
perigosos para organismos mais suscetíveis.
O Brasil, essa multiplicidade de singularidades marcantes,
atravessou uma tragédia, um pouco mais recente, do que a de Prudente. No início
dos anos 80, a morte – que não há enquanto experiência, vivência, formação... -,
chegou para uma denominada Nova República. República tão velha. Apodreceu antes
de nascer. E o porquê? Era uma farsa. Muito amadorismo reunido e uma cambada de
calhordas, velhacos republicanos, à espreita.
Nos anos oitenta, eu não sabia mais de Maria Rosa. Nem tão
pouco das vísceras. Vai se tornando uma ignorância falante à medida desse tempo
ilusório, iludido. O fim de semana, contudo, existiu.
Ficamos no quarto ao lado do quarto das meninas. Quarto das
meninas é quase uma catacrese! O quarto era quase igual: na metragem, no
significante quarto, naquela janela que mostrava Maria Rosa passando toda
linda, correndo, rindo, feliz. Então não tinha que ser quarto das meninas! Era
só mais um quarto com as meninas!! Ah! O porquê de quarto para meninas? Porque os
babacas, perdão, ‘nosotros’ supomos que cor de rosa era cor de menina e para as
meninas! O machinho do azul cabe aos donzelos! E isso é sério, pois corre o
mundo, há séculos! É uma verdade quase que absoluta na cabeça doente de cada
dia. Esquece-se que é uma cor como tantas. E que anatomias corporais não
determinam cores, escolhas de parceiros semelhantes, necessariamente. São
opções possíveis, disponíveis, como tantas outras. Múltiplos, singulares, de
uma espécie única. Com uma identidade absoluta. Tudo bem que era um outro
quarto...mas para qualquer Um.
Maria Rosa não queria saber muito dos meninos que brincavam
de jogar botões. Um outro jogo de futebol, com botões desnudos, numa mesa que
imita um campo de futebol. Uma pena, pois eu jogava muito bem! Fui campeão e
tudo. Fazíamos um outro teatro – outros personagens- com os botões que se
tornavam jogadores. Catacrese futebolística? Não. Brincadeira da boa. Pra lá de
bom! Houve troca entre os competidores. Trocávamos o Zico pelo Rivelino, por
exemplo. Quando envolvia operações, digamos assim, complexas, apostava-se até o
lugar privilegiado para espiar a outra rosa, nome desconhecido, que trocava de
roupa generosamente, no prédio em frente. A generosidade era porque ela se
exibia para valer! Sabia que estávamos por perto.
Maria também. Só que com laços infantilóides, blusinhas
comedidas, roupinhas despretensiosas. Ainda bem! Caso contrário seria uma anã.
E não aquela certa rosa.
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Nome Próprio, o filme.
Nome próprio é um filme dirigido por Murilo Sales no ano de 2008. Murilo é um dos melhores diretores que temos e um craque com a câmera. Um belo diretor de fotografia.
Leandra Leal, que é uma excelente atriz, sua protagonista.
Recebeu , se não me tropeça as lembranças, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado, por esse trabalho. Sabemos que os festivais nacionais de cinema não têm a mesma importância para os veículos de comunicação midiáticos. Por aqui venera-se um senhor de nome Oscar.
Uma jovem vestida de blog e o seus seguidores. Essa é a trama. Alguns deles são meros taradinhos tentando seduzir a moça até a cama ou colchão disponíveis de ocasião. Muitos jovens são formações trepadeiras que não exigem muito conforto para essas práticas. São pragmáticos também de ocasião. A ocasião da não grana, do gozo que não quer saber de findar , que não tem noção do corpo que habita.....que não morre jamais. Só daqui a um tempo igual ao do velhinho mais velhinho que jamais conheci.
Versos de Paulo Leminski , poeta grande curitibano e já falecido, surgem na tela imponente da sala maliciosamente escura. Paulo era atleta de judô. Morreu tão jovem, vitimado por uma cirrose hepática. O chamado porre errado.
Ela, Camila- Leandra, transa com seu computador e a sonoplastia dos seus dedos, das suas intimidades, partes baixas e altas, todo o dia. O dia todo. Acredita, tal e qual a maioria dos infelizes blogueiros, que alguém realmente acredita naquilo que escreve. Mas ela está certa. Ninguém escreve para ninguém. Escreve-se sempre para alguém. Ela se angustia, bebe em demasia. Quase sempre quebra a cara. Mas continua com a sua sonoplastia peculiar. Nada mais contemporâneo.
Acha-se que ela gosta mesmo é das moças. Sua hostilidade é com as moças desejadas pelos outros moços. Ela só tem intimidade com as moças. Ela só se reconhece por ali. Aliás, ela uma das poucas que se veste e se desnuda para outras moças. Geralmente, elas preferem se vestir para elas. Elas mesmas. E se desculpa e se solta e continua com a sua sonoplastia de teclados em teclados. Projeta tudo para o lado de lá. Onde quer supor, ela se esforça, ela se rasga, que há um outro lado de lá.
É uma moça jovem e tão velha. Cultua ilusões, paixões. E tudo se enuncia na primeira pessoa. Tem Eu demais de telcado em teclado. Talvez por isso se espante que palavras lhe escape. Assim como o sapo suposto príncipe. Um dos meninos que lhe causa dor intensa, ou seja, a faz despertar um pouco mais.
É bastante curioso que nos créditos de divulgação do filme, na televisão dita Brasil, o nome da atriz não apareça? Aparece o do sapo- príncipe. Quem sabe alguma das moças, dessas que não largam as bonecas de infância, tenha provocado isso? Falha no sistema, ato-falho.
Contudo, a escritora dos tempos de agora tem cicatrizes que lhe indicam a se mexer, sonoplastia dos teclados, para lugar qualquer. Para sua rede que é mundo todo.
Leandra Leal, que é uma excelente atriz, sua protagonista.
Recebeu , se não me tropeça as lembranças, o prêmio de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado, por esse trabalho. Sabemos que os festivais nacionais de cinema não têm a mesma importância para os veículos de comunicação midiáticos. Por aqui venera-se um senhor de nome Oscar.
Uma jovem vestida de blog e o seus seguidores. Essa é a trama. Alguns deles são meros taradinhos tentando seduzir a moça até a cama ou colchão disponíveis de ocasião. Muitos jovens são formações trepadeiras que não exigem muito conforto para essas práticas. São pragmáticos também de ocasião. A ocasião da não grana, do gozo que não quer saber de findar , que não tem noção do corpo que habita.....que não morre jamais. Só daqui a um tempo igual ao do velhinho mais velhinho que jamais conheci.
Versos de Paulo Leminski , poeta grande curitibano e já falecido, surgem na tela imponente da sala maliciosamente escura. Paulo era atleta de judô. Morreu tão jovem, vitimado por uma cirrose hepática. O chamado porre errado.
Ela, Camila- Leandra, transa com seu computador e a sonoplastia dos seus dedos, das suas intimidades, partes baixas e altas, todo o dia. O dia todo. Acredita, tal e qual a maioria dos infelizes blogueiros, que alguém realmente acredita naquilo que escreve. Mas ela está certa. Ninguém escreve para ninguém. Escreve-se sempre para alguém. Ela se angustia, bebe em demasia. Quase sempre quebra a cara. Mas continua com a sua sonoplastia peculiar. Nada mais contemporâneo.
Acha-se que ela gosta mesmo é das moças. Sua hostilidade é com as moças desejadas pelos outros moços. Ela só tem intimidade com as moças. Ela só se reconhece por ali. Aliás, ela uma das poucas que se veste e se desnuda para outras moças. Geralmente, elas preferem se vestir para elas. Elas mesmas. E se desculpa e se solta e continua com a sua sonoplastia de teclados em teclados. Projeta tudo para o lado de lá. Onde quer supor, ela se esforça, ela se rasga, que há um outro lado de lá.
É uma moça jovem e tão velha. Cultua ilusões, paixões. E tudo se enuncia na primeira pessoa. Tem Eu demais de telcado em teclado. Talvez por isso se espante que palavras lhe escape. Assim como o sapo suposto príncipe. Um dos meninos que lhe causa dor intensa, ou seja, a faz despertar um pouco mais.
É bastante curioso que nos créditos de divulgação do filme, na televisão dita Brasil, o nome da atriz não apareça? Aparece o do sapo- príncipe. Quem sabe alguma das moças, dessas que não largam as bonecas de infância, tenha provocado isso? Falha no sistema, ato-falho.
Contudo, a escritora dos tempos de agora tem cicatrizes que lhe indicam a se mexer, sonoplastia dos teclados, para lugar qualquer. Para sua rede que é mundo todo.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Qual o seu verdadeiro nome? Uma espécie de menino Alice na cidade maravilha....
O senhor ou a senhora, naquele tempo qualquer pessoa com mais de 40 anos já estava condenado, aproximava-se do portão do colégio de bairro dito nobre - aos olhos de muitos um presídio de segurança máxima- onde se postava uma funcionária baixinha e de cabelos claros com um microfone prateado- feito os que os apresentadores de televisão populista, redundância desnecessária-, nas mãos lhe indagava: " Qual o nome do alu...". Antes mesmo que a dedicada funcionária completasse a frase, o/a tal responsável pelo inferior menor de idade já lhe atropelava os sentidos: " Essa é a questão! Qual é o seu verdadeiro nome?''. Atônita, a jovem senhorita em estado de perplexidade limitava-se a segurar firme o instrumento que potencializava vozes, sua garganta outra, olhando para o vazio. O branco que se constituía.
No interior do colégio-presídio porém, o menino de menor - ser inferior- escutou pela segunda vez a frase equivocante: ' A questão é saber qual o verdadeiro nome'?
Levanta-se ligeiro pois, foge daquela sala escura com os bancos perfilados um atrás do outro, onde prosa alguma era permitida e corre em direção ao tal portão de entrada. Ufa! Ufa! Seria isso a tal liberdade, igualdade e fraternidade anunciadas sob pompa francesa, depois o horror, de um Danton ou do seu amigo-inimigo Robespierre?
Uma longa fila de responsáveis maiores a aumentar de tamanho pela rua presidencial - codinome Prudente de Moraes, cujo personagem homem-importante, primeiro presidente civil do Brasil, morrera louco- e haja paciência!! Apresenta-se então o garoto esbaforido.... Aquele mesmo que fugira há pouco. Trinta e oito anos nessa tarde de Fevereiro, pré-folia de Momo.
De calças curtas e meias 3/4. Parecia um anão ou o filho perdido de um estilista gay emergente.Teria sido ali que compreendeu qual o seu verdadeiro nome? Uma espécie de versão menino de Alice carioca na cidade maravilha?
Há de se indagar para sempre, e a cada escapada, a cada fuga, a cada salto sobre bancos perfilados, o que pode configurar o vazio de uma folha, metamorfoseada em branco de tela digital. Binarismos a enésima potência. Tecle.... angústia.
Lá na frente. Aqui ao lado. Em qualquer lugar, já que lugar algum. Portanto, todos os espaços possíveis. Mas.... Qual seria mesmo o verdadeiro nome seu?
No interior do colégio-presídio porém, o menino de menor - ser inferior- escutou pela segunda vez a frase equivocante: ' A questão é saber qual o verdadeiro nome'?
Levanta-se ligeiro pois, foge daquela sala escura com os bancos perfilados um atrás do outro, onde prosa alguma era permitida e corre em direção ao tal portão de entrada. Ufa! Ufa! Seria isso a tal liberdade, igualdade e fraternidade anunciadas sob pompa francesa, depois o horror, de um Danton ou do seu amigo-inimigo Robespierre?
Uma longa fila de responsáveis maiores a aumentar de tamanho pela rua presidencial - codinome Prudente de Moraes, cujo personagem homem-importante, primeiro presidente civil do Brasil, morrera louco- e haja paciência!! Apresenta-se então o garoto esbaforido.... Aquele mesmo que fugira há pouco. Trinta e oito anos nessa tarde de Fevereiro, pré-folia de Momo.
De calças curtas e meias 3/4. Parecia um anão ou o filho perdido de um estilista gay emergente.Teria sido ali que compreendeu qual o seu verdadeiro nome? Uma espécie de versão menino de Alice carioca na cidade maravilha?
Há de se indagar para sempre, e a cada escapada, a cada fuga, a cada salto sobre bancos perfilados, o que pode configurar o vazio de uma folha, metamorfoseada em branco de tela digital. Binarismos a enésima potência. Tecle.... angústia.
Lá na frente. Aqui ao lado. Em qualquer lugar, já que lugar algum. Portanto, todos os espaços possíveis. Mas.... Qual seria mesmo o verdadeiro nome seu?
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
O mundo já acabou?
O mundo vai acabar. Que ótimo então. Já aprendi que ele sem o que chamamos de Eu não há. O troço parece continuar havendo , mas sem a nossa tão preciosa presença - e o presencial é tão importante, ao menos numa sessão de análise- ele realmente não há. Para minha mãe, que já morreu, o mundo continua havendo, mas sem ela. O mundo para ela não há mais. Sem mamãe o mundo não há. Para ela, para além do suposto, evidência que dura. É quase uma equação: presença- ausente= saudade.
E qual seria a agonia desencadeada se o precioso haver desaparecer para nós?
Toda agitação histérica nesse exato momento se deve ao Sr. Nostradamus, um grande cientista da sua época. E já se passaram cinco séculos desde seu nascimento até as suas pesquisas. E era francês. E lá de Provence, onde visitarei seus hábitos cotidianos em breve. Imaginem um francês com alquimias e adivinhações? No país dos iluminismos, mas que sempre se preocupou com as sombras, com as trevas. Vide Deleuze, Foucault , Lacan, Valéry, Rimbaud, Cézanne, Milner, Dolto - que faz rima com Truffaut-,etcetera. Cézanne que ditou rumos para pintura no século XX, cubismo e outros impressionistas, também é filho da região de Provence. As suas perspectivas modificadas não indicavam um fim para o seu mundo, e sim a eternidade de sua obra, de sua autoria.
Então certos alinhamentos astronômicos, quem sabe um meteoro de porre cambaleando sem rumo, provocariam choques, impactos, era glacial a emergir, abalos sísmicos de grande intensidade, mares rebeldes, enfim, as tragédias provocadas pela mamãe natureza - não somente mais a minha-, e suas vicissitudes a destruir o haver tal como o conhecemos.
Muito já se tergiversou - expressão esnobe para não dizer tagarelar- sobre isso: literatura, previsões ( Nostradamus é um dos mais célebres nesse ramo), teses acadêmicas, cinema, televisão, conversa de botequim presencial ou virtual (leia-se rede social) e outras ilusões. Os chamados fatalistas, por exemplo, são os melancólicos que se recusam a aceitar que desde sempre, ali pelos idos do bebê chorão, alucinamos, pela via de um seio materno acolhedor, uma formação que não há e que pensamos que se perdeu. O que levou toda uma psicanálise lacaniana a supor- brilhantemente- que o que move o nosso desejo é algo faltoso. Não. Aprendemos com a psicanálise contemporânea brasileira, nomeada Novamente, que é algo impossível, que jamais sequer houve de fato, o atrator dos nossos caros tesões. Porque há,portanto, essa formação de direito. Afinal, não o desejamos?
Portanto, o luto - indicado pelo mestre- é o que nos acompanha sempre. O sentido disso: alegria! Espocar de foguetes nos céus do haver! Difícil, não é? Não. Do ponto de vista do entendimento enciclopédico não é difícil. Difícil é experimentar a sensação de solidão absoluta, quase derrelição, a cada bom dia, a cada dia lindo, a cada fim do mundo eu. Difícil é se perceber covarde e impotente para mandar o mundo eu às favas, e não destruí-lo, pois se poderá ir junto. Aonde? Lugar algum ou o mesmo de sempre.
Com aquele sintoma de senhor-escravo que irriga a pança do perverso que só pensa em comandar, não haverá mudança sequer. E com o bundão neurótico que se regozija com a subserviência, somente atrasos e retrocessos. Falamos então de eu.
Abaixo do Equador, nos trópicos, é o vira lata em seu espírito de mundo. E não é vira lata cachorro não. Esse merece todo respeito. Alimenta-se do resto do nosso lixo, do desprezo, com nirvana. E ele, formação cachorro, nem sabe disso. Nem lhe pertence. Fala-se sim daquele outro bicho, primo irmão, que o gênio de Nelson Rodrigues rosnou em letrinhas, em profecias verificáveis. E ele acertou em cheio. Qual o mundo que sequer nasceu e que se quer destruir seu embrião?
O mundo eu terminou em alguns momentos. No beijo de boa noite, aguardado proustianamente pelo filho personagem ator ( logo no" Caminho de Swan", primeiro volume dos sete outros da obra de Marcel Proust, primeiro encontro ), da sua mãe que não viera cumprir aquele acordo amoroso de todas as noites. E o que se esperar de uma senhora - ofício de mãe- senão acolhimentos amorosos? Uma palmada bem dosada ( sem a violência que se pode cometer, sabemos como funciona a boçalidade humana), no momento certo, constitui um ato amoroso. De quem cuida. O problema é o tal momento certo, visto que essa espécie humana funciona em atraso. É o que Freud nos ensinou através do conceito de "só depois". A neurociência de hoje já evidencia também esse fato. Demora-se alguns segundos - isso quando é uma tolice amena-, pois normalmente levamos dias, meses, décadas ou toda a havência que houver para se compreender, significar, reconhecer algo que se apresenta, que se informa. Perguntemos pois a Nostradamus?
Também terminou, o mundo eu, na expectativa ilusória de que esse mesmo beijo resolveria tudo. Salvação.
A Salvação não há. É que nem felicidade. Tudo no plural, pois múltiplo, transitivo....Existem os diversos momentos, as incontáveis formas para salvar aqui e agora. E os tempos de felicidade: do aqui a outrora. Mundos futuros. Se um houver.
E qual seria a agonia desencadeada se o precioso haver desaparecer para nós?
Toda agitação histérica nesse exato momento se deve ao Sr. Nostradamus, um grande cientista da sua época. E já se passaram cinco séculos desde seu nascimento até as suas pesquisas. E era francês. E lá de Provence, onde visitarei seus hábitos cotidianos em breve. Imaginem um francês com alquimias e adivinhações? No país dos iluminismos, mas que sempre se preocupou com as sombras, com as trevas. Vide Deleuze, Foucault , Lacan, Valéry, Rimbaud, Cézanne, Milner, Dolto - que faz rima com Truffaut-,etcetera. Cézanne que ditou rumos para pintura no século XX, cubismo e outros impressionistas, também é filho da região de Provence. As suas perspectivas modificadas não indicavam um fim para o seu mundo, e sim a eternidade de sua obra, de sua autoria.
Então certos alinhamentos astronômicos, quem sabe um meteoro de porre cambaleando sem rumo, provocariam choques, impactos, era glacial a emergir, abalos sísmicos de grande intensidade, mares rebeldes, enfim, as tragédias provocadas pela mamãe natureza - não somente mais a minha-, e suas vicissitudes a destruir o haver tal como o conhecemos.
Muito já se tergiversou - expressão esnobe para não dizer tagarelar- sobre isso: literatura, previsões ( Nostradamus é um dos mais célebres nesse ramo), teses acadêmicas, cinema, televisão, conversa de botequim presencial ou virtual (leia-se rede social) e outras ilusões. Os chamados fatalistas, por exemplo, são os melancólicos que se recusam a aceitar que desde sempre, ali pelos idos do bebê chorão, alucinamos, pela via de um seio materno acolhedor, uma formação que não há e que pensamos que se perdeu. O que levou toda uma psicanálise lacaniana a supor- brilhantemente- que o que move o nosso desejo é algo faltoso. Não. Aprendemos com a psicanálise contemporânea brasileira, nomeada Novamente, que é algo impossível, que jamais sequer houve de fato, o atrator dos nossos caros tesões. Porque há,portanto, essa formação de direito. Afinal, não o desejamos?
Portanto, o luto - indicado pelo mestre- é o que nos acompanha sempre. O sentido disso: alegria! Espocar de foguetes nos céus do haver! Difícil, não é? Não. Do ponto de vista do entendimento enciclopédico não é difícil. Difícil é experimentar a sensação de solidão absoluta, quase derrelição, a cada bom dia, a cada dia lindo, a cada fim do mundo eu. Difícil é se perceber covarde e impotente para mandar o mundo eu às favas, e não destruí-lo, pois se poderá ir junto. Aonde? Lugar algum ou o mesmo de sempre.
Com aquele sintoma de senhor-escravo que irriga a pança do perverso que só pensa em comandar, não haverá mudança sequer. E com o bundão neurótico que se regozija com a subserviência, somente atrasos e retrocessos. Falamos então de eu.
Abaixo do Equador, nos trópicos, é o vira lata em seu espírito de mundo. E não é vira lata cachorro não. Esse merece todo respeito. Alimenta-se do resto do nosso lixo, do desprezo, com nirvana. E ele, formação cachorro, nem sabe disso. Nem lhe pertence. Fala-se sim daquele outro bicho, primo irmão, que o gênio de Nelson Rodrigues rosnou em letrinhas, em profecias verificáveis. E ele acertou em cheio. Qual o mundo que sequer nasceu e que se quer destruir seu embrião?
O mundo eu terminou em alguns momentos. No beijo de boa noite, aguardado proustianamente pelo filho personagem ator ( logo no" Caminho de Swan", primeiro volume dos sete outros da obra de Marcel Proust, primeiro encontro ), da sua mãe que não viera cumprir aquele acordo amoroso de todas as noites. E o que se esperar de uma senhora - ofício de mãe- senão acolhimentos amorosos? Uma palmada bem dosada ( sem a violência que se pode cometer, sabemos como funciona a boçalidade humana), no momento certo, constitui um ato amoroso. De quem cuida. O problema é o tal momento certo, visto que essa espécie humana funciona em atraso. É o que Freud nos ensinou através do conceito de "só depois". A neurociência de hoje já evidencia também esse fato. Demora-se alguns segundos - isso quando é uma tolice amena-, pois normalmente levamos dias, meses, décadas ou toda a havência que houver para se compreender, significar, reconhecer algo que se apresenta, que se informa. Perguntemos pois a Nostradamus?
Também terminou, o mundo eu, na expectativa ilusória de que esse mesmo beijo resolveria tudo. Salvação.
A Salvação não há. É que nem felicidade. Tudo no plural, pois múltiplo, transitivo....Existem os diversos momentos, as incontáveis formas para salvar aqui e agora. E os tempos de felicidade: do aqui a outrora. Mundos futuros. Se um houver.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
E quem disse que ele não esculpiu o Pão de Açúcar?
Certa vez, li num jornal de bairro, aqui de Ipanema, que uma famosa escritora havia pego um livro de Drummond para reencontrá-lo ( prefiro a forma encontrar novamente), assim que soube da sua morte. Ele morreu poucos dias após a morte da sua única filha, Julieta. Eram apaixonados. Julieta, soube dela através de uma nota que escrevera, indignada, a respeito do assassinato de um mendigo que habitava a rua que me habitava " cette époque-lá": A rua Barão da Torre.
Atiraram pedras ou balas de fogo nele. Morreu deitado no chão frio, cruel, imundo. Julieta ficou uma fera.
O episódio me atingiu e agora eu somente coloco aqui um traço que deveria se tornar curva para falar da morte de um heroi brasileiro, carioca conterrâneo: Oscar Niemeyer. Morreu ontem, dia 5 de Dezembro de 2012, aos quase 105 anos de vida e curvas. O maior arquiteto brasileiro e um dos maiores de todos os tempos. Nada sei de arquitetura, mas sei que ele era maior e ponto! Desculpem-me: curvas e curvas.
Oscar foi sofisticado e simples, difícl e complexo. Generoso e firme. Entre o que tinha, ou seja, o que era, a sua referência teórica e sua prática, o seu agir, não havia fronteira nem divisa. Era único.
Habitei e fui habitado por ele. Carioca - assim como ele- fui nascendo, tornando-me. E em Brasília vivi oito anos. Ele, por sua vez, tornando-se a cada sopro uma espécie de gênio imortal. Tudo por ali foi grandioso: 600 obras, sendo uma centena de altíssimo nível, 76 anos de parceria em seu primeiro casamento e depois mais um outro casório aos 99 anos de idade. Quase uma criança. Trabalhava com tesão sem igual. E se espantava quando qualquer deferência lhe era prestada. Elegante.
Hoje, ele viajou tanto num tal de avião - uma formação que desafia um pouquinho a gravidade e com a qual mantinha distância seletiva- que cansou de vez.
A aeronave - contemporânea sua desde os primórdios- fez uma curva sobre o Pão de Açúcar. Passou pertinho. Oscar calado e quieto sem se incomodar com o entortar para cima e para o lado daquele abutre de aço, ferro, querosene e gente.
Houve quem dissesse: " E quem disse que ele não esculpiu o Pão de Açúcar"?
Atiraram pedras ou balas de fogo nele. Morreu deitado no chão frio, cruel, imundo. Julieta ficou uma fera.
O episódio me atingiu e agora eu somente coloco aqui um traço que deveria se tornar curva para falar da morte de um heroi brasileiro, carioca conterrâneo: Oscar Niemeyer. Morreu ontem, dia 5 de Dezembro de 2012, aos quase 105 anos de vida e curvas. O maior arquiteto brasileiro e um dos maiores de todos os tempos. Nada sei de arquitetura, mas sei que ele era maior e ponto! Desculpem-me: curvas e curvas.
Oscar foi sofisticado e simples, difícl e complexo. Generoso e firme. Entre o que tinha, ou seja, o que era, a sua referência teórica e sua prática, o seu agir, não havia fronteira nem divisa. Era único.
Habitei e fui habitado por ele. Carioca - assim como ele- fui nascendo, tornando-me. E em Brasília vivi oito anos. Ele, por sua vez, tornando-se a cada sopro uma espécie de gênio imortal. Tudo por ali foi grandioso: 600 obras, sendo uma centena de altíssimo nível, 76 anos de parceria em seu primeiro casamento e depois mais um outro casório aos 99 anos de idade. Quase uma criança. Trabalhava com tesão sem igual. E se espantava quando qualquer deferência lhe era prestada. Elegante.
Hoje, ele viajou tanto num tal de avião - uma formação que desafia um pouquinho a gravidade e com a qual mantinha distância seletiva- que cansou de vez.
A aeronave - contemporânea sua desde os primórdios- fez uma curva sobre o Pão de Açúcar. Passou pertinho. Oscar calado e quieto sem se incomodar com o entortar para cima e para o lado daquele abutre de aço, ferro, querosene e gente.
Houve quem dissesse: " E quem disse que ele não esculpiu o Pão de Açúcar"?
domingo, 2 de dezembro de 2012
Bola de chutar. Uma conversa entre moços. Intenção e quereres.
Os moços conversavam sobre bola. Sobre um jogo de bola. Um jogo de bola que faz parte da formação mental de muitos. Uma loucura. É isso mesmo: uma loucura. Não a bola, mas o que corre em torno dela.
Nelson Rodrigues foi talvez o seu melhor tradutor. João Saldanha vinha junto. Armando Nogueira por ali também. Esses senhores, que cometeram o erro de falecer, conseguiam enxergar um jogo que não havia para maioria. Não eram somente românticos idealistas ou mitômanos ( mas quem é que não quer maior precisão, a resposta melhor, a tonalidade mais bonita, o gosto saboroso e uma pitada de mentirinha ?), buscando aperfeiçoamentos através da fala sobre o que se passou e o que poderia ter sido. Aqui se tem uma afirmação ou ainda questionamento? Não se sabe a resposta - e talvez seja para não se saber-, o que não invalida a afirmação apostada. Tampouco idealistas , mas talvez iluministas - esses nobres senhores- que se ocupam também das sombras.O verbo aqui insiste em se presentificar, já que autores desse calibre costumam não desaparecer. Sabem da vida com seus infinitos personagens. Por isso, há a vã, não menos heroica, tentativa de acrescentamentos a cada frase, a cada texto, a cada comentário. Não há tampouco a verdade, a resposta derradeira e única para tudo.
Num tribunal esportivo já se reconheceu que muitos atores jogam o jogo dos moços. Do menino de calça curta ao árbitro. Há o moço agitado, fanático, que não torce. Ele só projeta o que tem de pior. O que deveria ser um 'hobby' tão somente - e um 'hobby' pode ser algo sério se houver seriação, sequência- transforma-se em barbárie, racismo. Em outras tribunas, não menos importantes, necessita-se da indagação cafajeste do 'jurar dizer a verdade ou 'nada além da verdade'. E qual seria ela? Conjectura-se tão somente algo que possa dar conta, dar cabo, do que está à nossa frente, ao nosso lado. É consenso que existem evidências, certas provas mais contundentes, mas a verdade e ainda por cima para além dela? Não há nada para além de coisa alguma que não seja tudo o que se apresenta como está. Só que esquecemos sempre que tem muito mais.E não está aquém ou transcendendo esse aquém. Simplesmente , mas é dificílimo de entubar a ideia e mais ainda o seu viver - está por aí. Não se computa por que recai na nossa inadimplência ignorante. Daí a importância das lentes que constituem um olhar mais sóbrio, límpido. As lentes de Nelson e de outros tantos.
Relembra-se de Proust - um outro gigante e que por certo detestava aquela jogo de bola que não havia em seu tempo achado- e que de tão alérgico ( haja sacrilégio!) buscava com descrições minuciosas condensar tudo o que buscava exibir, dizer, num laço de fita cor de rosa de alguma madame, em algum salão mundano de Paris, início do século passado. Passava páginas, provavelmente anos, o que significa a sua existência, a tagarelar como poucos sobre o tal laço de fita que condensava quase tudo sobre as personas envolvidas naquela saga de 7 volumes. Mais qual personagem? Pertencia a um deles especificamente? Ponto para Marcel, pois a confusão, um estranhamento proustiano- hiper realista, emergia. O laço já não tem mais uma cor e as personas rostos diversos. E o tempo perdido foi redescoberto. Logo, está de novo se perdendo. Passando.....
Será que essa turma acima mencionada marcaria uma penalidade baseada na intencionalidade de quem cometeu a infração? Teve a intenção ou não? Eis a questão da estupidez. Até porque sabemos que de boas intenções os infernos se abastecem. Portanto, tentam complicar as regras, os códigos, esse imensurável campo de anotações que também se chama simbólico. O curioso é que a cultura anglo-saxônica adota essas mesmas regras para o jogo dos moços com bolas de chutar. E a cultura jurídica deles é bem distinta do juridicismo romano. O romano - e aí nesse caso o juridicismo vai para o espaço da arquibancada-, não existe ( estaria denegado?), já que a interpretação passa a valer mais do que os fatos. Logo, não há juridicismo nesse caso. A regra é clara, tal como avisa um ex-apitador de jogo para meninos , e também meninas, com a bola de chutar. Se os fatos trazem mais confusão do que esclarecimento é porque a ordem do jogo é essa no momento, ou seja, a da confusão. Não nos preocupemos, pois não se procura com isso tudo que se diz aqui defender uma anarquia. Anarquia é impossível até porque é mal educada, incivilizada, burra. A tal barbárie como que muitos no jogo de bola de chutar, de bater, de socar, de fazer política, agem.
Recusa-se ainda hoje - e a temporalidade que descreve a realidade das rugas e dos brancos pelos que passam a fazer companhia no corpo, na carcaça, que se enfraquece-, aceitar o fato bruto de que muitas das ideias- de um mesmo jogo com diferentes pontos de vista-, e pelas quais se perdeu sangue e até a vida ruíram. Acabou. Sofreu acréscimos ou então transformações radicais. Portanto, outra coisa virou.
Os tais moços prosseguem na conversa de tentar dizer para um e outros que os seus pontos de vista (ou seria de cegueira?), suas preferências, seus gostos, sejam melhores, mais relevantes, mais campeão. Todos acham muitas coisas. Cheios de opiniões. E falam através de convicções que nada mais são do que suposições, intuições, e que não devem ser desprezadas porque falam apenas das razões. Quão difícil é supor que a maluquice de outrem é tão ou menos maluquice que as nossas. E haja maluquice para não parar de correr atrás da bola de chutar dos moços, que ao menos numa mesma pelada, possam considerar afetos comuns.
Aqueles moços de ainda há pouco trocam de papéis, telefones, informações. Combinam o novo encontro com os uniformes de gala. Seus clubes, suas apostas. Cada um com o seu cada qual. E ninguém se convenceu de que esse cada qual para cada um é a melhor escolha do que a outra. E não tem nada por detrás: nenhum homúnculo-sujeito suposto pelo fato de que ali não houve acordo entre os que conversam, discutem, aqueles que se curtem. Apenas fatos, relatos, tesões, informações e quereres.
Nelson Rodrigues foi talvez o seu melhor tradutor. João Saldanha vinha junto. Armando Nogueira por ali também. Esses senhores, que cometeram o erro de falecer, conseguiam enxergar um jogo que não havia para maioria. Não eram somente românticos idealistas ou mitômanos ( mas quem é que não quer maior precisão, a resposta melhor, a tonalidade mais bonita, o gosto saboroso e uma pitada de mentirinha ?), buscando aperfeiçoamentos através da fala sobre o que se passou e o que poderia ter sido. Aqui se tem uma afirmação ou ainda questionamento? Não se sabe a resposta - e talvez seja para não se saber-, o que não invalida a afirmação apostada. Tampouco idealistas , mas talvez iluministas - esses nobres senhores- que se ocupam também das sombras.O verbo aqui insiste em se presentificar, já que autores desse calibre costumam não desaparecer. Sabem da vida com seus infinitos personagens. Por isso, há a vã, não menos heroica, tentativa de acrescentamentos a cada frase, a cada texto, a cada comentário. Não há tampouco a verdade, a resposta derradeira e única para tudo.
Num tribunal esportivo já se reconheceu que muitos atores jogam o jogo dos moços. Do menino de calça curta ao árbitro. Há o moço agitado, fanático, que não torce. Ele só projeta o que tem de pior. O que deveria ser um 'hobby' tão somente - e um 'hobby' pode ser algo sério se houver seriação, sequência- transforma-se em barbárie, racismo. Em outras tribunas, não menos importantes, necessita-se da indagação cafajeste do 'jurar dizer a verdade ou 'nada além da verdade'. E qual seria ela? Conjectura-se tão somente algo que possa dar conta, dar cabo, do que está à nossa frente, ao nosso lado. É consenso que existem evidências, certas provas mais contundentes, mas a verdade e ainda por cima para além dela? Não há nada para além de coisa alguma que não seja tudo o que se apresenta como está. Só que esquecemos sempre que tem muito mais.E não está aquém ou transcendendo esse aquém. Simplesmente , mas é dificílimo de entubar a ideia e mais ainda o seu viver - está por aí. Não se computa por que recai na nossa inadimplência ignorante. Daí a importância das lentes que constituem um olhar mais sóbrio, límpido. As lentes de Nelson e de outros tantos.
Relembra-se de Proust - um outro gigante e que por certo detestava aquela jogo de bola que não havia em seu tempo achado- e que de tão alérgico ( haja sacrilégio!) buscava com descrições minuciosas condensar tudo o que buscava exibir, dizer, num laço de fita cor de rosa de alguma madame, em algum salão mundano de Paris, início do século passado. Passava páginas, provavelmente anos, o que significa a sua existência, a tagarelar como poucos sobre o tal laço de fita que condensava quase tudo sobre as personas envolvidas naquela saga de 7 volumes. Mais qual personagem? Pertencia a um deles especificamente? Ponto para Marcel, pois a confusão, um estranhamento proustiano- hiper realista, emergia. O laço já não tem mais uma cor e as personas rostos diversos. E o tempo perdido foi redescoberto. Logo, está de novo se perdendo. Passando.....
Será que essa turma acima mencionada marcaria uma penalidade baseada na intencionalidade de quem cometeu a infração? Teve a intenção ou não? Eis a questão da estupidez. Até porque sabemos que de boas intenções os infernos se abastecem. Portanto, tentam complicar as regras, os códigos, esse imensurável campo de anotações que também se chama simbólico. O curioso é que a cultura anglo-saxônica adota essas mesmas regras para o jogo dos moços com bolas de chutar. E a cultura jurídica deles é bem distinta do juridicismo romano. O romano - e aí nesse caso o juridicismo vai para o espaço da arquibancada-, não existe ( estaria denegado?), já que a interpretação passa a valer mais do que os fatos. Logo, não há juridicismo nesse caso. A regra é clara, tal como avisa um ex-apitador de jogo para meninos , e também meninas, com a bola de chutar. Se os fatos trazem mais confusão do que esclarecimento é porque a ordem do jogo é essa no momento, ou seja, a da confusão. Não nos preocupemos, pois não se procura com isso tudo que se diz aqui defender uma anarquia. Anarquia é impossível até porque é mal educada, incivilizada, burra. A tal barbárie como que muitos no jogo de bola de chutar, de bater, de socar, de fazer política, agem.
Recusa-se ainda hoje - e a temporalidade que descreve a realidade das rugas e dos brancos pelos que passam a fazer companhia no corpo, na carcaça, que se enfraquece-, aceitar o fato bruto de que muitas das ideias- de um mesmo jogo com diferentes pontos de vista-, e pelas quais se perdeu sangue e até a vida ruíram. Acabou. Sofreu acréscimos ou então transformações radicais. Portanto, outra coisa virou.
Os tais moços prosseguem na conversa de tentar dizer para um e outros que os seus pontos de vista (ou seria de cegueira?), suas preferências, seus gostos, sejam melhores, mais relevantes, mais campeão. Todos acham muitas coisas. Cheios de opiniões. E falam através de convicções que nada mais são do que suposições, intuições, e que não devem ser desprezadas porque falam apenas das razões. Quão difícil é supor que a maluquice de outrem é tão ou menos maluquice que as nossas. E haja maluquice para não parar de correr atrás da bola de chutar dos moços, que ao menos numa mesma pelada, possam considerar afetos comuns.
Aqueles moços de ainda há pouco trocam de papéis, telefones, informações. Combinam o novo encontro com os uniformes de gala. Seus clubes, suas apostas. Cada um com o seu cada qual. E ninguém se convenceu de que esse cada qual para cada um é a melhor escolha do que a outra. E não tem nada por detrás: nenhum homúnculo-sujeito suposto pelo fato de que ali não houve acordo entre os que conversam, discutem, aqueles que se curtem. Apenas fatos, relatos, tesões, informações e quereres.
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