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domingo, 1 de fevereiro de 2009

E a noite Ressurgiu

E a luz não voltava.Faziam horas que um problema , jamais identificado com precisão, mergulhara muitos de nós no escuro. Seria isso o cair na noite? Acendi vela e tudo.
Relembro o dia em que um apagão desses me pegou no meio de uma sessão com um analisando chegado à taras, tal qual qualquer um. Armei-me com velas, candelabros e que tais. Afinal, sabe-se lá aonde poderia ir a libido do tal analisando?
Após a sua partida, ainda descansava sobre a mesa uma pequena vela, comprada em viagem recente, iluminando o texto que era consultado naquele momento.Não me recordo do texto.Ergui o olho e vi, enfiado no meio daquilo que fazia parte do que chamo de mim, algo que há muito não via: a noite.
Lá estava ela. Silenciosa, calma e assustadora. Não se via nada a mais , a não ser a noite.
Fui pouco a pouco tornando-me ansioso. Ela me cercava e me seduzia. Foi crescendo e alternando o prazer e o desprazer. O tal livro, ainda sobre a mesa, foi se fechando, na folha , diria Lamartine ,poeta Francês dos favoritos meus,em que se morre. Ali, os dedos cessavam de folheá-lo.
E nada de luz. A obscuridade que norteia o nosso mundinho estava se apresentando explicitamente.E atingiu a região mais rica da nação.Nação?Estávamos, portanto, na mesmíssima escuridão.
Logo, no mesmo dia, nessa mesma noite, nesse vale gregoriano, abaixo da linha do Equador, na direção Sul do continente 'brasilis' , houve renascimento. Evocamos umas palavras que não estavam presentes , enquanto fatos, enquanto experiência, enquanto sensação.
Procurei no breu de meu caminho por um aparelhinho chamado telefone celular. Não o encontrei. Claro. Vivo ainda estava, gritei: Oi telefone! Cadê você? Nada. Nenhum sinal. Seria a falta de luz? Aquele abominável objeto que faz escândalo nos teatros - "quer entrar em cena?Quis saber uma atriz mediante o inconveniente que não parava de se exibir, mexendo os cabelos, checando as unhas-,calara-se.
Foi quando me dei conta que não o possuía....o tal aparelho.
Só, pela primeira vez na noite, entrei no meu carro e parti. O dia então começou a nascer através dos faróis do meu brinquedinho automotivo. Cruzei boa parte das ruas escuras e avistei um casal. Eles estavam meio pelados e olhavam para os lados, desconfiados, assustados. Reconheci o moço: era o meu paciente. Atacara alguém , já que não consegui nada comigo.Ufa!
O dia no meu carro reconhece um outro, cheio de pessoas previsíveis, entediadas e entediantes.Alguns assustados, cheios de razão, berravam: "Luzes, Luzes"!Um outro mais prudente, suspeitava: "Sim,mas cuidado com as sombras"!
Falta de moral da história: nossa travessia é eterna. A vida é assim. Sim!

Setembro de 2003-Fevereiro de 2009

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