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terça-feira, 21 de abril de 2009

Aniversário # nascimento.

O Brasil vai aniversário hoje. Arnaldo Jabour ,erroneamente, celebrou o níver tupiniquim na data errada, 21 de Abril. E a festinha da véspera celebrara mais uma invasão francesa no país. Fogos, buscapé, chuva e depoimentos patéticos.
Tal qual os homens , países também celebram nascimentos sem saber ao certo o que fazem. Há aquele caminho necessário, pelo qual a nossa espécie , ainda carbono , passa. Depois vem aquele choro todo, aquela luz, aquele chilique.Daqui a pouco, não haverá mais esse teatro ,um tanto quanto bárbaro. Teremos tecnologia mais avançada para esse momento de corte....umbilical.
O que seria um nascimento? Quem testemunhou isso? Por que a nossa galáxia, insignificante em seu tamanho, tendo milhões de outras semelhantes,seria padrão para cálculos astrológicos , no mínimo, delirantes?Por que então o aborto seria crime? Já havia nascido algo antes? Então que conversa fiada é essa de que nasci no dia 13 de Março de 1966, supostamente às 11:00 da manhã?Que relógio era esse? Havia horário de verão?O médico estava alguns segundos ensanguentado de tesão , após mais uma cirurgia? Qual era a marca do relógio que usava?
Há de se reconhecer que ainda temos esse creodo ( caminho necessário) para existirmos, mas daí a afirmar que algo nasceu porque saiu de uma barriga fêmea ou xoxota , temos uma trajetória bem mais longa a percorrer.
Será que já nasci?Será que já vomitei parte da imensa massa de recalques herdados, adquiridos, comprados, mantidos, que me habitam? Ainda preciso mediar, através dos outros, para existir? O mundo me deve? Creio na morte? Peço para sobreviver? Minha vida é somente pura resistência , frente a perda de certezas, opiniões, fundamentos, etc e tal? Por que é que tenho plano de sáude, mesmo? Sou até saudável....e passei a temer a medicina alopática , depois que passou a não considerar mais uma série de formações que me habitam . Afinal, ela trata a todos em série!Parece linha de montagem de uma fábrica de automóveis qualquer.Meu pai não tem mais memória. Pergunto algo que choca a todos NÓS: ele ainda tem existência?
Tenho amigos. Amigos? Será que uma amizade sobrevive a uma análise bem feita? Quais são os limites?Ponha o dinheiro em cena , o significante por excelência ( Lacan estava coberto de razão), e as guerras se estabelecem rapidamente.Nas famílias então....
E esse País , Brasil, de que falamos mal cotidianamente. Já foi parido? Por um Português Cabral?Não teria sido um Argentino? No, no. Argentino por supuesto no!Por favor!
Temos ô Cara!Ô CARA? Temos o Congresso também que temos!Até Fernando Gabeira, O JUSTO, andou oferecendo passagens públicas para alguns parentes passearem no exterior.O Presidente do PV ( partido pelo qual tenho até simpatia , pelo simples fato de ainda ser "verde"), O Sr. Zequinha SARNEY, O eterno, deve concordar.
Acordei sob a fúria de um bombardeio. Vinha de uma Lagoa, perto de minha casa. O céu se iluminou. A chuva, porém, não foi embora. Queria participar da festa também. Chegou e ficou. Perversamente em grande gotas d'água.
Imaginei a Bastilha. Aquelas perucas todas, aquela bebida, aquela luxúria de sangue, aquelas cabeças que rolavam, aquele Sarney Robespierre.
É claro , ainda que noite, que para virar nação , o bom Estado vassalo e neurótico terá que pedir permissão aos seus chefes.
E a gente? Como é que fica nesse hiper-democrático e cínico momento? Quando nasceremos para valer?!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Justificativa ( para quê mesmo?)

Rubem Fonseca já alertara para o fato da necessidade de se revisar um texto ou os perigos de escrevê-lo de porre, pois acharás tudo uma maravilha . Ao final do efeito etílico, acharás uma barbaridade!
O Chico, O Buarque, costuma dizer que quando encerrava uma composição, adorava tudo. Curtia muito o resultado por algumas horas, um dia seguinte... Depois de algumas semanas , achava aquilo muito chato. Perfeito. Tenho algo em comum com o Chico Buarque e com o Rubem Fonseca.Talvez por isso tenhamos que escrever sem parar...e recomeçar.
No Libelo abaixo há 3 erros gramaticais. Dois por distração, falta de revisão, e outro por estupidez mesmo. Confesso que reformas ortográficas tem ( têm?) me afetado.
NA frase citada de Joãozinho 30 " Quem gosta de miséria é intelectual", o M do quem não aparece. No fim, também há um menos que virou mesno!Será neologismo?
O mais grave porém é mudar a sílaba tônica de lugar. Não é BÊBE E SIM BEBÊ!Ainda que me escore no Baby Inglês - é na primeira sílaba o "stress', assim como O BEBA , ESPANHOL, não convence . DESCULPA TORPE!
Grato pela atenção!

Cinismo primeiro-mundista ( ou seria primeiro-bundista?)

Curiosa sensação de que o cinismo vigente irá , finalmente, se sobrepor. A sensação de que a estupidez não pode mais ser velada é intensa. Excesso de democracia dá nisso. A KGB do ABCtupiniquim mostra as garras sem pudor.
Recentemente, num programa televisivo, mocinhas de terceira idade fofocavam acerca da política brasileira. Ali, não há nada em torno de pensamento político descente. Tal qual o famigerado Congresso. Alguém tem uma fonte e dispara suas "opiniões".Somos um povo repleto de opiniões!
Tratam equivocadamente o parlamento como se esse fosse uma formação transcendente e os seus membros ali pousaram com asa deltas - ou seriam aladas?- superfaturadas.
Amigos: O Congresso somos nós e a ética do mictório sem fundo é vigente!
Depois , com todo o moralismo que lhes cabe, vociferaram contra os muros que se erguem nas favelas cariocas. Não devem ter lido a pesquisa realizada e cujo resultado clamava: 53% a favor, 47% contrários. Os 53 % são moradores da favela! O restante é a burguesia cínica! Lembrando mestre Joãozinho 30 porque 100: ' Que gosta de miséria é intelectual'. Acrescento: Intelectual de esquerda , trabalha na Globo e mora em Ipanema ou Leblon! Mais ou menos como a política relacionada às drogas. Lembro-me que um filhinho de papai milionário - eu sou filhinho de papai classe mérdia perdulário!-, fora sequestrado. Houve passeata e alguns televisivos e outros não televisivos pediam a cabeça do traficante. Alguns, após recado vindo de fonte bem informada, eram adeptos do talco branco e outros brinquedos. Ou seja: prendam o traficante que vende a droga que eu adoro consumir!Que diabo de cliente é esse?!Warren Buffet diria que é um daqueles que oferecem amendoins para colher macacos.
No final, a economista séria ( tenho o maior respeito por ela) alertou os jovens para o buraco fundo em que - eu ainda ME CONSIDERO JOVEM-VELHO- estamos mergulhados. Ela , além de economista é também jornalista, e na época em que a ministra que queria ser mãe , Dona Zélia Cardoso, confiscou os bêbes do país, ou melhor, o Capital da nação ,em 1990, teve a ombridade de chamá-la às falas. Creio que foi ali que as coisas para Lilian Witte Fibe - acho que é assim que se escreve e se não for , Lilian, perdoe a minha ignorância!, balançaram para ela , na emissora oficial
Gosto muito da Lilian. Ela não se vê tão importante , é inteligente à beça e tem coragem!Além do mais é bonita! Olha que perigo!
Nesse programa chegou a alertar os jovens para escolhas profissionais. Descartar , por exemplo, o jornalismo! Falou das demissões nos jornais, em plena Rede Globo que, nada diz a respeito.
Jornalista que se dá ao respeito não pode ser muito burro ou covarde.
Por fim, O Brasil ou Brazil chegou ao primeiro mundo, ao menso do ponto de vista de alguma economia, de alguma Amazônia disponível ( Isso se o califa Daniel Dantas , será parente meu?, deixar). Dantas tem milhares de concessões para explorar o subsolo Amazônico! A Petrobrás e a Vale do Rio Doce tem somente algumas poucas!
Brasil no primeiro mundo! E os brasileiros?

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Prosseguir

Prosseguir.

E por falar em escrever .... Tenho tentado, ao menos uma vez na semana , escrever sobre algo. Um dia declarei que preferia os textos curtos para não perturbar os que por ventura fossem lê-los . Mentira pretensiosa. Quem garante que alguém vai ler esses troços? E quem disse que tenho que escrevê-los para alguém, além de mim mesmo? Caso contrário já provoco uma censura prévia. A censura, a crítica ( sempre destrutiva por mais elogiosa que seja , pois provoca o surgimento de um fato novo ) vem de fora. O que me levou a ler alguns textos com imenso prazer e outros não? Não sei. Talvez alguns dos que mais repudiei , tenham sido os mais pertinentes. Lembro claramente quando descobri Freud. Adorei e odiei também. O velho quase sempre acerta. Bertrand Russel, Clarisse Lispector, Cioran, MD Magno também. Provocam arrepios. Prazer e Desprazer lado a lado. Autor que não acossa , você não o estuda. Lê entre um mergulho e outro.Aliás, Proust – outro demônio- os abominava.
Os entendidos proclamam que a literatura não tem mais aonde ir. Mas será que somente a literatura? As artes plásticas estão indo para onde?E a música? Alguém viu por aí um Novo Beethoven?Um novo Brahms?O Jazz americano bem que tentou. Em termos de riqueza musical contemporânea , creio que foi o movimento musical mais profícuo.
É bem difícil- quase impossível- depois de um Joyce ou seu primo Brasileiro Guimarães, O Rosa, a gente conseguir torcer esse troço limitado denominado linguagem, denominado escrita. A língua tem limitações claras, senão não existiriam os poetas.Eles tentam atravessá-la o tempo todo.Se angustiam e furam o verbo...um pouquinho. Há aquele ponto que um Wittgenstein da vida mostrou que não se atravessa, é só silêncio.
Recordo-me de Shakespeare e seu alter-ego obsessivo, o Sr Hamlet, cheio de culpas e impotências. MD Magno , cuja língua natal é bem mais rica do que a do Inglês famoso, desconfia que ele se enganou ao dizer “ Ser ou não ser”. Ele talvez estivesse dizendo “ Haver quer não haver”....essa é a questão! Em compensação , os ingleses não chamam seres inanimados de ela ou ele. Cachorro por lá não é sujeito!
Desci uma serra olhando o abismo próximo. A cada curva uma vã esperança de que a próxima será dobrada, vencida, recortada,virar reta, atravessada. Assim como na escrita. Ao menos tentar. Sempre....

segunda-feira, 30 de março de 2009

Autoretrato

No decorrer do filme, que já assisti inúmeras vezes a ponto de saber boa parte dos diálogos, pergunto-me o porquê da insistência? Não é um bom filme. O roteiro é confuso e alguns dos atores estão abaixo da mediocridade. Ao menos a fotogenia, febre de hoje em dia, não prevalece. Há gente feia no mundo!Felizmente! Assim como há gosto para tudo. Ufa!
Revendo aquela cena, encontrei uma das razões. O filme traz um pouco de minha infância, numa Ipanema bucólica e charmosa. O malandro nesses tempos era gentil. O bom malandro tinha seriedade.Fazia direito o que propunha.
Esse papo parece coisa de gente velha e é . Olhar para frente é fundamental, mas o abismo assusta. Para trás há umas coisinhas...Mesmo que o melancólico seja um cínico, pois reclama ainda de barriga cheia, dá pra fazer uns versinhos. Poetinha contente nunca vi.
Estamos entupidos de barbaridades e cinismo. A explicitação do ridículo e do boçal e a sua denegação a seguir. Tanta informação, com tanta rapidez, e a turma não sabe absorvê-la. Há consequências graves. Crise econômica é apenas uma delas.Até mesmo o mais liberal dos liberais, ou seja, o rei do cinismo contemporâneo agora, após alguns meses de terremotos, pode avaliar com mais lucidez o que ocorre. Osama+ Barack é a pessoinha certa na hora certa. Aquele rapaz, O Hilary, não funcionaria. Não tem ' Savoir Faire' suficiente. O Negão já entendeu!
Enquanto preguiçosamente teclo - do verbo tentar escrever algo- essas coisas, o moço bonito do filme semi-pornô - sim, semi-pornô já que uma atriz, hoje com 80 anos, estava de calcinha -passeia pela nossa orla dirigindo um automóvel conversível. Sim! Um automóvel conversível nas ruas do Rio, ex- Maravilha, e não um carrinho blindado.Será que haverá carrinhos à prova de balas com redução de IPI?Estou na fila de espera! Quero o meu de menta ou cereja, por favor!
Saudades dos carrinhos sem teto. Naquela época os sem teto eram carrinhos. Creio que a garotada de hoje só os conhece através de fotografias ou se afortunadamente tenham passeado por algum paraíso bem longe daqui.Na minha infância, condomínio fechado era o Batalhão do Exército.
Esse lero lero é realmente chato, mas necessário. Os judeus relembram sempre o que lhes aconteceu na Segunda Grande Guerra.Estão certos. Se cai no esquecimento....
O Importante é que a sabedoria bate à porta de quem pode contemplá-la e utilizá-la da melhor maneira , O Maneiro!
O mestre, sempre alerta, alerta: " Somos um autoretrato de palhaço, cujo pintor é um artista desconhecido".

segunda-feira, 23 de março de 2009

Dois comensais

Dois Comensais


Dois jovens , na mesa ao lado, conversam. Uma menina e um menino. A menina, pequenina, tem os olhos apaixonados. O garoto , com ares aristocráticos , bebe uma cerveja. Tem olhos claros e distantes. Ela me lembra alguém. Apesar de jovem, parece uma senhorinha. Creio que é por causa dos gestos. Eles são medidos, bem contornados. Bebia, inclusive , bebida de gente mais velha: aqueles coquetéis coloridíssimos e sem graça, ou seja, sem álcool. Talvez por isso estivesse tão compenetrada. Ela falava, falava e o garoto ,de braços alongados, escutava e comia. Corretos os meninos. Comiam aquelas coisas saudáveis , verdes demais e ....também sem graça.
Alguém , creio que um Rei, dissera que as coisas melhores são imorais, engordam e também são proibidas. Perfeito. É bem provável que seja um Liberal de última instância, tipo Bob Field , o nosso falecido Roberto Campos, ou algum menbro do prestigiado ‘The Economist’. Tudo bem que cada um de nós deve ser responsivo sobre os atos praticados ou não, mas em termos de aplicação política é quase impossível. Estaríamos entrando numa espécie de anarquia, o que não é viável. Até porque observamos nessa crise econômica que muitos liberais estão correndo para o colo do Dr Marx, Dr Marcuse, Dr Engels, dentre outros.Um dos gurus dos liberais , O Sr.George Soros , está assustado!
Seriam os nossos jovens comensais liberais? Não creio que estejam interessados nesse tipo de conversa. Ela, por exemplo, está mais interessada em apreciar as folhas que se exibem no prato à frente e nos belos olhos do gajo. Que mané Liberalismo coisa nenhuma! Teria pensado intimamente se indagada fosse.
Tentar adivinhar a idade do jovem casal também seria uma tolice, pois eles todos são tão parecidos. Dezoito, vinte ou vinte e dois anos, qual seria então? Façam as apostas.
Sinto frequentemente um abismo entre mim e essas gerações mais novas. São inteligentes , mas desinteressados, a grande maioria , naquilo que me alimenta.Tanta informação, e cada vez mais rápida, para que mesmo? A tecnologia , que é uma grande obra poética, pode ser um imenso desperdício nas mãos de maus poetas. Na verdade, pretensos poetas. Já se chegou a cogitar se não seriam novos poetas os tais “hackers”?
Muitas vezes , sinto essa distância até mesmo no que tange banalidades , tais como futebol. A garotada não reconhece algo que tenha existido antes da banda larga, do DVD, ou seja, dos tempos digitais! Já chegaram a comparar qualquer um dos medíocres ,que enganam pelos gramados brasileiros, com Maradona. Maradona é insuportável pessoalmente , mas foi um grande artista da bola! Nada que se compare aos embustes que a mídia insiste em faturar sobre. Qualquer empulhação que possa trazer audiência e milhões de Reais, Dólares, Euros, vale a pena.
Imagino se para contemplar os concertos de Beethoven ou Mahler teremos que recorrer somente ao mundo digital. Existe maestro rigoroso que jamais aceitou gravar coisa alguma, pois alegava que nem todos os sons poderiam ser captados. E isso de forma analógica que, capta muito mais o que está em volta - aqueles chiados por exemplo-, do que o sistema digital que, obviamente, os elimina.
De repente, o casal está de pé. A comilança politicamente correta foi esquecida. Um outro casal, bem mais velho, chegara e iniciou uma prosa. Ficaram em pé e risinhos ecoavam. A jovem senhora ria e balançava as pernas. Parecia excitada. Pensei: ‘ Deve a ser mamãe da menina’. O homem, grisalho, não parava de falar. O rapaz sorria , constrangido. Eram, por certo, parentes ou amigos da mocinha.
Sentaram-se na mesa atrás. O cara não parava de falar. Solidão realmente é uma merda!
Olhei rapidamente e a jovem senhora olhou de volta. Tinha traços bonitos , mas bem machucados pela tal da idade. Francamente, era um daqueles rostos que já foram delineados por centenas de bisturis. A velha- moça sorriu , a perna se levantou. Permaneceram pouquíssimo tempo no restaurante. À saída, diante do jovem casal nova parada. Alguns comentários a mais e o falastrão resolve beber um gole da cerveja do menino. A sua acompanhante balança agora as duas pernas. A menina já não acha mais graça. Ufa! ‘- Foram embora!’ – celebraram alfaces, brócolis , tomates...
O silêncio atravessou o resto do restaurante. ‘ Beija a moça, beija’ . Havia torcida e tudo mais! Ela , com rostinho de santa , ou seja, repleto de veneno, tenta tocá-lo nas mãos. Ele não permite. O rosto dela agora está transfigurado. Sente-se humilhada, rejeitada, desprezada. Já me aconteceu algo semelhante. Faz tempo, porém, ainda integra o meu arquivo de ressentimentos.
O mocinho, com mais traços aristocráticos do que antes, impávido permaneceu. Pagou a conta e se levantou para partir.
Teriam sido as tolices do falastrão que afetara o humor do jovem mancebo?Imagino o grisalho dizendo: “ Olha lá, hein? Vai comer a filha da minha amante hoje, não é? Ou ainda: ‘ É melhor parar de beber senão a polícia vai te pegar’! Ou pior: “ Ô rapaz! Larga de ser viado e reboca logo para um motel!”
Com um sorriso de superioridade estampado na face, o tal viado, ou melhor, o mocinho segue a sua “partner” .
- O senhor está de carro?- indaga o segurança do restaurante.
- Estou, mas ela não. Peça um Táxi para a senhorita, por favor.
Sem dúvida, um liberal. Nosso futuro está garantido, não está?

domingo, 15 de março de 2009

Entre os Muros de Hoje

'Entre les Murs' é o filme Francês do momento. François Bégaudeau escreveu o livro, o roteiro, atua e pegou um belo diretor para realizar o filme que, retrata as dificuldades de uma escola francesa , escola pública , localizada nos subúrbios de Paris.
Se levarmos em conta a nossa realidade brasileira , nada daquilo nos impressiona. Afinal, até onde se sabe , não houve atentados ou assassinatos nas escolas públicas de lá. Já por esses lados...
O que François nos mostra , e ele como ator também é muito bom, é mais ou menos o que um livrinho , cujo nome da autora já não me recordo, chamado O Horror Econômico, apresentou nos anos 90. Catherine Forrester , acho que é esse o nome, desenhava o que estamos vivendo agora e o filme relembra. Não há nada de novo.
Há anos que Paris enfrenta problemas com imigrantes , vindos, sobretudo, de ex-colônias francesas pobres. Até porque ex-colônias ricas são: Estados Unidos, Austrália, Canadá...
Quem se aventura por aquelas bandas sente na pele, no ar, nos olhos, uma hostilidade que ressoa de ambos os lados: locais e imigrantes se odeiam. E o número só faz crescer.
A ingenuidade do professor , interpretado por François, é supor que ele tem a missão de salvador. Os alunos , é óbvio, o desprezam. " Quem é esse merda que vem ensinar alguma coisa para nós que, afinal, não passamos de um bando de ....merdas".É isso que o professor parece não perceber.
Até porque ninguém está muito a fim de ser salvo mesmo.
Tentando seduzir os alunos e intrometendo-se em assuntos que não lhe cabem, o Prof. vai pouco a pouco caindo em todas as armadilhas que lhe oferecem.
O depoimento mais lúcido é o ataque que um dos seus colegas preconiza , logo no início da fita , ao dizer uma série de verdades sobre aqueles animais que , erroneamente , são denominados estudantes.
É quase impossível o trabalho de um professor por ali, pois a sua função é a de transmitir conhecimentos. E parece que não há interesse algum nisso por parte dos 'aprendizes'.
A função do professor é tão somente essa. O que ocorre lá é igual o que vem ocorrendo aqui, faz tempo. Colégio virou refúgio para jovens. As escolas particulares também ,mediante o empobrecimento da Classe Mérdia. Além, é claro, dos vínculos familiares novos e a inserção cada vez maior das mulheres no mercado de trabalho.
A função de um professor é transmitir conhecimentos. E o melhor aluno é aquele que, estudando em casa, vai ao colégio tirar dúvidas. O que se observa é que nem dúvidas há.Na verdade, não há nada. Prende-se o ser, conhecido como de menor ,ali, por algum tempo, enquanto os responsáveis têm que correr atrás do dindim.
A falta de educação então!
Mandar um professor tomar naquele lugar - e não que alguns não sejam merecedores , pois sabemos que alguns são- , virou rotina. No meu tempo, e olha como estou ficando velho, tomar tal atitude era caso de expulsão. Se eu o fizesse, levava um tiro de canhão, "at home".
Felizmente, o cinema escapa da esclerose que outras formas de arte insistem em estacionar. O olhar da menina negra - muito bonita- , provavelmente oriunda de uma dessas ex-para sempre-colônias- de- escravos , no caso, franceses, diz o que ela não disse - não falava nada a tal menina bonita-, ao longo de todas as aulas, de todo semestre, do ano todo.
A pergunta era singela: " O que você aprendeu de mais importante ao longo desse ano, aqui na escola". Todos disseram algo, equivocado ou não. E ela , constrangida na sua sinceridade, apenas murmurou:' Nada, professor. Não aprendi nada'.