A vida é o que nos acontece enquanto planejávamos outras coisas.
Essa frase vem do Sr.John Lennon,falecido em 1980.
Lembro-me do dia em que o ex-Beatle foi morto.
Dia de semana,dirigia-me ao meu curso de inglês para receber uma medalha por desempenho obtido naquele semestre.Nada demais.Era o início de uma trajetória em torno da língua inglesa e que perdura até hoje.
Rádio do carro ligado,meu pai escutava a notícia.Houve silêncio.Meu pai não gostava de rock.Aliás, meu pai só gosta do efeito festeiro que alguns ritmos podem suscitar. Era conhecido como pé de valsa.Apelido que lhe fora dado nos tempos do Cassino da Urca.Ele gostava mesmo era de agarrar pela cintura as mocinhas de sua época.Se lhe perguntassem qual era o cantor,qual era a canção, provavelmente não saberia a resposta.Não era disso que se tratava.
Lembro-me do noticiário em torno do crime.Um porra louca,parece que havaiano, resolveu matar aquele que dizia amar.
É assim .A turma que não sabe o que é o tal do amor faz assim.Pois, recalcam o ódio que vem junto.Se há consideração sobre os opostos, há jogo e lucidez possíveis.
A vida corre assim assim: amódio.
Sai do meu campo de arrogante certeza, sobre o que suponho conhecer, um imponderável.
Ele varre a minha pretensa serenidade com promessa alguma.Tão somente um fato bruto.Uma porrada.Por vezes,irreversível,indecidível.
Vejo-me então feito poeira de estrela,solta num espaço.Sem chão.Nefelibata com purpurinas.Somos também carnaval,caos organizado.
Atectônia ou um homem que flutua.Parado no ar feito nuvem que sopra ,que range.E passando por lá, há de tudo: de trovão a lumiar.
terça-feira, 12 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
Celebrações.Pagadores e suas Promessas.Dias.Codinome Nunca Mais
Um dos nossos assuntos preferidos é celebrarmos os anos passados de um determinado evento,fato,nascimento ou perecimento de uma pessoa.Todo ano é a mesma coisa.Há sempre um festejo enquanto projeto de vida para muitos. Cem anos sem fulano!Como devia ser muito chato,celebraremos o seu desaparecimento!Mas como assim?Se celebramos o seu desaparecimento, obviamente, mantemos alguma coisa dele bem viva.
Seria melhor esquecê-lo de vez?Deixemos o tal fato ou Pessoa finalmente morrer?!
Em algumas casos é impossível. A tal Pessoa é maior que o tempo que nos ilude ao fingir que somente passa.
Maior para quem?Maior que o quê?Extremamente difícil,pois é situacional.É para cada um.Até porque cada um tem a saudade que merece.
Aquelas impressões mnêmicas não desaparecem.Restam ,ainda que disformes,pelo tempo,pelo desgaste da formação cerebral capaz de ressuscitá-la a cada vez.
Quando alguém morre, o que nos permanece senão essas marcas?
Um som,um grito,um pranto,um sorriso,uma sacanagem,uma porrada...Tudo pode ser computável. Para o bem ou para o mal.E novamente caímos na impossibilidade em discernir se é bom ou ruim ,a não ser na consideração de cada situação.A Priori , somente pelo fato que não conseguimos empiricamente comprovar e nem tampouco precisamos desse critério tão cientificamente fechado, já que existem outras evidências , tornar-se-á ,por certo, preconceito. Um preconceito é uma intuição errada.Não sabe dizer ao certo do que se trata,mas focalizou algo,Isso é intuitivo,segundo MD.Magno em sua obra.O que se torna preconceito,quero supor, é ignorar a nossa sintomática de ignorâncias, e que é gigantesca.Reúne diversos elementos.Desses que marcaram,pois fixados outrora.E outrora pode ser também agora.
O que faz ignorar essa rede gigante está sob a tutela daquilo que se reconhece enquanto recalque,ou seja, uma operação que afasta certas formações do nosso ponto forte em poder focalizar mais intensamente qualquer coisa,qualquer fato,qualquer qualquer,enfim,qualquer um que haja.Isso se chama ter consciência sobre algo.
Caso contrário, produzimos mais e mais preconceitos.
São muitos achismos,opiniões.Sobre quase tudo.É impressionante que os diálogos e/ou interlocuções estejam se tornando quase que impossíveis.Mas é mentira,pois a impossibilidade que há de fato é coisa feita para gente grande.
Não é por outra razão que há tanta gente preocupadíssima com a saúde dos animais.Não estão suportando o quê? O próprio auto-retrato? E tem que ser assim mesmo...Com toda essa redundância do próprio auto -retrato.
Adoro os animaizinhos.Acho uma sacanagem,perversão mesmo, tratá-los com maldades e crueldades.E lá estamos aqui achando coisas sobre outras espécies também. É que talvez haja um tipo de gente - gente?- que nem para criar bicho inferior sirva.
Claro que também há a comodidade-covarde em tratar mal aquele de quem se supõe fidelidade eterna.Até porque certos bichinhos não sabem dizer não!Morder não quer dizer isso não!Pode ser o contrário.
E existem também aqueles outros - nós mesmos- que estendem essa arrogância aos pares,ditos humanos. Parece que se garantem pelo querer próprio.E olha o próprio aí de novo...E esse próprio está mais para aluguel.E nem mesmo o aluguel nos dá a estabilidade do outrora-agora.Virou moeda especulativa em terras futurísticas.Países emergentes,"new richies".
Creêm que podem predizer os passos de amanhã também.Não somente os que pretende dar,mas os dos que estão ao lado.No prédio em frente, no elevador apertado,na cama do inverno,na mesa que se brinda,no espetáculo que nos regozija,na tal família que mudou de cara e ninguém quer ver.Isso é mítico.Ou seria o tal do amor?
Vejamos o drama das insituições escolares.Aquele fluxograma e aquele formato clássico na disposição de quase tudo, e que não atende mais à demanda com quem se pretende dialogar.Escola é lugar de transmissão de saberes.Infelizmente,reduzem os saberes às tais disciplinas.E aí excluem um bocado de competências e saberes outros.Certamente, conhecimentos tão úteis para a vida que se pretende prosseguir @.com.
O pensador radicado na França,mas Tunisiano de nascimento, Pierre Lévy ,tem um ótimo livro denominado 'As árvores de conhecimento'.Deveria ser adotado em todos os lugares enquanto exercício a ser ,não somente pensado, mas posto em funcionamento.
Lembro que tentamos,certa vez,na nossa instiuição.Funcionou e depois dissipou-se.Sabe com é....Não há tanto tempo,já que ele continua pra frente.Somos tão bacanas...Só não sabemos cozinhar direito,caçar, trepar....até em árvores e seus outros conhecimentos.E como nos ensina Magno,o que não é da ordem do conhecimento?
Algumas instituições de ensino então resolvem democratizar as coisas.O que é falso ,pois há hierarquia,muitas vezes pouco democráticas,existe polícia e será convocada,se preciso for.Fora a catequese que está à espreita para o bote derradeiro. Então que se faça o jogo com as regras nítidas!Caso contrário,não se pode reclamar que o jogador sacaneou,visto que a sacanagem - referência clínica para quem está vivo- não foi pedagogicamente bem apresentada.
Será tão difícil enunciar que : "Aqui existem protocolos bem específicos para fazermos ,quem sabe,o mínimo.Senão ,está fora!" ?
É difícil. Somos poucos os que suportam a irreversibilidade de um 'Nunca Mais'.
Tal qual o desaparecimento daquele ou daquela;daquele dia,daquele evento...
Imaginem então a pérola: "Temos que flexibilizar ,pois vocês são importantíssimos para a nossa instituição"!
Primeiro: flexibilizar - postura do futuro-presente- não é sinônimo de esculhambar.Segundo: só se será valorizado ,pois foi compultado na mente, o risco da perda.Ainda mais se houver no horizonte o axioma traduzido pela língua enquanto - não somente significado,semântica- mas enquanto movimento de ... ' Nunca Mais'.É uma língua que diz sobre uma descontinuidade radical.
Descontinua para continuar em movimento,em celebrações,em 'bloguiadices de bloguiadeiros',etc.Eterno retorno das maravilhas e tolices.
Nosso prezado filósofo ,o Sr.Nietzsche, estava certíssimo. E Pessoa alguma parece não ter conseguido escutar aquele piano sem teclados que ele insistia em acariciar , na sua reta final.Dizem que estava doidinho.Talvez mais lúcido do que quem proferiu essas internações.E quem foi? Nós mesmos. E não se pode retrirar da reta impunemente.Só pelo fato de que muitos lá não estavam.
Cinquenta anos do Zé do Burro.Não era somente adjetivação,e sim substantivo.Dias Gomes ,seu autor, pagou caro a sua promessa. Ganhou Cannes,mas o ódio de certas autarquias.Dias morreu ,num estúpido e patético acidente de carro,faz 13 anos.Tinha setenta e sete anos e escreveu um Brasil com menos de 40 anos de idade.
O Pagador de Promessas é o nosso filme mais premiado.Zé do Burro é o Burro mais comovente dentre todos os galãs.
Noventa anos de Dias,centenário de Jorge ,mais que amado, centenário de Nelson,O Rodrigues.
Celebrações. Autores que driblam à maneira maneirista de Garrincha pra Pelé.Esse adversário inarredável codinome Nunca Mais.
Seria melhor esquecê-lo de vez?Deixemos o tal fato ou Pessoa finalmente morrer?!
Em algumas casos é impossível. A tal Pessoa é maior que o tempo que nos ilude ao fingir que somente passa.
Maior para quem?Maior que o quê?Extremamente difícil,pois é situacional.É para cada um.Até porque cada um tem a saudade que merece.
Aquelas impressões mnêmicas não desaparecem.Restam ,ainda que disformes,pelo tempo,pelo desgaste da formação cerebral capaz de ressuscitá-la a cada vez.
Quando alguém morre, o que nos permanece senão essas marcas?
Um som,um grito,um pranto,um sorriso,uma sacanagem,uma porrada...Tudo pode ser computável. Para o bem ou para o mal.E novamente caímos na impossibilidade em discernir se é bom ou ruim ,a não ser na consideração de cada situação.A Priori , somente pelo fato que não conseguimos empiricamente comprovar e nem tampouco precisamos desse critério tão cientificamente fechado, já que existem outras evidências , tornar-se-á ,por certo, preconceito. Um preconceito é uma intuição errada.Não sabe dizer ao certo do que se trata,mas focalizou algo,Isso é intuitivo,segundo MD.Magno em sua obra.O que se torna preconceito,quero supor, é ignorar a nossa sintomática de ignorâncias, e que é gigantesca.Reúne diversos elementos.Desses que marcaram,pois fixados outrora.E outrora pode ser também agora.
O que faz ignorar essa rede gigante está sob a tutela daquilo que se reconhece enquanto recalque,ou seja, uma operação que afasta certas formações do nosso ponto forte em poder focalizar mais intensamente qualquer coisa,qualquer fato,qualquer qualquer,enfim,qualquer um que haja.Isso se chama ter consciência sobre algo.
Caso contrário, produzimos mais e mais preconceitos.
São muitos achismos,opiniões.Sobre quase tudo.É impressionante que os diálogos e/ou interlocuções estejam se tornando quase que impossíveis.Mas é mentira,pois a impossibilidade que há de fato é coisa feita para gente grande.
Não é por outra razão que há tanta gente preocupadíssima com a saúde dos animais.Não estão suportando o quê? O próprio auto-retrato? E tem que ser assim mesmo...Com toda essa redundância do próprio auto -retrato.
Adoro os animaizinhos.Acho uma sacanagem,perversão mesmo, tratá-los com maldades e crueldades.E lá estamos aqui achando coisas sobre outras espécies também. É que talvez haja um tipo de gente - gente?- que nem para criar bicho inferior sirva.
Claro que também há a comodidade-covarde em tratar mal aquele de quem se supõe fidelidade eterna.Até porque certos bichinhos não sabem dizer não!Morder não quer dizer isso não!Pode ser o contrário.
E existem também aqueles outros - nós mesmos- que estendem essa arrogância aos pares,ditos humanos. Parece que se garantem pelo querer próprio.E olha o próprio aí de novo...E esse próprio está mais para aluguel.E nem mesmo o aluguel nos dá a estabilidade do outrora-agora.Virou moeda especulativa em terras futurísticas.Países emergentes,"new richies".
Creêm que podem predizer os passos de amanhã também.Não somente os que pretende dar,mas os dos que estão ao lado.No prédio em frente, no elevador apertado,na cama do inverno,na mesa que se brinda,no espetáculo que nos regozija,na tal família que mudou de cara e ninguém quer ver.Isso é mítico.Ou seria o tal do amor?
Vejamos o drama das insituições escolares.Aquele fluxograma e aquele formato clássico na disposição de quase tudo, e que não atende mais à demanda com quem se pretende dialogar.Escola é lugar de transmissão de saberes.Infelizmente,reduzem os saberes às tais disciplinas.E aí excluem um bocado de competências e saberes outros.Certamente, conhecimentos tão úteis para a vida que se pretende prosseguir @.com.
O pensador radicado na França,mas Tunisiano de nascimento, Pierre Lévy ,tem um ótimo livro denominado 'As árvores de conhecimento'.Deveria ser adotado em todos os lugares enquanto exercício a ser ,não somente pensado, mas posto em funcionamento.
Lembro que tentamos,certa vez,na nossa instiuição.Funcionou e depois dissipou-se.Sabe com é....Não há tanto tempo,já que ele continua pra frente.Somos tão bacanas...Só não sabemos cozinhar direito,caçar, trepar....até em árvores e seus outros conhecimentos.E como nos ensina Magno,o que não é da ordem do conhecimento?
Algumas instituições de ensino então resolvem democratizar as coisas.O que é falso ,pois há hierarquia,muitas vezes pouco democráticas,existe polícia e será convocada,se preciso for.Fora a catequese que está à espreita para o bote derradeiro. Então que se faça o jogo com as regras nítidas!Caso contrário,não se pode reclamar que o jogador sacaneou,visto que a sacanagem - referência clínica para quem está vivo- não foi pedagogicamente bem apresentada.
Será tão difícil enunciar que : "Aqui existem protocolos bem específicos para fazermos ,quem sabe,o mínimo.Senão ,está fora!" ?
É difícil. Somos poucos os que suportam a irreversibilidade de um 'Nunca Mais'.
Tal qual o desaparecimento daquele ou daquela;daquele dia,daquele evento...
Imaginem então a pérola: "Temos que flexibilizar ,pois vocês são importantíssimos para a nossa instituição"!
Primeiro: flexibilizar - postura do futuro-presente- não é sinônimo de esculhambar.Segundo: só se será valorizado ,pois foi compultado na mente, o risco da perda.Ainda mais se houver no horizonte o axioma traduzido pela língua enquanto - não somente significado,semântica- mas enquanto movimento de ... ' Nunca Mais'.É uma língua que diz sobre uma descontinuidade radical.
Descontinua para continuar em movimento,em celebrações,em 'bloguiadices de bloguiadeiros',etc.Eterno retorno das maravilhas e tolices.
Nosso prezado filósofo ,o Sr.Nietzsche, estava certíssimo. E Pessoa alguma parece não ter conseguido escutar aquele piano sem teclados que ele insistia em acariciar , na sua reta final.Dizem que estava doidinho.Talvez mais lúcido do que quem proferiu essas internações.E quem foi? Nós mesmos. E não se pode retrirar da reta impunemente.Só pelo fato de que muitos lá não estavam.
Cinquenta anos do Zé do Burro.Não era somente adjetivação,e sim substantivo.Dias Gomes ,seu autor, pagou caro a sua promessa. Ganhou Cannes,mas o ódio de certas autarquias.Dias morreu ,num estúpido e patético acidente de carro,faz 13 anos.Tinha setenta e sete anos e escreveu um Brasil com menos de 40 anos de idade.
O Pagador de Promessas é o nosso filme mais premiado.Zé do Burro é o Burro mais comovente dentre todos os galãs.
Noventa anos de Dias,centenário de Jorge ,mais que amado, centenário de Nelson,O Rodrigues.
Celebrações. Autores que driblam à maneira maneirista de Garrincha pra Pelé.Esse adversário inarredável codinome Nunca Mais.
terça-feira, 1 de maio de 2012
errata 2
O erro ,espístolas ,da carta enviada-desviada,texto ,agora pouco mais abaixo,já foi corrigido.TeCNOLOGIAS,FOREVER!
errata
E no final,da carta enviada,texto abaixo, a digitação me pregou uma nova peça.Onde se lê espístolas,deve ser EPÍSTOLAS.Até aprendi.
A carta desviada.
A tecnologia mudou para sempre - e o para sempre se deve ao fato de que a nossa presença temporal é curta ,apesar de eterna- as vinculações entre os chamados humanos.
Parece-me um caminho sem volta.
Isso que está sendo escrito ,por exemplo,pode ter um alcance inimaginável,do ponto de vista quantitativo e também na rapidez com que o espanto - mediante pretensão e conteúdo- pode emergir.
Sou de um tempo em que havia as cartas de papel,as epístolas proustianamente enviadas por um sistema que percorria os subterrâneos parisienses.Mas isso era Paris,início do século XX .Sonhos para Woody Allen.
Aquele papel de sentimentos nobres e torpes provocava alvoroço por antecipações e atrasos.Não foram raros os momentos em que se desejou os piores destinos às instituições e seus preceptores, pelo desaparecimento daquele envelope com aquele papel dobrado e colado de cuidados.
Em alguns lugares,normalmente em casas com quintais exuberantes ,onde não havia local adequado a abrigar as cartas do mundo todo,o maratonista vestido de amarelo e sua sacola azul ,fiel escudeira, desafiavam animais domésticos - adoráveis cãezinhos - e suas mandíbulas, determinanadas a manter a fama de uma lealdade ,inquestionável pelo cinismo ou cãonismo - Diógenes a uivar em tonéis greco-alexandrinos- de seus donos.
Recorda-se de uma madrinha que ,em estilo mais que proustiano, escrevia por todos os lados e margens da folha, até a mesma dizer basta!Não percebes que não há mais espaço e que aquela história passa a não fazer mais sentido algum.Já não juntas mais o sujeito com aquele predicado.... e tem aquele verbo também.
' O nosso cão foi ao parque'. O cão foi ao parque.O sujeito é o cão.E esse é modesto,pois num período recente da história do Brasil-querido, um certo cão andou frequentando exibições palacianas em sessões de cinema.
Parece que fez críticas bem pertinentes.Logo, o cão foi ao cinema e fez sua parte enquanto espectador. O Sujeito entre o significante cão e toda a significação, que compõe a crítica à película inconteste , é o espectador pertinente com as quatro patinhas. Bacana. Vivendo e desaprendendo.
Houve aquele dia ,porém, em que alguém seduziu o outro ,na verdade seduziu a si mesmo,enviando uma carta chamada de erotismo. A carta, segundo uma prezadíssima e querida colega,deveria conter lascívia nas tintas da caneta.Não havia impressões por computadores,nessas horas .Esse binarismo que nos aproxima.
Foi pessoalmente, a enviada, entregar ao seduzido - as mulheres costumam escolher quem irá escolhê-las- a tal lascívia,ou melhor, a tal carta.
Parou o carro no meio da rua,alheia aos xingamentos provenientes dos carros que aguardavam ,curiosos,no engarrafamento colossal que se formara.
O funcionário,diz-se porteiro-futrica,correu lépido a pegar o envelope que tremia de tesão.
Tinha nome- o futrica- de cidade satélite da capital brasileira.Acolá no Planalto perdido.
Sumiu com a correspondência....Dias se passaram e a angustiada de Ipanema sem resposta por vir, a roer algumas francesinhas das mãos, vociferando contra o seduzido ,no mínimo,negligente.
Esperou.Compartilhou e confabulou com amigas sobre os passos seguintes.Xingava baixinho: 'Esnobe,negligente,pedante.Como ousas não corresponder àquela erótica toda'?
Certa manhã,bem cedinho, sabendo que o seduzido mantinha romance duradouro com a cama,telefonou-lhe.
Do lado de cá,ou melhor,de lá ,voz rouca de quem está bêbado sem beber, o rapaz incrédulo, ou seja,- negligente + 'BlASÉ',garantia-lhe que nunca recebera tão honrosa missiva.
Silêncio.Perplexidade.Agora,quem estava incrédula era a sedura de todos os bairros.
Teria o futrica,funcionário prestativo do edifício,lido e por alguma dessas vicissitudes do haver , inveja ou até o seu primo mais nocivo,o ressentimento, interrompido o fluxo daquele tesão intenso?Tesão metaforizado sob a forma de uma missiva entre jovens e seus hormônios agitados?
Mistério.....
Semanas se foram e o fato ocorrido emergiu.
Homônimos podem ser perigosos.Se você é o José do apt x e há um José ,obviamente outro,residente no apt x2,você deve contar com o esmero, e não ressentimento,de um futrica mais atento.Ele pode ,conscientemente sacãna ou não, atrapalhar tudo: entregar o seu tesão para o seduzido errado.Logo ali.No andar de cima.
O tesão era tanto que subiu um andar a mais.
Hoje ,o risco ainda há.Vai que se digita o endereço eletrônico do andar de baixo?
Sem perder o sinal da conexão, a sedutora, em seus múltiplos encantos, propôs ao reativo-blasé um encontro presencial,a fim de construir ,descontruindo certos equívocos com futricas.
Mas aí,virou uma outra história.Uma outra epístola. A caminho,quase sempre,incerto.
Parece-me um caminho sem volta.
Isso que está sendo escrito ,por exemplo,pode ter um alcance inimaginável,do ponto de vista quantitativo e também na rapidez com que o espanto - mediante pretensão e conteúdo- pode emergir.
Sou de um tempo em que havia as cartas de papel,as epístolas proustianamente enviadas por um sistema que percorria os subterrâneos parisienses.Mas isso era Paris,início do século XX .Sonhos para Woody Allen.
Aquele papel de sentimentos nobres e torpes provocava alvoroço por antecipações e atrasos.Não foram raros os momentos em que se desejou os piores destinos às instituições e seus preceptores, pelo desaparecimento daquele envelope com aquele papel dobrado e colado de cuidados.
Em alguns lugares,normalmente em casas com quintais exuberantes ,onde não havia local adequado a abrigar as cartas do mundo todo,o maratonista vestido de amarelo e sua sacola azul ,fiel escudeira, desafiavam animais domésticos - adoráveis cãezinhos - e suas mandíbulas, determinanadas a manter a fama de uma lealdade ,inquestionável pelo cinismo ou cãonismo - Diógenes a uivar em tonéis greco-alexandrinos- de seus donos.
Recorda-se de uma madrinha que ,em estilo mais que proustiano, escrevia por todos os lados e margens da folha, até a mesma dizer basta!Não percebes que não há mais espaço e que aquela história passa a não fazer mais sentido algum.Já não juntas mais o sujeito com aquele predicado.... e tem aquele verbo também.
' O nosso cão foi ao parque'. O cão foi ao parque.O sujeito é o cão.E esse é modesto,pois num período recente da história do Brasil-querido, um certo cão andou frequentando exibições palacianas em sessões de cinema.
Parece que fez críticas bem pertinentes.Logo, o cão foi ao cinema e fez sua parte enquanto espectador. O Sujeito entre o significante cão e toda a significação, que compõe a crítica à película inconteste , é o espectador pertinente com as quatro patinhas. Bacana. Vivendo e desaprendendo.
Houve aquele dia ,porém, em que alguém seduziu o outro ,na verdade seduziu a si mesmo,enviando uma carta chamada de erotismo. A carta, segundo uma prezadíssima e querida colega,deveria conter lascívia nas tintas da caneta.Não havia impressões por computadores,nessas horas .Esse binarismo que nos aproxima.
Foi pessoalmente, a enviada, entregar ao seduzido - as mulheres costumam escolher quem irá escolhê-las- a tal lascívia,ou melhor, a tal carta.
Parou o carro no meio da rua,alheia aos xingamentos provenientes dos carros que aguardavam ,curiosos,no engarrafamento colossal que se formara.
O funcionário,diz-se porteiro-futrica,correu lépido a pegar o envelope que tremia de tesão.
Tinha nome- o futrica- de cidade satélite da capital brasileira.Acolá no Planalto perdido.
Sumiu com a correspondência....Dias se passaram e a angustiada de Ipanema sem resposta por vir, a roer algumas francesinhas das mãos, vociferando contra o seduzido ,no mínimo,negligente.
Esperou.Compartilhou e confabulou com amigas sobre os passos seguintes.Xingava baixinho: 'Esnobe,negligente,pedante.Como ousas não corresponder àquela erótica toda'?
Certa manhã,bem cedinho, sabendo que o seduzido mantinha romance duradouro com a cama,telefonou-lhe.
Do lado de cá,ou melhor,de lá ,voz rouca de quem está bêbado sem beber, o rapaz incrédulo, ou seja,- negligente + 'BlASÉ',garantia-lhe que nunca recebera tão honrosa missiva.
Silêncio.Perplexidade.Agora,quem estava incrédula era a sedura de todos os bairros.
Teria o futrica,funcionário prestativo do edifício,lido e por alguma dessas vicissitudes do haver , inveja ou até o seu primo mais nocivo,o ressentimento, interrompido o fluxo daquele tesão intenso?Tesão metaforizado sob a forma de uma missiva entre jovens e seus hormônios agitados?
Mistério.....
Semanas se foram e o fato ocorrido emergiu.
Homônimos podem ser perigosos.Se você é o José do apt x e há um José ,obviamente outro,residente no apt x2,você deve contar com o esmero, e não ressentimento,de um futrica mais atento.Ele pode ,conscientemente sacãna ou não, atrapalhar tudo: entregar o seu tesão para o seduzido errado.Logo ali.No andar de cima.
O tesão era tanto que subiu um andar a mais.
Hoje ,o risco ainda há.Vai que se digita o endereço eletrônico do andar de baixo?
Sem perder o sinal da conexão, a sedutora, em seus múltiplos encantos, propôs ao reativo-blasé um encontro presencial,a fim de construir ,descontruindo certos equívocos com futricas.
Mas aí,virou uma outra história.Uma outra epístola. A caminho,quase sempre,incerto.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Cordilheiras que se movem.Uma Bailarina e um ladrão.
A bailarina e o ladrão estão em cartaz.Aliás, nunca saíram de moda.
Existem outros nomes ,apelidos,para esses ofícios tão antigos,mas ambos superam os modismos que foram feitos para ser superados.Modismo é para passar de moda.E é uma prova de inteligência,pois produz vida.Faz série.
O único mal dos modismos é que existem muitos a acreditar demais neles.Aí vira vulgata,uniforme,gueto.
Não confundir pois modismos com o fato de Ricardo Darín -ator Argentino que tem sempre a mesma cara e ela é diferente sempre-com modismos.Ele é sim,um tremendo de um ator.Não faz o próprio personagem pensando nos próximos filmes.E lá está Ricardo,já está íntimo,depois de uma dezena de filmes vistos,a trabalhar talentosamente seu novo bandido.Semelhante ao que fizera em 'Nueve Reynas',uma década atrás.
Semelhante e completamente diferente.Esse de agora tem uma grande dose de humanidade.
É bandido bom ,ou seja, bandido que rouba bandido.Um Robin Hood portenho e que não é brega e nem tampouco moralista.
Não que bandido ruim não tenha tudo isso,mas é que de bandido ruim o cansaço nos enfadonha.
Ele sai da cadeia,após temporada breve,isto é ,eterna, e é saudado e temido.Está no Chile cujo cenário são aquelas pinturas:cordilheiras,seu retrato.
O Chile se faz misterioso.Suas pessoas fazem charme com esse enigmático no ar.
Não se vê terno amarrotado e nem sorriso desbotado,já que há pouco de sorriso.Parecem muitas vezes saídos de um abalo sísmico.Elegantes,contudo.Tristes também.Existem marcas sofridas.Existe muito ressentimento mal tratado.
Um dos grandes assassinos do século XX foi de lá seu Presidente.Por uma eternidade.
Na América do Sul,assim como na Central, em terras Africanas,no Oriente Médio,em vários cantos,vagabundos desse naipe fizeram história sórdida e fortuna.Independente se eram canhotos ou destros.E à revelia,as cordilheiras se movem.....
Tem puta,corrupção,dança,miséria,riqueza,cinismo,beleza,soldado e general, cafetão ,criança chata ,mulher perdida e que se encontra ( ela queria poder.Mulher inteligente) ,moça que pensa que não fala,marido com pinta de corno e até um alazão.
O alazão se reencontra com uma antiga paixão.Uma paixão humana.A puta se apaixona pelo não cliente.Esse não cliente é sábio.A puta entendeu.Ela tem ofício mais antigo.
São essas expressões ditas humanas que compõem o roteiro desse belo filme.
Dr.Freud gostaria de assisti-lo.Sigmund,seu nome primeiro, adorava perambular por Roma,pois ali testemunhava o inconsciente operando entre formações ditas modernas e o Coliseu,o Fórum Romano....
O filme não tem abomináveis "Happy Ends" para alavancar bilheterias rentáveis e talvez por isso equivoque,surpreenda.Ninguém tem pena,esconderijo meio cínico do ódio,da mocinha-protagonista que sofre.Uma ótima jovem atriz.
As cordilheiras estão nuas e cobertas de gelo.Parecem não sentir frio.
Elas se movem.Junto com o alazão e toda essa sobra. E é coisa à beça.
Existem outros nomes ,apelidos,para esses ofícios tão antigos,mas ambos superam os modismos que foram feitos para ser superados.Modismo é para passar de moda.E é uma prova de inteligência,pois produz vida.Faz série.
O único mal dos modismos é que existem muitos a acreditar demais neles.Aí vira vulgata,uniforme,gueto.
Não confundir pois modismos com o fato de Ricardo Darín -ator Argentino que tem sempre a mesma cara e ela é diferente sempre-com modismos.Ele é sim,um tremendo de um ator.Não faz o próprio personagem pensando nos próximos filmes.E lá está Ricardo,já está íntimo,depois de uma dezena de filmes vistos,a trabalhar talentosamente seu novo bandido.Semelhante ao que fizera em 'Nueve Reynas',uma década atrás.
Semelhante e completamente diferente.Esse de agora tem uma grande dose de humanidade.
É bandido bom ,ou seja, bandido que rouba bandido.Um Robin Hood portenho e que não é brega e nem tampouco moralista.
Não que bandido ruim não tenha tudo isso,mas é que de bandido ruim o cansaço nos enfadonha.
Ele sai da cadeia,após temporada breve,isto é ,eterna, e é saudado e temido.Está no Chile cujo cenário são aquelas pinturas:cordilheiras,seu retrato.
O Chile se faz misterioso.Suas pessoas fazem charme com esse enigmático no ar.
Não se vê terno amarrotado e nem sorriso desbotado,já que há pouco de sorriso.Parecem muitas vezes saídos de um abalo sísmico.Elegantes,contudo.Tristes também.Existem marcas sofridas.Existe muito ressentimento mal tratado.
Um dos grandes assassinos do século XX foi de lá seu Presidente.Por uma eternidade.
Na América do Sul,assim como na Central, em terras Africanas,no Oriente Médio,em vários cantos,vagabundos desse naipe fizeram história sórdida e fortuna.Independente se eram canhotos ou destros.E à revelia,as cordilheiras se movem.....
Tem puta,corrupção,dança,miséria,riqueza,cinismo,beleza,soldado e general, cafetão ,criança chata ,mulher perdida e que se encontra ( ela queria poder.Mulher inteligente) ,moça que pensa que não fala,marido com pinta de corno e até um alazão.
O alazão se reencontra com uma antiga paixão.Uma paixão humana.A puta se apaixona pelo não cliente.Esse não cliente é sábio.A puta entendeu.Ela tem ofício mais antigo.
São essas expressões ditas humanas que compõem o roteiro desse belo filme.
Dr.Freud gostaria de assisti-lo.Sigmund,seu nome primeiro, adorava perambular por Roma,pois ali testemunhava o inconsciente operando entre formações ditas modernas e o Coliseu,o Fórum Romano....
O filme não tem abomináveis "Happy Ends" para alavancar bilheterias rentáveis e talvez por isso equivoque,surpreenda.Ninguém tem pena,esconderijo meio cínico do ódio,da mocinha-protagonista que sofre.Uma ótima jovem atriz.
As cordilheiras estão nuas e cobertas de gelo.Parecem não sentir frio.
Elas se movem.Junto com o alazão e toda essa sobra. E é coisa à beça.
domingo, 1 de abril de 2012
Millorianas....de Fernandes
Não consigo reproduzir sensações ou experiências que foram atravessadas na vida,a não ser num relato pós- evento e editado por certo.
Uma das feridas narcísicas que a invenção do Dr.Freud nos trouxe - essa tal de Psicanálise- foi a de que estamos condenados ao atraso.Sua ideia de um só depois ,ou seja, de que a significação a ser dada ,para o que quer que haja, emergirá sempre depois, evidencia-nos uma impotência irreversível.E esse depois possui as suas gradações, ressaltando a importância do 'a cada caso' e do 'a cada situação'.
Existem criaturas mais reativas que outras.Ontem mesmo, peguei-me em delito de ansiedade: uma colega falava e uma suposta ideia - pretensão juvenil de aquilo fosse alguma ideia- caiu-me,emergiu,brotou na face.Percebi o fato ,após o brotar na face.Já tinha florescido e por pouco não atrapalhei a prezada colega,visto que desejava falar-lhe algo que julgava ser fundamental para mim.Quase a atropelei com algumas tolices astutas que calara antes.Aguardei.Aguardei um pouco mais.Aquilo foi eterno.Contudo,era necessário esperar.Faz parte de um exercício mínimo de quem tenta estabelecer uma conversa mínima.E pode ser ainda mais grave se o seu interlocutor/a em questão estiver lhe dizendo algo que lhe seja desagradável ou que contrarie seu ponto de vista,sua visão de mundo,suas convicções.Na mesma hora,pinta o cãozinho que nos habita.O cãozinho racista,fundamentalista,preconceituoso que escondemos das visitas pouco íntimas.
É aí que aparece a imagem de um grande brasileiro,morto há poucos dias: Millôr Fernandes.
Enquanto digito seu nome,um corretor ortográfico indica estranheza com relação ao Millôr .Nada mais normal já que corretores ortográficos binários não estão preparados para grandezas maiores,para essas figuras que se portam além da mera combinatória entre oposições,por conseguinte,da chamada criatividade.
São personagens que criam ( criação é algo bem maior que a mistura de elementos disponíveis e a sua possível combinatória) e inauguram novas formações,novos discursos.
Millôr nasceu Milton. O moço do cartório que fez o registro errou, ou a caligrafia estava confusa ,e ele lhe sapecou dois L ao invés de um único T.
Não houve maior alarde dentre os seus familiares por causa do equívoco.Aceitaram de prontidão o novo e raro nome.Pareciam antever preciosidades.
Nascera no Méier ,tradicional bairro da Zona Norte carioca. Ainda bebê,perdera o pai..Aos 10 anos ,despede-se da mãe.Fica órfão e a pobreza financeira lhe atinge.Passa a viver num quartinho ,nos fundos da casa de uma tia.Tia que lhe fora cara por toda a vida.Tem um irmão -não sei se teve outros - que se faz jornalista importante.Um dos principais do país.
Inicia trabalho ainda bem jovem e pagava para estudar com as economias que fazia.Retornava do trabalho e às vezes deparava-se com uma sardinha que o aguardava no forno de um fogão ,da casa da tia.Ela não se esquecia dele. E ele nunca se esqueceu desse fato. Foi muito pobre,quase miserável.Passara fome,antes da sardinha.
Estudou jornalismo e foi um dos mentores do Pasquim.Periódico fundamental para inteligência tupi-guarani ,sobretudo em tempos de gorilas com arcos e tanques e bolas e choques a tirar toda a nossa energia.Justo a energia daqueles cujo talento fazem esse planetinha azul girar e rodar.
Foi tradutor,escritor,ensaísta,enfim,um cara pensante e sem temores idiotas,apesar de reconhecer a idiotice nossa diária. Millôr foi talvez o maior filósofo brasileiro.Um dos seus maiores amigos, o cartunista Ziraldo,afirma isso com convicção.
Mudou -se para nossa pátria comum,Ipanema, e se fez notório.Inventou também aquele jogo ,maravilhoso para quem o pratica e terrível para quem passivamente o assiste e leva uma bola perdida no rosto, o frescobol.
Enquanto tradutor,é considerado,em versão brasileira, o maior de todos em termos de To be or not To be.Aquele toque a menos de Shakespeare,pois a língua dele não alcança a dimensão do Haver ou não Haver,essa sim a nossa questão fundamental.O que há deseja o que não há e continua desejando esse sumiço.Sumiço de Nirvana,mas continuando a desejá-lo.....o tal sumiço.
Li a sua versão para Hamlet e fui insone para o colégio.Passei a noite ,feito as obsessões paranóicas do seu protagonista, a deliciar páginas Millorianas.
Cutucava Freud e a psicanálise,não para destituí-la ,mas para provocá-la.Era um polemista genial.
Numa dessas, acredito que a protagonista-entrevistadora não entendeu,ele afirma a sua decepção com a historia da humanidade.'Um vexame.Veja esse século XX ,por exemplo!'
A apresentadora ,nascida no século citado e supondo-se uma maravilha televisiva,não gostou.Sua vaidade fora atingida em cheio.Não conseguiu mais entrevistá-lo.Ele era muito grande para o caminhãozinho daquela jovem senhora.
Millôr -Milton era pouco ou nada reativo.Botava o rosto para apanhar e bater.Incluía-se na porcentagem de idiotices que enxergava à frente.E era sábio.Tinha humor refinado.Era um cara corajoso e sofisticado na sua simplicidade.
Fui vizinho de Millôr,vizinho de bairro.Encontrei-o algumas vezes.Ele passeava.
Sua mente era ágil.Creio que Millôr tinha um tempo para significações,para tomar ciência das coisas bem mais rapidinho que a maioria de nós.Sacanagens de um demiurgo elitista?
'OH,Senhor!Dá-me um pouco de Millorices cognitivas!Sejas gentil para com os incautos!'
Ele foi um desses que se tornam contemporâneos do seu tempo.Portanto,eles são capazes de enxergar e escutar o óbvio.
Na verdade,invejava-o.Queria ser um pouco Millôr-Milton.
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