La hinchada argentina é incomparável. E querem uma final com eles. Boleiro de verdade não quer. Recordo João Saldanha em sua última copa quando respondia ao narrador Paulo Stein , hoje na Sport TV e ainda tricolor, avisado por ele que faríamos a primeira partida eliminatória contra a Argentina. Eram as oitavas de final da Copa de 1990, no gramado em forma de bota. Itália, seu pouso. Saldanha, O valentão, dizia: ' Não temos como evitar essa desgraça'? Profético. Morreu antes. Seu coração lhe poupou o sacrifício de mais uma agonia lazaronica, lazarenta.
O país confundia o técnico Sebastião Lazaroni- cria do meu falido clube- e o jogador Dunga como sendo protagonistas do confisco da grana- roubaram até a poupança dos velhinhos- ocorrido alguns meses antes de Copa pelo governo Collor. Fez uma primeira fase, canarinhos, só com vitórias. A vizinha perdeu de cara para Camarões. Diego, para os íntimos e Maradona para nosotros, estava lá. Foram sacaneados. Algumas semanas depois, eliminavam a Itália em Roma. Diego- tornei-me íntimo agora- jogou no ventilador que o Sul da Itália- ele criou uma esquadra que não havia chamada Nápoles- era discriminada pelo Centro- Norte do País da bota. Fez seu gol de placa. Criou uma confusão dos diabos na Itália. São catimbeiros como ninguém. Chegaram à decisão. Perderam, mas deixaram o resto de sangue das Malvinas naquele Coliseu romano.
Portanto, se a desgraça não puder ser evitada que ao menos a humilhação nas arquibancadas- que acontecerá- seja mitigada. Mudar um pouco o abominável e mentiroso refrão ( como diz o poeta e amigo Marcelo Henrique Marques de Souza " esse souvenir de estações travestido de patriotismo") , "Com muito orgulho...e certo horror", por algo mais maneirista, ou seja, mais brazuca, mais Rodriguiano, Magniniano, Caetânico e Roseado de Guimarães com seus Machados nos pés. Um Jobim Brasileiro.
Duvido que A Fifa se meta com eles. Transformar a Caixa de Bombons mais famosa e mais ensurdecedora, por exemplo, num conglomerado de Arteplex para deslumbrados subservientes em vislumbre de meio HD. Cadê que barraram a hinchada! Barraram a nossa. Vuvuzela neles.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Pegadinhas do futebol.
Um jogo entre Japão e Grécia foi feito para derrubar os locutores esportivos. Passando a pelota para Osako ou Kagawa, mas o Grego Papastathopoulos ( cético pirrônico) a atrapalhar. Lembro aqui o episódio que o jornalista Washington Rodrigues, Apolinho, do Rio, viveu e compartilhou conosco.
Jogavam Brasil e Áustria. Um jogo amistoso, ou seja, embromação enfarpelada. No time austríaco havia um jogador cujo nome praticamente só tinha consoantes: Thwschjyrwya ( algo assim). E não é que a figura- que estava no banco de reservas- foi chamado para entrar em campo! Apolinho avisou ao lendário locutor que transmitia o jogo pela Rádio Globo (Waldir Amaral , a quem tive o prazer de escutar suas prosas, ao vivo, no Clube Caiçaras) : "Substituição na Áustria, Waldir".
- Quem vai entrar?- indagou o narrador
-Thwsschynya- xingou Apolinho.
-Quem?-insistiu o dono da voz.
-Sdrtwtplkgfrsdi- tentou novamente- com esse outro algoritmo um pouco mais simples- o rubro-negro jornalista.
Após o terceiro 'QUEM?', Washington, trepidante Apolinho, resolveu a agonia:
- Zé!!! Quem entra no time da Áustria é o ponta-direita ( não existe mais isso no futebol de hoje) ZÉ, Waldir!
Waldir achou ótimo e narrou até o fim aquele jogo entre os ZÉS Cariocas e aquele único Zé que se lambuzava feito menino pelas pontas. E naquela época, o país estava mesmo mais à direita.
Esse Zé específico, conterrâneo de Freud. Quem sabe nascido, há controvérsias, na tropical Salzburg ou na não menos bela Innsbruck.
Jogavam Brasil e Áustria. Um jogo amistoso, ou seja, embromação enfarpelada. No time austríaco havia um jogador cujo nome praticamente só tinha consoantes: Thwschjyrwya ( algo assim). E não é que a figura- que estava no banco de reservas- foi chamado para entrar em campo! Apolinho avisou ao lendário locutor que transmitia o jogo pela Rádio Globo (Waldir Amaral , a quem tive o prazer de escutar suas prosas, ao vivo, no Clube Caiçaras) : "Substituição na Áustria, Waldir".
- Quem vai entrar?- indagou o narrador
-Thwsschynya- xingou Apolinho.
-Quem?-insistiu o dono da voz.
-Sdrtwtplkgfrsdi- tentou novamente- com esse outro algoritmo um pouco mais simples- o rubro-negro jornalista.
Após o terceiro 'QUEM?', Washington, trepidante Apolinho, resolveu a agonia:
- Zé!!! Quem entra no time da Áustria é o ponta-direita ( não existe mais isso no futebol de hoje) ZÉ, Waldir!
Waldir achou ótimo e narrou até o fim aquele jogo entre os ZÉS Cariocas e aquele único Zé que se lambuzava feito menino pelas pontas. E naquela época, o país estava mesmo mais à direita.
Esse Zé específico, conterrâneo de Freud. Quem sabe nascido, há controvérsias, na tropical Salzburg ou na não menos bela Innsbruck.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Nos tempos de Mujica e dos baseados oficiais. Uma figura do Leblon: General Artigas.
Primeiro a rua Igarapava; rua Aperana em seguida e depois sobe-se mais um pouquinho, pois quando o fôlego não lhe fizer mais companhia aproveite o tronco solidário de uma das muitas árvores que ali residem para uma pausa. Pode-se optar pela sobrevivência. Não é necessário, não é preciso. Nenhum tipo de imperativo em jogo diante do alerta que sopra um poeta lusitano. À sua época, navegar era preciso. Numa jangada de saramagos e os novos mundos à vista.
Portugal se constituía de descobrimentos e terremotos. Fizeram pelos mares o que estadunidenses, russos e agora chinos fazem no espaço. Não sucumbira, sua capital lisboeta, quase dois séculos antes, porque um nobre Pombal, um certo marquês, agiu através da frase, quase profecia, e que também fora dita por um alcaide novaiorquino diante do terremoto árabe, torres univitelinas massacradas, ano 2001, em seu próprio território: " Enterremos os mortos e cuidemos dos vivos". Em estados de exceção, precisam-se de atos soberanos. Mas para existir soberania há de se fazer estado, nação de fato. Caso contrário pode não sucumbir mas transformar-se em estado sucupira. Aquela nação dos Odoricos, dos Zecas Endiabrados. Jangada de Dias Gomes.
Perambulando por dentre ruas até navegáveis um pedaço da história brasileira surge. E ela surge através da estranja e sua presença quase onipotente diante dos olhar subserviente de nossa gente. Pelos lados do fim do mundo, parece terminar na Patagônia, o estrangeiro detém um monopólio de saberes. Eles podem pensar. A gente por aqui consente. Se juízo tem. Felizmente, há herói desajuizado. E já houve muitos.
Desde ali, reside também, fazendo companhia aos troncos e tantas árvores, aquela rua daquele general uruguaio que junto com seus aliados paraguaios rebelou-se contra a província de Buenos Aires, contra os mandatários de sua capital, Montevidéu, para se livrar de uma vez por todas e para todos dos seus colonizadores espanhóis. General Artigas, seu posto. Encontra-se com um San Martin festejado e não esquecido. Em alguma esquina da cidade. Artigas ao responder a alguns dos seus inquisidores lembrava-lhes que era possível uma terra com jeito e cara uruguaia. Conseguiu. Estamos no século XIX e ele teve que se exilar por trinta anos, já que fora traído pela própria turma que supunha ser sua também. Foi resgatado por um pintor compatriota ( Juan Manoel Blanes) que teve acesso aos desenhos pintados por quem fora enviado- um espião espanhol- para assassinar o General em seu acampamento, no seu front. Fracassou pois aderiu ao movimento. De fato, martirizou-se pela morte de um soldado, e amigo do militar herói , a quem plantou uma armadilha fatal para não ter a identidade revelada. Quem o matou foram os mesmos portenhos que o enviaram para assassinar Artigas.
Como se vê pouco mudou abaixo das calcinhas do equador.
O quadro pintado, rejeitado algumas vezes na sua versão primeira, tem cópias espalhadas pelo país inteiro. Lá no pequenino e tinhoso Uruguai que se assemelha em dimensões ao Leblon. Bairro onde essas ruas descansam e se exibem em guerra e paz. Alusões ao Tolstói rebelde.
Mormente por um ataque de saudosismo ao antever a ameaça presente do buraco fundo em que mundo algum faz morada. A melancolia analisada, desnuda, por Freud e aquela que Lars Von Trier sonhou em filme recente. ' Tenho pânico de me ver presa nas ferragens'- dizia sempre uma voz saudosa que não se cala. No que lhe foi apontada: ' Você já está nas ferragens. Relaxe.'
Misturam-se sentimentos contrários, opostos que não se fundem, mas que podem formar uma boa piada nova. Um chiste não é condensação de contrários. É uma nova versão com alguns opostos existentes e que se disseram presentes. E poderia ser uma outra. Mundo mundo vasto mundo. Também houve essa de Carlos Drummond. Ele virou para além de autor que não morre uma estátua de bronze que vigia o vai e vem dos andarilhos na calçada famosa do Oceano Copacabana. Postada há alguns poucos quilômetros, direção ao centro, de Artigas e Martín. Sacaneada quase sempre por algum imbecil ressentido por ignorâncias e que insiste em lhe afanar os óculos.
O eterno retorno traz eventos que se sucedem de tempos em tempos. O roteiro parece ser igual mas não é. Algumas repetições por certo são previsíveis e arrefecem - ao menos faz de conta- a desilusão que todo caso a caso, todo imponderável, toda fortuna que chamamos de sorte ou azar, todo o infinito pelo qual se estende a mão na direção do coisa alguma, como numa invocação por salvação. 'Você sempre esteve nas ferragens'. Resta saber como soltar o cinto para continuar saltando bem para dentro. Saltando sobre as pedrinhas lusitanas, da terra do poeta primeiro; dobrando a outra rua, escorando o tronco de mais uma árvore e saudando - continência respeitosa- ao General-Rua que não temeu- sofreu muito.Isso sim- reconhecer que estava desde sempre sozinho e muito bem acompanhado. Ele, as suas referências, as suas ideias, os seus projetos. O país Artigas.
Portugal se constituía de descobrimentos e terremotos. Fizeram pelos mares o que estadunidenses, russos e agora chinos fazem no espaço. Não sucumbira, sua capital lisboeta, quase dois séculos antes, porque um nobre Pombal, um certo marquês, agiu através da frase, quase profecia, e que também fora dita por um alcaide novaiorquino diante do terremoto árabe, torres univitelinas massacradas, ano 2001, em seu próprio território: " Enterremos os mortos e cuidemos dos vivos". Em estados de exceção, precisam-se de atos soberanos. Mas para existir soberania há de se fazer estado, nação de fato. Caso contrário pode não sucumbir mas transformar-se em estado sucupira. Aquela nação dos Odoricos, dos Zecas Endiabrados. Jangada de Dias Gomes.
Perambulando por dentre ruas até navegáveis um pedaço da história brasileira surge. E ela surge através da estranja e sua presença quase onipotente diante dos olhar subserviente de nossa gente. Pelos lados do fim do mundo, parece terminar na Patagônia, o estrangeiro detém um monopólio de saberes. Eles podem pensar. A gente por aqui consente. Se juízo tem. Felizmente, há herói desajuizado. E já houve muitos.
Desde ali, reside também, fazendo companhia aos troncos e tantas árvores, aquela rua daquele general uruguaio que junto com seus aliados paraguaios rebelou-se contra a província de Buenos Aires, contra os mandatários de sua capital, Montevidéu, para se livrar de uma vez por todas e para todos dos seus colonizadores espanhóis. General Artigas, seu posto. Encontra-se com um San Martin festejado e não esquecido. Em alguma esquina da cidade. Artigas ao responder a alguns dos seus inquisidores lembrava-lhes que era possível uma terra com jeito e cara uruguaia. Conseguiu. Estamos no século XIX e ele teve que se exilar por trinta anos, já que fora traído pela própria turma que supunha ser sua também. Foi resgatado por um pintor compatriota ( Juan Manoel Blanes) que teve acesso aos desenhos pintados por quem fora enviado- um espião espanhol- para assassinar o General em seu acampamento, no seu front. Fracassou pois aderiu ao movimento. De fato, martirizou-se pela morte de um soldado, e amigo do militar herói , a quem plantou uma armadilha fatal para não ter a identidade revelada. Quem o matou foram os mesmos portenhos que o enviaram para assassinar Artigas.
Como se vê pouco mudou abaixo das calcinhas do equador.
O quadro pintado, rejeitado algumas vezes na sua versão primeira, tem cópias espalhadas pelo país inteiro. Lá no pequenino e tinhoso Uruguai que se assemelha em dimensões ao Leblon. Bairro onde essas ruas descansam e se exibem em guerra e paz. Alusões ao Tolstói rebelde.
Mormente por um ataque de saudosismo ao antever a ameaça presente do buraco fundo em que mundo algum faz morada. A melancolia analisada, desnuda, por Freud e aquela que Lars Von Trier sonhou em filme recente. ' Tenho pânico de me ver presa nas ferragens'- dizia sempre uma voz saudosa que não se cala. No que lhe foi apontada: ' Você já está nas ferragens. Relaxe.'
Misturam-se sentimentos contrários, opostos que não se fundem, mas que podem formar uma boa piada nova. Um chiste não é condensação de contrários. É uma nova versão com alguns opostos existentes e que se disseram presentes. E poderia ser uma outra. Mundo mundo vasto mundo. Também houve essa de Carlos Drummond. Ele virou para além de autor que não morre uma estátua de bronze que vigia o vai e vem dos andarilhos na calçada famosa do Oceano Copacabana. Postada há alguns poucos quilômetros, direção ao centro, de Artigas e Martín. Sacaneada quase sempre por algum imbecil ressentido por ignorâncias e que insiste em lhe afanar os óculos.
O eterno retorno traz eventos que se sucedem de tempos em tempos. O roteiro parece ser igual mas não é. Algumas repetições por certo são previsíveis e arrefecem - ao menos faz de conta- a desilusão que todo caso a caso, todo imponderável, toda fortuna que chamamos de sorte ou azar, todo o infinito pelo qual se estende a mão na direção do coisa alguma, como numa invocação por salvação. 'Você sempre esteve nas ferragens'. Resta saber como soltar o cinto para continuar saltando bem para dentro. Saltando sobre as pedrinhas lusitanas, da terra do poeta primeiro; dobrando a outra rua, escorando o tronco de mais uma árvore e saudando - continência respeitosa- ao General-Rua que não temeu- sofreu muito.Isso sim- reconhecer que estava desde sempre sozinho e muito bem acompanhado. Ele, as suas referências, as suas ideias, os seus projetos. O país Artigas.
domingo, 25 de maio de 2014
A coluna de Fernando Gabeira no Estadão de ontem, dia 24/05, traz um olhar importante sobre a famigerada Copa Do Mundo. Eu acrescentaria duas coisas:uma é que resolvi crer que nenhum mandatário no país vai faturar ( ou tenha faturado) tanto politicamente quanto àquela que ocupa o palácio candango no momento. Se perder, perde pouco. Mas se ganhar.. Segundo que , há 7 anos, quando houve a escolha do país para sediar a pelada suíça, fui voz apupada ( chamada de pessimista, derrotista) junto com outros muitos sobre o quê poderia acontecer. Gastos, roubalheira, populismo, desfaçatez, mentiras, arbitrariedades apelidadas oportunamente de democráticas e por aí vai. A lista é enorme. É onde o país carnaval faz série, seriação,seriedades...
Faltando pouco mais de duas semanas, não adianta. O estrago já está bem feito. Que ao menos se receba bem e com civilidade os que por aqui se aventuram. É bom saber que não se é otário sozinho. Há otário na estranja, hablando, speaking quelque chose..... Caso contrário será ainda pior. E não será pior para os mesmos que desmandam. Será o sempre pior adivinhem para quem?
A FIFA é uma organização sadomasoquista de primeira. A próxima Copa Suíça será na brisa fresca do Qatar. E por lá, acredito que sheik algum vai se submeter aos sorteios para compra de ingressos para suas odaliscas feministas. Elas se rebelarão. Vão tomar um porre de petróleo divino, safra milenar, de canudinho. A conferir.
Faltando pouco mais de duas semanas, não adianta. O estrago já está bem feito. Que ao menos se receba bem e com civilidade os que por aqui se aventuram. É bom saber que não se é otário sozinho. Há otário na estranja, hablando, speaking quelque chose..... Caso contrário será ainda pior. E não será pior para os mesmos que desmandam. Será o sempre pior adivinhem para quem?
A FIFA é uma organização sadomasoquista de primeira. A próxima Copa Suíça será na brisa fresca do Qatar. E por lá, acredito que sheik algum vai se submeter aos sorteios para compra de ingressos para suas odaliscas feministas. Elas se rebelarão. Vão tomar um porre de petróleo divino, safra milenar, de canudinho. A conferir.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Getúlio, o filme.
Getúlio é um bom filme. Os trabalhos do Toni Ramos e de Drica Moraes são excelentes. O segundo Getúlio viabilizou o JK que veio depois.
Meu avô era getulista de carteira e porretes nas mãos ( Nomeou a última filha de Darcy. O mesmo nome da mulher do Presidente Vargas. A Mulher oficial, é claro). Fez questão de ficar próximo ao caixão do caudilho. Era amigo de Café Filho. Certo dia, no principado do Leblon, avistou no horizonte seu algoz, Carlos Lacerda, caminhando ( ou estaria conspirando?) com alguém a tiracolo. Foram precisos dois outros para segurar o velho que tentava enforcar aquele que faria um ótimo governo na então Guanabara. Seria Governador agora? Eu votaria nele e seria excomungado por vovô. Amores em família.
O ditador - curiosamente pai dos pobres- acertou o peito próprio com uma bala que 'Gregoriamente Fortunou-se' e pegou em cheio as costas de Lacerda. Presidência, Adeus. Melacólico de coturno pode causar grandes estragos.
José Luís Ribeiro, jornalista e cientista político, escreveu aqueles 3 volumes, A Era Vargas. Vale à pena o esforço. Ele foi assessor de campanha de Brizola ( Getulista fervoroso) para presidência na corrida eleitoral de 1989. Depois, obviamente, de retornarem às boas porque Ribeiro havia lhe perguntado no Canal Livre, programa de TV, se era verdadeira a fofoca que se espalhava pela Cidade Maravilha que se o soltassem a sós na Ponte Rio- Niterói, sem Gregórios ou Alcides, era capaz que ele, o governador, seguisse em frente supondo que chegaria a Petrópolis ou Itaipava. Brizola deu-lhe um esculacho ao vivo com seu lenço de pescoço avermelhado. Políticas de Brazilis....Esse ano haverá eleição? Haverá Pasadena? Tem um grupo que diz que não haverá Copa.
Ps: Não tenho certeza ,mas se acordo com o temperamento do ex-governador é bem provável que Ribeiro tenha lhe feito a gracinha depois de 1989. Durante o seu segundo mandato que se iniciou em 1991. Aquela derrota para presidência em 1989 teve o mesmo efeito do tiro de Getúlio.
Carlucho, 05-05-2014.
Meu avô era getulista de carteira e porretes nas mãos ( Nomeou a última filha de Darcy. O mesmo nome da mulher do Presidente Vargas. A Mulher oficial, é claro). Fez questão de ficar próximo ao caixão do caudilho. Era amigo de Café Filho. Certo dia, no principado do Leblon, avistou no horizonte seu algoz, Carlos Lacerda, caminhando ( ou estaria conspirando?) com alguém a tiracolo. Foram precisos dois outros para segurar o velho que tentava enforcar aquele que faria um ótimo governo na então Guanabara. Seria Governador agora? Eu votaria nele e seria excomungado por vovô. Amores em família.
O ditador - curiosamente pai dos pobres- acertou o peito próprio com uma bala que 'Gregoriamente Fortunou-se' e pegou em cheio as costas de Lacerda. Presidência, Adeus. Melacólico de coturno pode causar grandes estragos.
José Luís Ribeiro, jornalista e cientista político, escreveu aqueles 3 volumes, A Era Vargas. Vale à pena o esforço. Ele foi assessor de campanha de Brizola ( Getulista fervoroso) para presidência na corrida eleitoral de 1989. Depois, obviamente, de retornarem às boas porque Ribeiro havia lhe perguntado no Canal Livre, programa de TV, se era verdadeira a fofoca que se espalhava pela Cidade Maravilha que se o soltassem a sós na Ponte Rio- Niterói, sem Gregórios ou Alcides, era capaz que ele, o governador, seguisse em frente supondo que chegaria a Petrópolis ou Itaipava. Brizola deu-lhe um esculacho ao vivo com seu lenço de pescoço avermelhado. Políticas de Brazilis....Esse ano haverá eleição? Haverá Pasadena? Tem um grupo que diz que não haverá Copa.
Ps: Não tenho certeza ,mas se acordo com o temperamento do ex-governador é bem provável que Ribeiro tenha lhe feito a gracinha depois de 1989. Durante o seu segundo mandato que se iniciou em 1991. Aquela derrota para presidência em 1989 teve o mesmo efeito do tiro de Getúlio.
Carlucho, 05-05-2014.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Dir-se-ia que o carro levantou voo em vão.
Dir-se-ia ( olha a mesóclise que tanto irritava Hilda Hilst) que no reino de Rousseff vive um país singular de cinismo contemporâneo. Façamos um grande negócio. Cheguei a sonhá-lo . Comprar por centavo de milhão e revender por bilhão. Segundo um ex-diretor - agora desempregado- o negócio teria sido Real-Men-Te ( Olha o Chacrinha dando pinta) ruim se a refinaria tivesse explodido. Bebo uma cerveja belga para curar a ressaca do chocolate de mesma nacionalidade.
O moço que confessou que torturava mesmo, na comissão da verdade ( filósofos adoram proclamar verdades que não sabem muito bem onde se escondem), apareceu asfixiado com a própria truculência. Colecionava armas. Devia ser paranoia. Método para se sobreviver ao trânsito, à Pollyannas...
Felipão - um Felipe avantajado amigo do Pé Grande ( Pezão) - anunciará com um outdoor bem posto atrás dele e repleto de anúncios empresariais que a camisa da seleção de canarinhos terá a coloração amarela. E se chamará Brasil. Mais anúncios para discorrer sobre a etiologia do seu nome ou sobre o do Pezão. Uma outra entrevista e a psicóloga da seleção ( eu avisei que poderia piorar) bostejando sobre os efeitos emocionais sobre os milionários mancebos do mundo da bola. Uma Universidade patrocina o encontro. Uma bela entrevista onde não se diz coisa alguma. E mais anúncios.
Miro Teixeira parece que se candidata ao Governo do Estado do Rio esse ano. Ao menos tem compostura, educação, apesar de um excessivo fetiche de brizolismos. Mas cada um tem o seu. E que se respeite. Ele saiu do PDT ( ainda há? ) e não adentrou ao meu pequenino PQP. Aliás, o personagem deputado de uma série de humor da Rede Globo ( Pé na Cova) porta um broche com as cores idênticas às do partido do ex-governador. Chama-se PDL. Ficou uma espécie de T de ponta cabeça. Teriam certos governos estado de ponta cabeça, parte do tempo?
Nos anos 80, um filme nacional, cujo nome não lembro, mas que tinha na direção alguém da casa do Jardim Botânico ( ou seria o produtor?), uma cena reaparece. Os bancos na praia do Arpoador apareceram - pós pôr do sol e sem plateia- pichados com as siglas do PDT. A guerra era explícita à época.
Haveria então uma filmagem ali , naquele local. Na véspera, os hoje manifestantes, picharam os bancos todos. O quê fez o diretor? Mudou a cena e jogou um carro, se o Alzheimer não me prega peça, um automóvel Brasília (VW) branco na direção de um dos bancos pichados com as siglas do partido do mandatário caudilho. A história me foi confirmadas há pouco tempo ( suspeitei paranoicamente desse fato durante alguns cem anos solitários) através de um ex-deputado do partido do ex-governador que só pensava em ter a presidência da Res-pública na mesinha de cabeceira. Guerra que se segue.
Gabriel Garcia Márquez era tão esquerdista , e sua solidão centenária marcou minhas leituras, que o melhor crítico literário para ele - em torno da sua obra - foi o uruguaio, Eduardo Galeano. Veias abertas...
Vou torcer para Holanda na Copa. Tenho até camisa retrô alaranjada. Se fosse amarela com tucano de bico aberto, seria daquele outro partido.
Não me levarei a mal e tão a sério. Afinal, suspeita-se que ninguém sai vivo dessa vida. Bom fim de semana. OBS: O quê não disse é que havia um spray de tinta perto da minha saudosa lembrança.
O moço que confessou que torturava mesmo, na comissão da verdade ( filósofos adoram proclamar verdades que não sabem muito bem onde se escondem), apareceu asfixiado com a própria truculência. Colecionava armas. Devia ser paranoia. Método para se sobreviver ao trânsito, à Pollyannas...
Felipão - um Felipe avantajado amigo do Pé Grande ( Pezão) - anunciará com um outdoor bem posto atrás dele e repleto de anúncios empresariais que a camisa da seleção de canarinhos terá a coloração amarela. E se chamará Brasil. Mais anúncios para discorrer sobre a etiologia do seu nome ou sobre o do Pezão. Uma outra entrevista e a psicóloga da seleção ( eu avisei que poderia piorar) bostejando sobre os efeitos emocionais sobre os milionários mancebos do mundo da bola. Uma Universidade patrocina o encontro. Uma bela entrevista onde não se diz coisa alguma. E mais anúncios.
Miro Teixeira parece que se candidata ao Governo do Estado do Rio esse ano. Ao menos tem compostura, educação, apesar de um excessivo fetiche de brizolismos. Mas cada um tem o seu. E que se respeite. Ele saiu do PDT ( ainda há? ) e não adentrou ao meu pequenino PQP. Aliás, o personagem deputado de uma série de humor da Rede Globo ( Pé na Cova) porta um broche com as cores idênticas às do partido do ex-governador. Chama-se PDL. Ficou uma espécie de T de ponta cabeça. Teriam certos governos estado de ponta cabeça, parte do tempo?
Nos anos 80, um filme nacional, cujo nome não lembro, mas que tinha na direção alguém da casa do Jardim Botânico ( ou seria o produtor?), uma cena reaparece. Os bancos na praia do Arpoador apareceram - pós pôr do sol e sem plateia- pichados com as siglas do PDT. A guerra era explícita à época.
Haveria então uma filmagem ali , naquele local. Na véspera, os hoje manifestantes, picharam os bancos todos. O quê fez o diretor? Mudou a cena e jogou um carro, se o Alzheimer não me prega peça, um automóvel Brasília (VW) branco na direção de um dos bancos pichados com as siglas do partido do mandatário caudilho. A história me foi confirmadas há pouco tempo ( suspeitei paranoicamente desse fato durante alguns cem anos solitários) através de um ex-deputado do partido do ex-governador que só pensava em ter a presidência da Res-pública na mesinha de cabeceira. Guerra que se segue.
Gabriel Garcia Márquez era tão esquerdista , e sua solidão centenária marcou minhas leituras, que o melhor crítico literário para ele - em torno da sua obra - foi o uruguaio, Eduardo Galeano. Veias abertas...
Vou torcer para Holanda na Copa. Tenho até camisa retrô alaranjada. Se fosse amarela com tucano de bico aberto, seria daquele outro partido.
Não me levarei a mal e tão a sério. Afinal, suspeita-se que ninguém sai vivo dessa vida. Bom fim de semana. OBS: O quê não disse é que havia um spray de tinta perto da minha saudosa lembrança.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Passa por lá! Qual é mesmo a sua linha?
Dois jovens estão sentados, depois de uma busca corajosa, nos seus assentos reservados para outrem. Cabe esclarecimento: não se respeita o número do assento. É mais um faz de conta na conta da falta de civilidade.
Estamos na versão moderninha do mais famoso coliseu carioca. Os assentos do lado contrário às cabines onde certas vozes e seus rostos imaginários narravam ilusões sob forma de uma pelada de futebol, ressoam historinhas. Aos poucos, movimento bem estudado mediante uma multidão ao redor, decidem se levantar acompanhando assim a turba que se agita feito um animal de entusiasmos. Gritos, canções com idiotias ultra referenciadas a eles mesmos, tumulto, bandalha.... Não há escapatória. Condenados, resta-lhes somente estar ali e jogar junto. Ao menos fingir que compartilham daquilo que mais se parece com uma ataque histérico, uma catarse, um mal-dito surto desenhado de rotinas . Mal-dito porque se bem-dito fosse talvez os fizessem falar melhor essa canção composta, sobretudo, de surdez e confusão.
O rapaz nesse caso, havia uma moça enamorada com ele, carrega no peito um brasão. Pode-se ver um retrato, lembra uma pintura. Florescendo a fisionomia de um macho brabo; pouco riso e nenhuma leveza. Leveza não é coisa para macho brabo, segundo algumas ceitas. Acompanha-lhe, pintado de tinta escura, umas letrinhas espanholas. A memória passeando pelos fatos e claudica o suficiente para que se registre que não haverá 'recuerdo' do que ali se rezava. Era um homem de barba.Um homem egrégio, célebre. Teve até pedaços de suas andanças eternizadas em filme internacional. Ele e uma motocicleta. E ela, a motocicleta, trafegava pelo continente abaixo da linha do equador, espalhando - além do estampido histriônico que saltava dos seus escapes-, outras ilusões. Não iguais àquelas das peladas e seus casais testemunhas. Nesse caso específico, cordilheiras a testemunhar pretensas 'revoluções'. Palavra tão antiga, revolução. Retorna sempre ao mesmo lugar feito um Leopardo à Visconti. E o planetinha, uma poeria estrelar, com o seu caminhar anual. Seriam todos heróis? Feito de falações, baionetes e quadrinhos? Já dizia Brecht, O Bertold, que uma nação estaria mais empobrecida quanto mais a cata ficasse de heróis. Talvez não dos heróis para valer, podemos crer. Ao pé das letrinhas do alfabeto que se dispõem. Mas pode-se supor que o pensante alemão se reportava a esses heróis fajutos e cujo traço mais destacável é uma incurável falta de noção do próprio sintoma-fantasia. Não se pode ser tão bonzinho, politicamente correto, e pertencer a essa espécie esquisita. Caso contrário, o inconsciente freudiano- que não responde por adjetivações às chamadas de bancas escolares- mas sim por substantivos, não haveria. Trata-se de uma formação estrutural. Aqueles que ousaram e ousam reverter a mediocridade, na qual o destino reserva nossa habitual morada, consistem na produção de um teatro efetivo. Uma prosa brechtiana reluz nas sombras, por exemplo. Galileu Galilei foi um dos seus eleitos. A torre de Pisa é uma formação enebriada por efeitos galileanos. Não tomba e ele há de explicar. Era sua terra natal. E a sua obra e destemor invadiram o nosso mundo para sempre. Seu olhar luneta. Se esse italiano-heroico- acrescido pelo relato-poético brechtiano-, fosse nascido em terras tropicais canarinhas seria posto como malfadado ser por seus patrícios. Xingariam-no de megalomaníaco - sem ao menos prestar a atenção necessária ao termo e seu sentido-, de maluco, pretensioso e outros tantos adjetivos. Ah! Tem aquele outro: arrogante. E se o fulano/fulana der conta daquilo que se arroga? Inquisição nele, oras!
Uh! É um dos ruídos estranhos, uma espécie de êxtase tribal, que a fanfarronice que envolve artistas com a pelota nos pés e os gozadores escópicos - espectadores amalucados- emitem quando um quase gozo se avizinhou. O mais interessante é que a moça enamorada do moço antigo ( uma policial que, assistia a menos nobre das batalhas com um porrete à postos, dizia que a moça- penteado teria lhe dito sobre o seu envolvimento com um elemento secreto, uma formação ainda mais antiga, quase jurássica, proclamada de platônico ser e que contava, de acordo com o borderô que contabiliza a grana que se perdeu no estádio-ex.coliseu, com uns 10 mil anos pelo menos), parecia não estar nem um pouco interessada no que se passava naquele tapete esverdeado. O único interesse que tinha era tirar fotos e masturbar maquininhas de sua propriedade como num gesto de compaixão cinicamente compaixão, na arena moderninha e cheia de novidades também desinteressadas no espetáculo que se desenrola. Quem sabe não apareço na televisão do mundo? - teria pensado alto no meio do caos. Passa novamente o pente fino na cabeleira de um lado a outro, cruzando a área pequena, driblando o desconcertado zagueiro de cintura dura. Se encostar em minha pessoa, nessa área que não tem fim para Pessoas e nesse assento que era de outrem, o pênalti será marcado.
Vive-se ou não numa sociedade espetacular de exibições e elucubrações as mais disparatadas? O livro clássico de Guy Debord - morto em 1994, justamente o ano em que as camisas canarinho ganharam a América ao Norte, A Sociedade do Espetáculo, merece uma re-visita. Faz-se contemporâneo. E não se faz aqui crítica à vocação - obviamente infantil- de todo e qualquer exibicionismo. Escrever em blog para divulgar em facebook, por exemplo. Parece que é assim mesmo. Não assumir a tal postura e cuidar para que haja o mínimo de consistência, inteligibilidade, no que se apresenta é que anda estragando as peladas todas. Talvez porque estejam muito bem trajadas em seus uniformes cibernéticos. Bola com chip, camisa com software, calção à pendrive. Antigamente, ponta-direita. E se dizia Mané. Apelido, Pelé.
A namoradeira está na janela do estádio gigante. Enquanto se penteia mistura de um tudo e mais um pouco. Vai de Kardec- não dorme no escuro porque passa a ver um jogo de assombrações e almas penadas pernas de pau-, passando para Jesus que na sua vez toca para uma constelação de um zodíaco específico que está na suplência. Falta-lhe a posição exata no mapa imaginário para poder adentar o campo de jogo ao lado de uma multidão de trouxas, quer dizer, iludidos feito a gente. Aproveitando-se- barbaramente- das Nanotecnologias , Teoria das cordas, Cosmologia e outras, invoca saber verdadeiro, científico no mundo, em ano bissexto de formações quânticas. Psicanálise e 'linhas terapêuticas' fazem parte do mesmo esquema traçado para se tentar salvar o time do rebaixamento de postura. O que parece quase impossível.
Qual é a sua linha? Alguém bradou para o técnico sonolento. " 464".- respondeu constrangido, o auxiliar. Mas a linha 435 também passa por lá!- animou-se com o portentoso conhecimento adquirido nos seu anos a bordo de um lotação ou 'busu' , segundo outros lotantes. Mutantes?
Feliz, saiu de mãos dadas com outras mãos. Em frente ao estádio, bebeu uma cerveja gelada. Ela, morena, sorvendo com bastante tesão uma loira gelada. Era a única felicidade que se sentia nas imediações do coliseu entristecido. O time de bola murcha perdera e fora eliminado da competição conhecida como 'International Wild Soccer Competition in South America Way'. E que insistem em traduzir ( trair?) por Libertadores. Liberdade onde? Para quem?
Ao menos para aquela senhorita bem penteada que percebeu , depois da terceira ou quarta dose, que as mãos abraçadas às suas não eram as do então namorado do jogo, agora passado. Aquele?Sim! Um outro mesmo e as mãos semelhantes, diferença na textura, e que carregava a imagem santificada de um personagem ainda famoso, retratado orgulhosamente sob seu peito juvenil. Eram surpreendentemente outras e tão suas essas mãos entrelaçadas, a partir de agora. Pois o que importa é participar, ficar. Estar presente. Dar na pinta. Pouco importa o porquê, o para quê ou sobre o quê. Uma nova forma, pinceladas de velhices ( ninguém escapa da carcaça) de viver.
Estamos na versão moderninha do mais famoso coliseu carioca. Os assentos do lado contrário às cabines onde certas vozes e seus rostos imaginários narravam ilusões sob forma de uma pelada de futebol, ressoam historinhas. Aos poucos, movimento bem estudado mediante uma multidão ao redor, decidem se levantar acompanhando assim a turba que se agita feito um animal de entusiasmos. Gritos, canções com idiotias ultra referenciadas a eles mesmos, tumulto, bandalha.... Não há escapatória. Condenados, resta-lhes somente estar ali e jogar junto. Ao menos fingir que compartilham daquilo que mais se parece com uma ataque histérico, uma catarse, um mal-dito surto desenhado de rotinas . Mal-dito porque se bem-dito fosse talvez os fizessem falar melhor essa canção composta, sobretudo, de surdez e confusão.
O rapaz nesse caso, havia uma moça enamorada com ele, carrega no peito um brasão. Pode-se ver um retrato, lembra uma pintura. Florescendo a fisionomia de um macho brabo; pouco riso e nenhuma leveza. Leveza não é coisa para macho brabo, segundo algumas ceitas. Acompanha-lhe, pintado de tinta escura, umas letrinhas espanholas. A memória passeando pelos fatos e claudica o suficiente para que se registre que não haverá 'recuerdo' do que ali se rezava. Era um homem de barba.Um homem egrégio, célebre. Teve até pedaços de suas andanças eternizadas em filme internacional. Ele e uma motocicleta. E ela, a motocicleta, trafegava pelo continente abaixo da linha do equador, espalhando - além do estampido histriônico que saltava dos seus escapes-, outras ilusões. Não iguais àquelas das peladas e seus casais testemunhas. Nesse caso específico, cordilheiras a testemunhar pretensas 'revoluções'. Palavra tão antiga, revolução. Retorna sempre ao mesmo lugar feito um Leopardo à Visconti. E o planetinha, uma poeria estrelar, com o seu caminhar anual. Seriam todos heróis? Feito de falações, baionetes e quadrinhos? Já dizia Brecht, O Bertold, que uma nação estaria mais empobrecida quanto mais a cata ficasse de heróis. Talvez não dos heróis para valer, podemos crer. Ao pé das letrinhas do alfabeto que se dispõem. Mas pode-se supor que o pensante alemão se reportava a esses heróis fajutos e cujo traço mais destacável é uma incurável falta de noção do próprio sintoma-fantasia. Não se pode ser tão bonzinho, politicamente correto, e pertencer a essa espécie esquisita. Caso contrário, o inconsciente freudiano- que não responde por adjetivações às chamadas de bancas escolares- mas sim por substantivos, não haveria. Trata-se de uma formação estrutural. Aqueles que ousaram e ousam reverter a mediocridade, na qual o destino reserva nossa habitual morada, consistem na produção de um teatro efetivo. Uma prosa brechtiana reluz nas sombras, por exemplo. Galileu Galilei foi um dos seus eleitos. A torre de Pisa é uma formação enebriada por efeitos galileanos. Não tomba e ele há de explicar. Era sua terra natal. E a sua obra e destemor invadiram o nosso mundo para sempre. Seu olhar luneta. Se esse italiano-heroico- acrescido pelo relato-poético brechtiano-, fosse nascido em terras tropicais canarinhas seria posto como malfadado ser por seus patrícios. Xingariam-no de megalomaníaco - sem ao menos prestar a atenção necessária ao termo e seu sentido-, de maluco, pretensioso e outros tantos adjetivos. Ah! Tem aquele outro: arrogante. E se o fulano/fulana der conta daquilo que se arroga? Inquisição nele, oras!
Uh! É um dos ruídos estranhos, uma espécie de êxtase tribal, que a fanfarronice que envolve artistas com a pelota nos pés e os gozadores escópicos - espectadores amalucados- emitem quando um quase gozo se avizinhou. O mais interessante é que a moça enamorada do moço antigo ( uma policial que, assistia a menos nobre das batalhas com um porrete à postos, dizia que a moça- penteado teria lhe dito sobre o seu envolvimento com um elemento secreto, uma formação ainda mais antiga, quase jurássica, proclamada de platônico ser e que contava, de acordo com o borderô que contabiliza a grana que se perdeu no estádio-ex.coliseu, com uns 10 mil anos pelo menos), parecia não estar nem um pouco interessada no que se passava naquele tapete esverdeado. O único interesse que tinha era tirar fotos e masturbar maquininhas de sua propriedade como num gesto de compaixão cinicamente compaixão, na arena moderninha e cheia de novidades também desinteressadas no espetáculo que se desenrola. Quem sabe não apareço na televisão do mundo? - teria pensado alto no meio do caos. Passa novamente o pente fino na cabeleira de um lado a outro, cruzando a área pequena, driblando o desconcertado zagueiro de cintura dura. Se encostar em minha pessoa, nessa área que não tem fim para Pessoas e nesse assento que era de outrem, o pênalti será marcado.
Vive-se ou não numa sociedade espetacular de exibições e elucubrações as mais disparatadas? O livro clássico de Guy Debord - morto em 1994, justamente o ano em que as camisas canarinho ganharam a América ao Norte, A Sociedade do Espetáculo, merece uma re-visita. Faz-se contemporâneo. E não se faz aqui crítica à vocação - obviamente infantil- de todo e qualquer exibicionismo. Escrever em blog para divulgar em facebook, por exemplo. Parece que é assim mesmo. Não assumir a tal postura e cuidar para que haja o mínimo de consistência, inteligibilidade, no que se apresenta é que anda estragando as peladas todas. Talvez porque estejam muito bem trajadas em seus uniformes cibernéticos. Bola com chip, camisa com software, calção à pendrive. Antigamente, ponta-direita. E se dizia Mané. Apelido, Pelé.
A namoradeira está na janela do estádio gigante. Enquanto se penteia mistura de um tudo e mais um pouco. Vai de Kardec- não dorme no escuro porque passa a ver um jogo de assombrações e almas penadas pernas de pau-, passando para Jesus que na sua vez toca para uma constelação de um zodíaco específico que está na suplência. Falta-lhe a posição exata no mapa imaginário para poder adentar o campo de jogo ao lado de uma multidão de trouxas, quer dizer, iludidos feito a gente. Aproveitando-se- barbaramente- das Nanotecnologias , Teoria das cordas, Cosmologia e outras, invoca saber verdadeiro, científico no mundo, em ano bissexto de formações quânticas. Psicanálise e 'linhas terapêuticas' fazem parte do mesmo esquema traçado para se tentar salvar o time do rebaixamento de postura. O que parece quase impossível.
Qual é a sua linha? Alguém bradou para o técnico sonolento. " 464".- respondeu constrangido, o auxiliar. Mas a linha 435 também passa por lá!- animou-se com o portentoso conhecimento adquirido nos seu anos a bordo de um lotação ou 'busu' , segundo outros lotantes. Mutantes?
Feliz, saiu de mãos dadas com outras mãos. Em frente ao estádio, bebeu uma cerveja gelada. Ela, morena, sorvendo com bastante tesão uma loira gelada. Era a única felicidade que se sentia nas imediações do coliseu entristecido. O time de bola murcha perdera e fora eliminado da competição conhecida como 'International Wild Soccer Competition in South America Way'. E que insistem em traduzir ( trair?) por Libertadores. Liberdade onde? Para quem?
Ao menos para aquela senhorita bem penteada que percebeu , depois da terceira ou quarta dose, que as mãos abraçadas às suas não eram as do então namorado do jogo, agora passado. Aquele?Sim! Um outro mesmo e as mãos semelhantes, diferença na textura, e que carregava a imagem santificada de um personagem ainda famoso, retratado orgulhosamente sob seu peito juvenil. Eram surpreendentemente outras e tão suas essas mãos entrelaçadas, a partir de agora. Pois o que importa é participar, ficar. Estar presente. Dar na pinta. Pouco importa o porquê, o para quê ou sobre o quê. Uma nova forma, pinceladas de velhices ( ninguém escapa da carcaça) de viver.
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