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terça-feira, 24 de julho de 2012

D'uma Argentina.

A primeira vez que nos vimos foi há pouco mais de vinte anos.Início da década dos anos 90,fim dos anos 80,de um século passado. Aqui faço uma pequena digressão ao acusar o desconforto que a realidade crua do conceito 'século passado' me proporciona.
Talvez por acreditar -feito tantos ,feito milhões, que o fim do século significaria fim de tudo.Crendice infantil.Infantilismo que custamos a abandonar.
O século passado é muita coisa e quase nada.Nasci por ali e o atravessei para um outro que o desconfigura ,e que o desconfigurará muito mais até o seu fim. Aí sim.Teremos um fim daquilo tudo,daquele conceito que vem junto com o século XX inteirinho. A tecnologia dos homens através das suas próteses engolirão vorazmente vários modos de existência que foram tão preservados por gente do tal século passado.
No século XX também foram desenvolvidas armas poderosas capazes de destruí-lo juntamente com quem      as criou. Apelidaram de cogumelo um oceano de sangue oriental que chamuscava horrores nossos.Tão íntimos que causaram aquele estranhamento esquisito. Igual ao crime do cinema recente,lá nos Estados Unidos da Disney-Metro-Universal,onde o personagem da história mágica para crianças-adulto aparece pessoalmente e faz girar sua metralhadora encantada.Ao fim do espetáculo ,o policial ,apavorado pela verdade,pergunta-lhe em fuga: " Who are you? ( Quem é você?)". E o anti-herói lhe respondeu:  'I'm the joker' ( Eu sou o coringa!).
Nesse século XX ,personagens como esses aterrorizavam nossas pretensões.Sempre se quis o automóvel mágico do herói de voz grossa,ladeado pelas mulheres-gato de então.Mulher-Gato é o cúmulo do pleonasmo! Se virasse coisa de realidade , os homens estariam liquidados para quase sempre.Para quase sempre já que alguma dentre elas - e isso já bastante século passado ,pois passa a excluir alguma coisa em termos de conjunto- entregará o ouro,ou melhor,o 'Batmóvel' aos 'Jokers' não menos redundantes.
Há de tudo isso um pouco na expectativa de se eternizar até mesmo um século inteiro.Pelo fato de que sem a gente presente ele não haveria,fazemos essas ilações.
E assim nos encontramos pela vez primeira ou derradeira - quem poderia supor jamais?- naquele aeroporto com 'olor' de conspiração. Tudo bem que a conspiração era ainda peça imaginada sob influência dos coringas de sempre,mas havia algo no 'aire'..
Era noite adentro e minha mãe fazia companhia. Nunca tinha saído do país Brasil e achava aquilo tudo fascinante e assustador. Não falava aquela língua curiosa - tão próxima em alguns verbetes e substantivos - e tão distante enquanto sonoridade. Aquela língua que tem que ser apontada para o céu da boca, a fim de que consigamos a compreensão necessária dos nossos 'nuevos' interlocutores.
Havia alguém para nos buscar no aeroporto.Era homem enviado por companhia contratada.Até então,e o vício persiste até hoje,sempre há alguém lá fora que fora contratado para nos buscar.Sou filho,neto,irmão,sobrinho de servidores públicos federais que insistem na tal estabilidade. Fiquei viciado por gente que apanha em aeroporto. Gente contratada,diga-se ,pois não quero parente ou amigo por lá.Senão serei obrigado a fazer o mesmo (a tal convenção social dos bons modos) e o aeroporto de minha cidade ,alcunha maravilhosa, transformou-se em local digno de escárnio,chacota,desrespeito.Não gosto nem um pouco de ter que estar ali  a não ser para partir ou partir de volta.Recalque acusado! Tive dois romances com  moças que residiam fora do Rio de Janeiro e o aeroporto era local de despedidas sofridas.Sofria com uma semana de antecedência.Os curiosos das questões relativas ao comportamento dos meninos-meninas chamavam isso de ansiedade. E eu lhes dizia que era uma forma de tesão desviada do tesão que movimentava aquilo tudo.Eles riam da gente."Arroubos de jovens"-classificavam.
De casa dos pais ,afastei-me aos 18 anos.Lembro-me do dia exato e de uma mãe aos prantos como se fosse perda irreversível.Ela era semi-irreversível,mas não perda absoluta. Aeroporto sempre foi sinônimo de saudade,de anteparo para irreversíveis de momento.
Essa senhora que pranteava naquele exato dia -do qual não me esqueço- apresentou-me as Recoletas,os Retiros, os Palermos e suas decantações,o tango e sua melancolia ,a imponência dos seus principais teatros, a soberba do seu mais humilde habitante ( nessa última estada,ocorrida há uma semana tão somente ,o habitante com moedas nas mãos vira-se para mim,plantado que estava diante de uma loja qualquer, e me diz ' Cúanta hipocresía'.), e todo o resto.
Percorreu-se muito desde então.Até os locais onde nos  refugiamos -chamam de Microcentro ,Puerto Madero-,quarteirões enormes são percorridos em largas avenidas -dentre elas a mais larga do mundo e que aniversaria em 9 de Julho- e outras ruas mais modestas.
O classicismo típico - valorizadíssimo por eles ,apesar de Borges- é um dos pontos que nos distingue.O brasileiro é maneirista,desde Camões.Depois vieram os Andrade,Mario e Oswald, Glauber,Guimarães Rosa,Augusto ,Um Anjo,Anísio.......Eles viram coisa barroca quando transam empresarialmente.E assim como aqui ,em terras macunaímicas, sacaneiam -se.Sacaneiam o próprio jeito que deram para reverter brilhantemente impossibilidades locais. O brasileiro faz o mesmo com o que batizou de jeitinho.Confunde flexibilidade,capacidade de suspender juízos e/ou convenções demarcadas,de jogar no aqui e agora da vida,com esculhambação.Nisso somos 'hermanos'. Uma outra diferença que nos marca é que o brasileiro,felizmente,não se leva tão a sério. Eles,'los hermanos', acreditam.
Desde aquela vez nos vimos ,pensei que poderia haver fusão.Depois, entendi que haveria ,aí sim, confusão demasiada.As diferenças que nos atraem são formações afrodisíacas.Temperamento, e esse tempero não se dissolve com qualquer feijoada ou 'chorizo', faz marca quase indelével. A confusão proposital entre as duas línguas oficiais e os seus sintomas indestrutíveis se incluem nessa transa latino-maneira.
E as 'chicas' ? Desafie o seu potencial para paciência: entre  numa loja para meninas -daquelas em que,sobretudo para  recém-enamorados,o infeliz  é torturado por ter que provar seu bem querer ao permanecer, pela eternidade, espremido,humilhado,esnobado por qualquer par de sapato reluzente-, e você presenciará os raios cortantes provenientes dos olhos das moças que vendem às moças que compram.Imagina-se que se por mais que ventura -quase um esporte radical - o tal evento ocorrer nas férias de verão,os modelitos desejados, e que se façam  mais que curtinhos, poderão descarrilar entraves diplomáticos graves.Uma guerra em que Malvina alguma - seja a da Ilha disputada ou a jovem rebelde nascida de um pai  Amado-Jorge  - gostaria de se omitir.
Ainda sobre aquela vez ,e que definitivamente já não sei mais se foi primeira ou agora-anteontem, o vento gélido do rio prateado nos empurrou avenidas e mais avenidas por detrás do 'coche viejo' daquele homem contratado para nos 'saludar'.
Sendo assim ,sempre se sonhará com  um automóvel velho,geralmente de cepa francesa,total século XX, e seu condutor impaciente caloroso,grosseiro de gentilezas, a nos esperar? Será que terei 'cambiado' realmente de século? Virou somente a folhinha do calendário?E o vento será aliado?E o rio? Continua rio.

terça-feira, 10 de julho de 2012

From Rio to Woody .Sir..Allen.

Woody Allen decidiu fazer das capitais europeias cenário novo para seus filmes.A crise financeira que atingiu o mundo em 2008 fez com que os custos da produção cinematográfica subissem aos céus. Além do mais,Woody preza por produções caprichadas,ótimo elenco e é democrata-estadunidense na pátria em que o cinema tem republicano enquanto chefe supremo.
Uma das coisas que mais gosto nele é que ele se põe na reta.Como dizemos aqui - e me perdoem pelo mau jeito- coloca o rabo próprio na reta. Ninguém,sobretudo o que ele acha que é ele mesmo, escapa da sua lente atenta,sarcástica,lúdica,sensível.
Presta honrarias aos países que o acolhem, para em seguida puxar-lhes o tapetinho. Critica os saudosistas e os convida a  uma viagem no tempo.Obviamente,ilusória.Já que tratamos do tempo.Demonstra vasta cultura ,mas não é feito de pedra ou cimento,visto que prossegue e joga pedra no que já foi apreciado.É um vai e vem de considerações sobre o que considera importante e desprezível.
Homenageia a atriz bela jovem tesuda e até talentosa, e em seguida mostra toda a sua ignorância  que fora recalcada.Ela vira coisa feia.Coisa horrenda.
O machão ,o galã,o diretor galinha-boçal,o esquerdista-revolucinário ingênuo,o patrimonialista direitista  também não são esquecidos.E a música? Sempre há ótima música para Woody Allen.Ele a prefere do que cerimônias formais,infantilóides de premiações e aplausos que mais parecem autômatos....Randômico Oscar. Prefere a companhia do seu saxofone e seus amigos "new yorkers". Não foi à toa que a única vez que soube de presença sua na cerimônia de discursos patéticos ,foi há tempos.Mas precisamente no ano seguinte aos ataques de' September Eleven 2001'. Estava ali para saudar sua pátria.Nova Iorque - hojendía infestada de Brazucas- é seu país dentro de um outro gigantesco,chamado Estados Unidos da América do Norte.Um californiano ou um ser do haver oriundo do Texas são iguais a um alienígena para Allen. Roma ou Paris estão mais próximas de alguns dos seus tesões.
'To Rome with Love' é uma declaração de amor à sensibilidade auditiva de quem a tem "woodianamente".
Ele captou o espírito italiano tal e qual os grande da Cinecittà. Descortina Roma e arredores feito ária mais bela.E a coloca no banho,molhado,pelado,ousado,bravo! E manda Freud devolver-lhe uma grana mediante a burrice interpretativa abusiva de um ouvido pouco atento.
Nesse último filme - penúltimo pois já já haverá mais e mais- o exibicionismo boçal,cafona que afeta o mundo apresenta-se feito o cantante debaixo do chuveiro.Só que o cantante sabe cantá-la.E coloca -assim como Woody- o seu traseiro na reta.Molhadinho....
Há de se saber cantar na chuva do chuveiro,na chuva do riacho,num temporal medonho sem se queimar para sempre.Talento para poucos.Mas não é impossível.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Fato bruto.

A vida é o que nos acontece enquanto planejávamos outras coisas.
Essa frase vem do Sr.John Lennon,falecido em 1980.
Lembro-me do dia em que o ex-Beatle foi morto.
Dia de semana,dirigia-me ao meu curso de inglês para receber uma medalha por desempenho obtido naquele semestre.Nada demais.Era o início de uma trajetória em torno da língua inglesa e que perdura até hoje.
Rádio do carro ligado,meu pai escutava a notícia.Houve silêncio.Meu pai não gostava de rock.Aliás, meu pai só gosta do efeito festeiro que alguns ritmos podem suscitar. Era conhecido como pé de valsa.Apelido que lhe fora dado nos tempos do Cassino da Urca.Ele gostava mesmo era de agarrar pela cintura as mocinhas de sua época.Se lhe perguntassem qual era o cantor,qual era a canção, provavelmente não saberia a resposta.Não era disso que se tratava.
Lembro-me do noticiário em torno do crime.Um porra louca,parece que havaiano, resolveu matar aquele que dizia amar.
É assim .A turma que não sabe o que é o tal do amor faz assim.Pois, recalcam o ódio que vem junto.Se há consideração sobre os opostos, há jogo e lucidez possíveis.
A vida corre assim assim: amódio.
 Sai do meu campo de arrogante certeza, sobre o que suponho conhecer, um imponderável.
Ele varre a minha pretensa serenidade com promessa alguma.Tão somente um fato bruto.Uma porrada.Por vezes,irreversível,indecidível.
Vejo-me então feito poeira de estrela,solta num espaço.Sem chão.Nefelibata com purpurinas.Somos também carnaval,caos organizado.
Atectônia ou um homem que flutua.Parado  no ar feito nuvem que sopra ,que range.E passando por lá, há de tudo: de trovão a  lumiar.

domingo, 27 de maio de 2012

Celebrações.Pagadores e suas Promessas.Dias.Codinome Nunca Mais

Um dos nossos assuntos preferidos é celebrarmos os anos passados de um determinado evento,fato,nascimento ou perecimento de uma pessoa.Todo ano é a mesma coisa.Há sempre um festejo enquanto projeto de vida para muitos. Cem anos sem fulano!Como devia ser muito chato,celebraremos o seu desaparecimento!Mas como assim?Se celebramos o seu desaparecimento, obviamente,  mantemos alguma coisa dele bem viva.
Seria melhor esquecê-lo de vez?Deixemos o tal fato ou Pessoa finalmente morrer?!
Em algumas casos é impossível. A tal Pessoa é maior que o tempo que nos ilude ao fingir que somente passa.
Maior para quem?Maior que o quê?Extremamente difícil,pois é situacional.É para cada um.Até porque cada um tem a saudade que merece.
Aquelas impressões mnêmicas não desaparecem.Restam ,ainda que disformes,pelo tempo,pelo desgaste da formação cerebral capaz de ressuscitá-la a cada vez.
Quando alguém morre, o que nos permanece senão essas marcas?
Um som,um grito,um pranto,um sorriso,uma sacanagem,uma porrada...Tudo pode ser computável. Para o bem ou para o mal.E novamente caímos na impossibilidade em discernir se é bom ou ruim ,a não ser na consideração de cada situação.A Priori , somente pelo fato que não conseguimos empiricamente comprovar e nem tampouco precisamos desse critério tão cientificamente fechado, já que existem outras evidências , tornar-se-á ,por certo, preconceito. Um preconceito é uma intuição errada.Não sabe dizer ao certo do que se trata,mas focalizou algo,Isso é intuitivo,segundo MD.Magno em sua obra.O que se torna preconceito,quero supor, é ignorar a nossa sintomática de ignorâncias, e que é gigantesca.Reúne diversos elementos.Desses que marcaram,pois fixados outrora.E outrora pode ser também agora.
O que faz ignorar essa rede gigante está sob a tutela daquilo que se reconhece enquanto recalque,ou seja, uma operação que afasta certas formações do nosso ponto forte em poder focalizar mais intensamente qualquer coisa,qualquer fato,qualquer qualquer,enfim,qualquer um que haja.Isso se chama ter consciência sobre algo.
Caso contrário, produzimos mais e mais preconceitos.
São muitos achismos,opiniões.Sobre quase tudo.É impressionante que os diálogos e/ou interlocuções estejam se tornando quase que impossíveis.Mas é mentira,pois a impossibilidade que há de fato é coisa feita para gente grande.
Não é por outra razão que há tanta gente preocupadíssima com a saúde dos animais.Não estão suportando o quê? O próprio auto-retrato? E tem que ser assim mesmo...Com toda essa redundância do próprio auto -retrato.
Adoro os animaizinhos.Acho uma sacanagem,perversão mesmo, tratá-los com maldades e crueldades.E lá estamos aqui achando coisas sobre outras espécies também. É que talvez haja um tipo de gente - gente?- que nem para criar bicho inferior sirva.
Claro que também há a comodidade-covarde em tratar mal aquele de quem se supõe fidelidade eterna.Até porque certos bichinhos não sabem dizer não!Morder não quer dizer isso não!Pode ser o contrário.
E existem também aqueles outros - nós mesmos-  que estendem essa arrogância aos pares,ditos humanos. Parece que se garantem pelo querer próprio.E olha o próprio aí de novo...E esse próprio está mais para aluguel.E nem mesmo o aluguel nos dá a estabilidade do outrora-agora.Virou moeda especulativa em terras futurísticas.Países emergentes,"new richies".
Creêm que podem predizer os passos de amanhã também.Não somente os que pretende dar,mas os dos que estão ao lado.No prédio em frente, no elevador apertado,na cama do inverno,na mesa que se brinda,no espetáculo que nos regozija,na tal família que mudou de cara e ninguém quer ver.Isso é mítico.Ou seria o tal do amor?
Vejamos o drama das insituições escolares.Aquele fluxograma e aquele formato clássico na disposição de quase tudo, e que não atende mais à demanda com quem se pretende dialogar.Escola é lugar de transmissão de saberes.Infelizmente,reduzem os saberes às tais disciplinas.E aí excluem um bocado de competências e saberes outros.Certamente, conhecimentos tão úteis  para a vida que se pretende prosseguir @.com.
O pensador radicado na França,mas Tunisiano de nascimento, Pierre Lévy ,tem um ótimo livro denominado 'As árvores de conhecimento'.Deveria ser adotado em todos os lugares enquanto exercício a ser ,não somente pensado, mas posto em funcionamento.
Lembro que tentamos,certa vez,na nossa instiuição.Funcionou e depois dissipou-se.Sabe com é....Não há tanto tempo,já que ele continua pra frente.Somos tão bacanas...Só não sabemos cozinhar direito,caçar, trepar....até em árvores e seus outros conhecimentos.E como nos ensina Magno,o que não é da ordem do conhecimento?
Algumas instituições de ensino então resolvem democratizar as coisas.O que é falso ,pois há hierarquia,muitas vezes pouco democráticas,existe polícia e será convocada,se preciso for.Fora a catequese que está à espreita para o bote derradeiro. Então que se faça o jogo com as regras nítidas!Caso contrário,não se pode reclamar que o jogador sacaneou,visto que a sacanagem - referência clínica para quem está vivo- não foi pedagogicamente bem apresentada.
Será tão difícil enunciar que : "Aqui existem protocolos bem específicos para fazermos ,quem sabe,o mínimo.Senão ,está fora!" ?
É difícil. Somos poucos os que suportam  a irreversibilidade de um 'Nunca Mais'.
Tal qual o desaparecimento daquele ou daquela;daquele dia,daquele evento...
Imaginem então a pérola: "Temos que flexibilizar ,pois vocês são importantíssimos para a nossa instituição"!
Primeiro: flexibilizar - postura do futuro-presente- não é sinônimo de esculhambar.Segundo: só se será valorizado ,pois foi compultado na mente, o  risco da perda.Ainda mais se houver no horizonte o axioma traduzido pela língua enquanto - não somente significado,semântica- mas enquanto movimento de ... ' Nunca Mais'.É uma língua que diz sobre uma descontinuidade radical.
Descontinua para continuar em movimento,em celebrações,em 'bloguiadices de bloguiadeiros',etc.Eterno retorno das maravilhas e tolices.
Nosso prezado filósofo ,o Sr.Nietzsche, estava certíssimo. E Pessoa alguma parece não ter conseguido escutar aquele piano sem teclados que ele insistia em acariciar , na sua reta final.Dizem que estava doidinho.Talvez mais lúcido do que quem proferiu essas internações.E quem foi? Nós mesmos. E não se pode retrirar da reta impunemente.Só pelo fato de que muitos lá não estavam.
Cinquenta anos do Zé do Burro.Não era somente adjetivação,e sim substantivo.Dias Gomes ,seu autor, pagou caro a sua promessa. Ganhou Cannes,mas o ódio de certas autarquias.Dias morreu ,num estúpido e patético acidente de carro,faz 13 anos.Tinha setenta e sete anos e escreveu um Brasil com menos de 40 anos de idade.
O Pagador de Promessas é o nosso filme mais premiado.Zé do Burro é o Burro mais comovente dentre todos os galãs.
Noventa anos de Dias,centenário de Jorge ,mais que amado, centenário de Nelson,O Rodrigues.
Celebrações. Autores que driblam à maneira maneirista de Garrincha pra Pelé.Esse  adversário inarredável codinome Nunca Mais.

terça-feira, 1 de maio de 2012

errata 2

O erro ,espístolas ,da carta enviada-desviada,texto ,agora pouco mais abaixo,já foi corrigido.TeCNOLOGIAS,FOREVER!

errata

E no final,da carta enviada,texto abaixo, a digitação me pregou uma nova peça.Onde se lê espístolas,deve ser EPÍSTOLAS.Até aprendi.

A carta desviada.

A tecnologia mudou para sempre - e o para sempre se deve ao fato de que a nossa presença temporal é curta ,apesar de eterna- as vinculações entre os chamados humanos.
Parece-me um caminho sem volta.
Isso que está sendo escrito ,por exemplo,pode ter um alcance inimaginável,do ponto de vista quantitativo e também na rapidez com que o espanto - mediante pretensão e conteúdo- pode emergir.
Sou de um tempo em que havia as cartas de papel,as epístolas proustianamente enviadas por um sistema que percorria os subterrâneos parisienses.Mas isso era Paris,início do século XX .Sonhos para Woody Allen.
Aquele papel de sentimentos nobres e torpes provocava alvoroço por antecipações e atrasos.Não foram raros os momentos em que se desejou os piores destinos às instituições e seus preceptores, pelo desaparecimento daquele envelope com aquele papel dobrado e colado de cuidados.
Em alguns lugares,normalmente em casas com quintais exuberantes ,onde não havia local adequado a abrigar as cartas do mundo todo,o maratonista vestido de amarelo e sua sacola azul  ,fiel escudeira, desafiavam animais domésticos - adoráveis cãezinhos - e suas mandíbulas, determinanadas a manter a fama de uma lealdade ,inquestionável pelo cinismo ou cãonismo - Diógenes a uivar em tonéis greco-alexandrinos- de seus donos.
Recorda-se de uma madrinha que ,em estilo mais que proustiano, escrevia por todos os lados e margens da folha, até a mesma dizer basta!Não percebes que não há mais espaço e que aquela história passa a não fazer mais sentido algum.Já não juntas mais o sujeito com aquele predicado.... e tem aquele verbo também.
 ' O nosso cão foi ao parque'. O cão foi ao parque.O sujeito é o cão.E esse é modesto,pois num período recente da história do Brasil-querido, um certo cão andou frequentando exibições palacianas em sessões de cinema.
Parece que fez críticas bem pertinentes.Logo, o cão foi ao cinema e fez sua parte enquanto espectador. O Sujeito entre o significante cão e toda a significação, que compõe a crítica à película inconteste , é o espectador pertinente com as quatro patinhas. Bacana. Vivendo e desaprendendo.
Houve aquele dia ,porém, em que alguém seduziu o outro ,na verdade seduziu  a si mesmo,enviando uma carta chamada de erotismo. A carta, segundo uma prezadíssima e querida colega,deveria conter lascívia nas tintas da caneta.Não havia impressões por computadores,nessas horas .Esse binarismo que nos aproxima.
Foi pessoalmente, a enviada, entregar ao seduzido - as mulheres costumam escolher quem irá escolhê-las- a tal lascívia,ou melhor, a tal carta.
Parou o carro no meio da rua,alheia aos xingamentos provenientes dos carros que aguardavam ,curiosos,no engarrafamento colossal que se formara.
O funcionário,diz-se porteiro-futrica,correu lépido a pegar o envelope que tremia de tesão.
Tinha nome- o futrica- de cidade satélite da capital brasileira.Acolá no Planalto perdido.
Sumiu com a correspondência....Dias se passaram e a angustiada de Ipanema sem resposta por vir, a roer algumas francesinhas das mãos, vociferando contra o seduzido ,no mínimo,negligente.
Esperou.Compartilhou e confabulou com amigas sobre  os passos seguintes.Xingava baixinho: 'Esnobe,negligente,pedante.Como ousas não corresponder àquela  erótica toda'?
Certa manhã,bem cedinho, sabendo que o seduzido mantinha romance duradouro com a cama,telefonou-lhe.
Do lado de cá,ou melhor,de lá ,voz rouca de quem está bêbado sem beber, o rapaz incrédulo, ou seja,- negligente + 'BlASÉ',garantia-lhe que nunca recebera tão honrosa missiva.
Silêncio.Perplexidade.Agora,quem estava incrédula era a sedura de todos os bairros.
Teria o futrica,funcionário prestativo do edifício,lido e por alguma dessas vicissitudes do haver , inveja ou até o seu primo mais nocivo,o ressentimento, interrompido o fluxo daquele tesão intenso?Tesão metaforizado sob a forma de uma missiva entre jovens e seus hormônios agitados?
Mistério.....
Semanas se foram e o fato ocorrido emergiu.
Homônimos podem ser perigosos.Se você é o José do apt x e há um José ,obviamente outro,residente no apt x2,você deve contar com o esmero, e não ressentimento,de um futrica mais atento.Ele pode ,conscientemente sacãna ou não, atrapalhar tudo: entregar o seu tesão para o seduzido errado.Logo ali.No andar de cima.
O tesão era tanto que subiu um andar a mais.
Hoje ,o risco ainda há.Vai que se digita o endereço eletrônico do andar de baixo?
Sem perder o sinal da conexão, a sedutora, em seus múltiplos encantos, propôs ao reativo-blasé um encontro presencial,a fim de  construir ,descontruindo certos equívocos com futricas.
Mas aí,virou uma outra história.Uma outra epístola. A caminho,quase sempre,incerto.