O que levaria a um encontro a mais? Era a quinta vez que se retornava ao mesmo médico para investigar umas sensações desconfortáveis no chamado tubo digestivo. Esse, ao contrário daquele outro do texto anterior, foi indicado.
Desde a primeira vez, ele não se levantou da cadeira. Um copo d'água à direita,sempre cheio, ao lado do computador. Curioso. Ele consulta o computador mas tem as suas fichinhas. Vai que a luz nos falta?
Seco. Olhos contundentes e um esboço de sorriso. Irritante. Completamente irritante.
' O senhor evacua normalmente? O senhor sente peso no estômago? O senhor ...'
O desejo de lhe mandar à merda é colossal. O problema é que o seu desejo não tem maiores poderes do que isso, ou seja: desejar. Mandá-lo à merda significava embarcar sozinho nesse mar de odores não muito agradáveis. O desgraçado permaneceria por ali. Impávido na sua cadeira. AH! Há uma secretária que, nessas cinco consultas, e com espaço de tempo considerável entre uma e outra, sempre estava com uma incômoda coriza. Percebendo o olhar que lhe dirigia, respondeu com aquele ar burocrático de secretária: ' Alergia'. Depois, fingiu sorrir. O mesmo não sorriso do homem de gelo. Seria um pacto? Transferência amorosa-odienta entre criador e a abominável criatura?
O fato é que da primeira vez que estivemos juntos, ele pediu uns exames. Exames invasivos. Daqueles que você precisa fazer dieta, ficar desidratado, quase morrer e voltar com imagens que só o Dr. Gelo poderia decifrar. E não é que a gente retorna ao local do crime? Como se diz nas séries televisivas. Só que por esses lados, o sangue jorra, o pus fede, as excreções são excreções e que também são secreções. E esse médico- ótimo diagnóstico e sério-, homem de gelo, continua não se levantando para, digamos assim, saudar o próximo infeliz. E ele é bem chato. Feito esse texto. Deu pra sentir?
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Entranhas de baixo.
Um incômodo. Vindo de baixo. Permanecer numa certa posição estava se tornando impossível.
Resiste-se. Após uma inspeção cuidadosa e tendo aquele espelho íntimo para refletir o que não se consegue enxergar, a suspeita parecia se confirmar.
Fazia alguns meses que Ariobaldo utilizava um medicamento que poderia levar à constrangedora constipação. 'Mas como isso pode ocorrer? Por que comigo?' Frase típica do vitimizado patético.
O intestino sempre funcionara bem. Às vezes, até demais. Isso era motivo de orgulho. Nas eventuais consultas médicas vinha sempre aquela pergunta : ' O senhor evacua bem'. Constrangimento que normalmente era quebrado por aquela outra pergunta: ' O senhor bebe?- indagou o homem de branco. Sim. Aceito- respondeu Ariobaldo'. Afinal, não se deve recusar uma oferta como essa. Muitos considerariam falta de bons modos.
Constatado que o interior da bunda estava adoentado, aplica-se o procedimento caseiro na primeira tentativa de salvar o único traseiro que se tem. Pomada da vovó que passou para mamãe e que ainda funciona bravamente. Briosa, tinhosa, destemida. A pomada segurou o desconforto. Um alívio.
Prudentemente, a bunda decide procurar pelo especialista. Estranhamente- ou seria preconceituosamente?- existem especialistas nessas partes menos pudicas. Mas será que haveria algum desses ou dessas com horário disponível mediante a urgência do caso? E se houvesse tão somente um horário disponível com uma doutora? Uma mulher?Como seria? Exibir a bunda e suas entranhas para uma desconhecida? E ela terá que manuseá-la... O narrador não consegue imaginar. Ariobaldo muito menos.
Vejamos o preconceito. Por que não uma senhorita?
A questão é que o preconceito não pertence tão somente ao digníssimo proprietário do traseiro adoentado, mas esse modo de existir dessa espécie humana estranha chamada cultura.
Proctologista menina é coisa muito rara. Já perceberam?
Livro na mão -- aquele com a lista dos médicos e laboratórios credenciados- dois nomes se exibem. E agora, Ariobaldo? A quem recorrer ? Não há recomendação. Par ou ímpar? Adedanha ? Lembram do joguinho? Maçã , jaca ou salada de frutas ou mista? Não era assim?
Os dois indicados para a manipulação das entranhas possuíam consultório próximos à residência do traseiro enfermo. Já que não havia nenhuma referência pregressa acerca dos doutores, o primeiro lhe conquistou. O segundo viria depois- óbvio- do primeiro. Como quem vem ... ôpa. Essa letra é do Chico Buarque. Meninas, senhoritas, mulheres, Atenas e um Buarque de Holanda. Conheceria, o Chico, alguma proctologista? Ou guardara o segredo para si? Poder-se -ia chamar Geni? Mesóclise. Não, Ariobaldo. Mesóclise não é o nome de uma proctologista grega e médica do Holanda. Vá estudar um pouco.
Decidido então. O primeiro da lista conquistara as partes íntimas de Ariobaldo.
Roupa escolhida no armário com esmero e a solidariedade da companheira. Perfume. Sim, perfume.
É preciso aparentar -mediante tantos personagens presentes- uma aparição perfumada, cheirosa.
A caminhada até o'matadouro' é curta. Talvez uns 400 metros. O prédio lhe era familiar. Naquele mesmo endereço, outros especialistas foram consultados. Menos mal. Essa familiaridade trazia algum conforto. Quarto andar? Pode ser. Era o quarto andar e o consultório não combinava com nenhum outro quarto visitado. Secretária muito simpática. Uma senhora. Um bom sinal. Será que o acompanha há muito tempo? Melhor não perguntar. Apesar da curiosidade, o cu de Ariobaldo ansiava por outras medidas. Os minutos passavam, passavam e nenhum sinal que o cu avariado fosse receber a devida atenção pelo tal doutor. Xiiiii! A sala começa a se encher. E agora? Qual o artifício para iniciar uma conversa com esses novos colegas tendo como tema principal essa região, no mínimo, constrangedora? Para um primeiro encontro- ainda que um 'blind date'- seria um pouco demasiado. Não acham?
Elucubrações à parte, esse senhor grisalho sentado ao lado do que parece ser a sua esposa deve ter experiências de sobra. E ele está bem! Sorriso de dentaduras e uma expressão serena. Mas.. Por que está sentado meio de lado feito barco à deriva? Xiiiiii...
Antes do pânico se instalar, a senhora secretária chama pelo nome de Ariobaldo: ' Pode entrar, Sr.'
É. A idade chegara. Um outro doutor havia lhe dito que após os 50 anos a validade expira. Os tais cinquenta e um não estavam ofertando uma boa ideia. Pode entrar senhor.... Esse chamamento de 'senhor' ainda ressoava enquanto se dirigia ao médico.
Jaleco branco, barba da moda. Voz grossa. Um certo tremor nas mãos... Seria doença? Estaria nervoso? Conversam. Não se trata de um papo. É uma anamnese entre o Doutor e aquele Senhor. Vocês bem sabem. A fim de se conhecerem um pouco melhor. É uma DR clínica.
Fim da entrevista. Uma maca lhe é apontada. 'Deite-se assim, assado'- disse-lhe. Kama Sutra? Não. Bem pior. De repente, aquele dedo por entre luvas e técnicas penetra fundo. Porém, é preciso que se diga: o cara é profissional.
Passado o primeiro trauma para os iniciados, ele já estava de volta à mesa de trabalho. Rapidinha.
'É... Uma hemorroida. Externa. A bem dizer'. Ariobaldo ficou intrigado. O que seria, por exemplo, uma hemorroida a mal dizer, doutor L.?
'Hemorroida? Que horror! Tanta pereba para se ter e essa 'óida' com esse nome, aparência e local detestável. E como dói.Mas doutor? O que seria uma hemorroida a mal dizer? Insiste. Afinal de contas, o rabo é meu. - suplicou-lhe.'
Olhos negros, fixos, a barba da moda entre os dedos que lhe fazia carícias e o seguidor de Hipócrates ressuscita a frase de um personagem famoso de Melville, o Bartleby. Aquele escriturário.
'Melhor não'.
Resiste-se. Após uma inspeção cuidadosa e tendo aquele espelho íntimo para refletir o que não se consegue enxergar, a suspeita parecia se confirmar.
Fazia alguns meses que Ariobaldo utilizava um medicamento que poderia levar à constrangedora constipação. 'Mas como isso pode ocorrer? Por que comigo?' Frase típica do vitimizado patético.
O intestino sempre funcionara bem. Às vezes, até demais. Isso era motivo de orgulho. Nas eventuais consultas médicas vinha sempre aquela pergunta : ' O senhor evacua bem'. Constrangimento que normalmente era quebrado por aquela outra pergunta: ' O senhor bebe?- indagou o homem de branco. Sim. Aceito- respondeu Ariobaldo'. Afinal, não se deve recusar uma oferta como essa. Muitos considerariam falta de bons modos.
Constatado que o interior da bunda estava adoentado, aplica-se o procedimento caseiro na primeira tentativa de salvar o único traseiro que se tem. Pomada da vovó que passou para mamãe e que ainda funciona bravamente. Briosa, tinhosa, destemida. A pomada segurou o desconforto. Um alívio.
Prudentemente, a bunda decide procurar pelo especialista. Estranhamente- ou seria preconceituosamente?- existem especialistas nessas partes menos pudicas. Mas será que haveria algum desses ou dessas com horário disponível mediante a urgência do caso? E se houvesse tão somente um horário disponível com uma doutora? Uma mulher?Como seria? Exibir a bunda e suas entranhas para uma desconhecida? E ela terá que manuseá-la... O narrador não consegue imaginar. Ariobaldo muito menos.
Vejamos o preconceito. Por que não uma senhorita?
A questão é que o preconceito não pertence tão somente ao digníssimo proprietário do traseiro adoentado, mas esse modo de existir dessa espécie humana estranha chamada cultura.
Proctologista menina é coisa muito rara. Já perceberam?
Livro na mão -- aquele com a lista dos médicos e laboratórios credenciados- dois nomes se exibem. E agora, Ariobaldo? A quem recorrer ? Não há recomendação. Par ou ímpar? Adedanha ? Lembram do joguinho? Maçã , jaca ou salada de frutas ou mista? Não era assim?
Os dois indicados para a manipulação das entranhas possuíam consultório próximos à residência do traseiro enfermo. Já que não havia nenhuma referência pregressa acerca dos doutores, o primeiro lhe conquistou. O segundo viria depois- óbvio- do primeiro. Como quem vem ... ôpa. Essa letra é do Chico Buarque. Meninas, senhoritas, mulheres, Atenas e um Buarque de Holanda. Conheceria, o Chico, alguma proctologista? Ou guardara o segredo para si? Poder-se -ia chamar Geni? Mesóclise. Não, Ariobaldo. Mesóclise não é o nome de uma proctologista grega e médica do Holanda. Vá estudar um pouco.
Decidido então. O primeiro da lista conquistara as partes íntimas de Ariobaldo.
Roupa escolhida no armário com esmero e a solidariedade da companheira. Perfume. Sim, perfume.
É preciso aparentar -mediante tantos personagens presentes- uma aparição perfumada, cheirosa.
A caminhada até o'matadouro' é curta. Talvez uns 400 metros. O prédio lhe era familiar. Naquele mesmo endereço, outros especialistas foram consultados. Menos mal. Essa familiaridade trazia algum conforto. Quarto andar? Pode ser. Era o quarto andar e o consultório não combinava com nenhum outro quarto visitado. Secretária muito simpática. Uma senhora. Um bom sinal. Será que o acompanha há muito tempo? Melhor não perguntar. Apesar da curiosidade, o cu de Ariobaldo ansiava por outras medidas. Os minutos passavam, passavam e nenhum sinal que o cu avariado fosse receber a devida atenção pelo tal doutor. Xiiiii! A sala começa a se encher. E agora? Qual o artifício para iniciar uma conversa com esses novos colegas tendo como tema principal essa região, no mínimo, constrangedora? Para um primeiro encontro- ainda que um 'blind date'- seria um pouco demasiado. Não acham?
Elucubrações à parte, esse senhor grisalho sentado ao lado do que parece ser a sua esposa deve ter experiências de sobra. E ele está bem! Sorriso de dentaduras e uma expressão serena. Mas.. Por que está sentado meio de lado feito barco à deriva? Xiiiiii...
Antes do pânico se instalar, a senhora secretária chama pelo nome de Ariobaldo: ' Pode entrar, Sr.'
É. A idade chegara. Um outro doutor havia lhe dito que após os 50 anos a validade expira. Os tais cinquenta e um não estavam ofertando uma boa ideia. Pode entrar senhor.... Esse chamamento de 'senhor' ainda ressoava enquanto se dirigia ao médico.
Jaleco branco, barba da moda. Voz grossa. Um certo tremor nas mãos... Seria doença? Estaria nervoso? Conversam. Não se trata de um papo. É uma anamnese entre o Doutor e aquele Senhor. Vocês bem sabem. A fim de se conhecerem um pouco melhor. É uma DR clínica.
Fim da entrevista. Uma maca lhe é apontada. 'Deite-se assim, assado'- disse-lhe. Kama Sutra? Não. Bem pior. De repente, aquele dedo por entre luvas e técnicas penetra fundo. Porém, é preciso que se diga: o cara é profissional.
Passado o primeiro trauma para os iniciados, ele já estava de volta à mesa de trabalho. Rapidinha.
'É... Uma hemorroida. Externa. A bem dizer'. Ariobaldo ficou intrigado. O que seria, por exemplo, uma hemorroida a mal dizer, doutor L.?
'Hemorroida? Que horror! Tanta pereba para se ter e essa 'óida' com esse nome, aparência e local detestável. E como dói.Mas doutor? O que seria uma hemorroida a mal dizer? Insiste. Afinal de contas, o rabo é meu. - suplicou-lhe.'
Olhos negros, fixos, a barba da moda entre os dedos que lhe fazia carícias e o seguidor de Hipócrates ressuscita a frase de um personagem famoso de Melville, o Bartleby. Aquele escriturário.
'Melhor não'.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Calibre 22
Leio o Calibre 22 de Rubem Fonseca como se estivesse degustando um vinho.
Essa frase significa quase nada. É tão somente uma frase para inciar uma dito qualquer pois deseja-se dizer alguma coisa. Então está dito. Toma-se um tiro calibre 22 e se faz uma analogia com a bebida preferida.
O livro foi recomendado. Um colega/amigo acabara de lê-lo. Através da rede social fez a divulgação.
Elogiou sobretudo o vitalismo contemporâneo de Rubem.
Nascido em Juiz de Fora, Minas, Rubem está com 92 anos. E deve estar seguindo a orientação de algum notório que teria dito que tinha todas as idades. A memória nos desenha um Ziraldo menino.
Mas esse bilhete-texto não é uma homenagem ao Rubem. Não sei fazer homenagens por escrito. Concordo com Pessoa. Cartas de amor são ridículas. E homenagens mal escritas também. E tampouco vou colocar cereja no bolinho do vascaíno egrégio. Estamos malcriados, por enquanto e portanto.
Mas antes de fuzilar com o derradeiro ponto, aconselho a leitura- é só uma dica- nesse livro mencionado, o primeiro conto que se chama 'Fantasmas'. Uma homenagem à impostura analítica.
Essa frase significa quase nada. É tão somente uma frase para inciar uma dito qualquer pois deseja-se dizer alguma coisa. Então está dito. Toma-se um tiro calibre 22 e se faz uma analogia com a bebida preferida.
O livro foi recomendado. Um colega/amigo acabara de lê-lo. Através da rede social fez a divulgação.
Elogiou sobretudo o vitalismo contemporâneo de Rubem.
Nascido em Juiz de Fora, Minas, Rubem está com 92 anos. E deve estar seguindo a orientação de algum notório que teria dito que tinha todas as idades. A memória nos desenha um Ziraldo menino.
Mas esse bilhete-texto não é uma homenagem ao Rubem. Não sei fazer homenagens por escrito. Concordo com Pessoa. Cartas de amor são ridículas. E homenagens mal escritas também. E tampouco vou colocar cereja no bolinho do vascaíno egrégio. Estamos malcriados, por enquanto e portanto.
Mas antes de fuzilar com o derradeiro ponto, aconselho a leitura- é só uma dica- nesse livro mencionado, o primeiro conto que se chama 'Fantasmas'. Uma homenagem à impostura analítica.
segunda-feira, 31 de julho de 2017
O fracasso da sociedade civil - mediante quase 3 décadas de ditadura militar- e da nossa própria incompetência resultam nesse quadro que se instala no Rio. Veremos os robocops e seus caminhões 'desfilando' pela cidade.
O secretário de 'segurança' diz que a operação é inteligente e que existe uma logística eficaz,,,,, kkkkkkkkkkk. Gozador , o 'secretário.' População negra, jovem, pobre e honesta que se cuide... Já sabemos como será o patrulhamento de quem não sabe patrulhar.
Em psicanálise isso se chama retorno de formações recalcadas.
Portanto, o infantilismo e sua neura triunfam. Temos os mediadores de Toga e a patrulha fardada ditando as regras. Reformas estruturais- que levam tempo- mas já se foram 32 anos que a 'Nova República" instalou-se- , nem pensar. É proposital esse genocídio contra a população, contra os policiais, contra os servidores públicos estaduais, contra euzinho e vocêzinha..
E o ministro Jungmann- ele já não foi comunista?- não quer pronunciar, mas pensou,e pronunciou o óbvio. Guerra.
Nenhum político brasileiro tem o culhão de falar, por exemplo, no necessário controle de natalidade. Uma certa classe média já pratica ou por falência ou por LUCIDEZ. 'BUT' ...
Tablóides ingleses afirmam que a formação conhecida como brasileira é idiota. Recorramos a Dostoiévski. Depois, se saco houver, continuamos o papo.
O secretário de 'segurança' diz que a operação é inteligente e que existe uma logística eficaz,,,,, kkkkkkkkkkk. Gozador , o 'secretário.' População negra, jovem, pobre e honesta que se cuide... Já sabemos como será o patrulhamento de quem não sabe patrulhar.
Em psicanálise isso se chama retorno de formações recalcadas.
Portanto, o infantilismo e sua neura triunfam. Temos os mediadores de Toga e a patrulha fardada ditando as regras. Reformas estruturais- que levam tempo- mas já se foram 32 anos que a 'Nova República" instalou-se- , nem pensar. É proposital esse genocídio contra a população, contra os policiais, contra os servidores públicos estaduais, contra euzinho e vocêzinha..
E o ministro Jungmann- ele já não foi comunista?- não quer pronunciar, mas pensou,e pronunciou o óbvio. Guerra.
Nenhum político brasileiro tem o culhão de falar, por exemplo, no necessário controle de natalidade. Uma certa classe média já pratica ou por falência ou por LUCIDEZ. 'BUT' ...
Tablóides ingleses afirmam que a formação conhecida como brasileira é idiota. Recorramos a Dostoiévski. Depois, se saco houver, continuamos o papo.
Operação Lava- Jato tem prazo de validade? A mocinha que matou os pais e que namorava na cadeia - não sei escrever o sobrenome dela que é alguma coisa parecida com nomes da Geórgia e que possuem 7 consoantes juntas numa única palavra- , segundo uma criminóloga e escritora paulistana ( muito articulada) trata seus vínculos paternos com prazo de validade. E nisso- ela , a maluquete , não está completamente errada. Só que ela é muito escrota. Quer ser escrota o tempo inteiro. PRAZO DE VALIDADE. o QUE NÃO TERIA prazo de validade?
Rádio Relógio Internética no face+ book. Vocês sabiam que o Guilherme Guinle, patriarca daquilo tudo e fundador da Cia Docas, chegou a ser sondado pelo Parido Comunista de Prestes- O cavaleiro e Cavalheiro da Esperança- a sair candidato? Não sei para quê. Mas o flerte ocorreu. O Partidão... Quem diria. O partidão... Mas partidão mesmo era o Guinle, não?
😋
segunda-feira, 8 de maio de 2017
O lixo e o 'lixo'
Veríssimo escreveu um belo texto sobre os vizinhos que se conheceram ao depositar o lixo na lixeira do prédio em que moram. Iniciou-se ali uma amizade. Uma parceria. Não me lembro desse texto. Foi Mônica que o trouxe de volta. Ela gosta muito do Veríssimo.
No meu caso, só encontrei uma única vez a vizinha na lixeira. Há muitos anos.Ela conversava com um funcionário do condomínio e chamava os outros de porcos. ' Essa gente porca' . Ao que parece , alguém sujou ainda mais o que já era sujo.
Quando me viu, levou um susto. Virou de costas e entrou no seu apartamento. Por quê o susto? Passados muitos ano, pergunto se um porco falante pode morder e machucar pra valer?!
Algum tempo depois, a malcriada se mudou. Tinha um filho surdo-mudo. E um outro que tagarelava pelos dois. Já o marido trabalhava num banco que não existe mais . A malcriada era uma recatada dona de casa. Vem de longe a qualificação.
Já a família , dona do banco, estaria numa situação bem difícil se a instituição financeira ainda existisse. Irregularidades- e não foram poucas- surgiram à época. Os banqueiros têm o seu vasto mundo particular. É preciso desagradar, abusar muito dos seus sócios, de outros setores, para se arrebentarem. Os novos fatos indicam para isso.
Aquele marido da fulana malcriada, mãe do tagarela e do surdo mudo, tinha postura aristocrática. Elegante, esbelto. O casal era bem bonito. Assim como os filhos.
Antes do banco desaparecer do mundo, ele se aposentou. Venderam o imóvel e compraram um maior numa das melhores ruas do bairro. Deixaram os outros porquinhos para trás.
E eis que num final de tarde de Domingo, avistei-os num restaurante. O tempo é cruel. Feito de rugas, cicatrizes, celulites lembranças...Lixo.
Se ela retornou, essa recordação, é porque algo suscitou. A baixaria que a vizinha fez naquela manhã foi surpreendente.Contudo, foi instrutiva. Até então, não tinha a devida atenção com a lixeira e suas particularidades. Não que tenha havido alguma transformação militante chata das 'cousas' da chamada natureza, mas uma pequena elevação no nível de civilidade.
Mexendo no lixo, revisito aquele edifício em que nasci e que morreu. Ele era menos bonitinho, sem toques de contemporaneidade. Aconchegante. Próprio. O que pode significar próprio, não sei Genética? Seus pilares e concretos familiares? Os vizinhos - apesar de certos pesares- eram próximos. Sem se falar.
Por exemplo: nunca compareci a qualquer reunião do chamado Condomínio. E tudo se resolvia. Hoje, vivemos o contrário. Não que seja tão reacionário a ponto de não contemplar, apreciar e desfrutar das invencionices do mundo que acompanham o meu corpo débil. mas o prédio morreu. No seu lugar, emerge um esconderijo necessário. Ao lado, um monstro de sei lá quantas patas de concreto, luxuoso, ultra-moderno, ergue-se sem cerimônia. Causou e ainda causa estragos. Mentira... Não é estrago. Atormenta a minha terrivelmente nesses últimos 3 anos.
Uns canalhas. Despudorados, caras de pau, psicopatas da construção. Adoecem a vizinhança com um barulho inacreditável e substâncias tóxicas , alergênicas. Chegaram a trabalhar nos feriados e alguns domingos. O que é proibido por uma lei. Lei.... A que rege os desgraçados se chama 'faço o que quero e foda-se o resto. E não reclamem pois tenho razão'. Não há dúvida de que tens razão. Seu grande filho de uma puta! E quem não tem? Em que sanatório diriam o contrário? Eles não obedecem às normas estabelecidas. Eles são a lei. Ao menos agem como se fossem.
Já se tentou de tudo. Brigar, processar, liminar... Tudo deu certo e errado. E aquele monte de operários que são surdos, pois não falam : berram, bostejam. Fora as canções...Desafinados. Mas segundo um poeta também tem um coração. Metáfora inteligente.
Nunca vistes o inferno tão próximo? Tão presente? Pois ele vez ou outra surge. Quando - frase do beatle assassinado- planejávamos outras coisas.
No meu caso, só encontrei uma única vez a vizinha na lixeira. Há muitos anos.Ela conversava com um funcionário do condomínio e chamava os outros de porcos. ' Essa gente porca' . Ao que parece , alguém sujou ainda mais o que já era sujo.
Quando me viu, levou um susto. Virou de costas e entrou no seu apartamento. Por quê o susto? Passados muitos ano, pergunto se um porco falante pode morder e machucar pra valer?!
Algum tempo depois, a malcriada se mudou. Tinha um filho surdo-mudo. E um outro que tagarelava pelos dois. Já o marido trabalhava num banco que não existe mais . A malcriada era uma recatada dona de casa. Vem de longe a qualificação.
Já a família , dona do banco, estaria numa situação bem difícil se a instituição financeira ainda existisse. Irregularidades- e não foram poucas- surgiram à época. Os banqueiros têm o seu vasto mundo particular. É preciso desagradar, abusar muito dos seus sócios, de outros setores, para se arrebentarem. Os novos fatos indicam para isso.
Aquele marido da fulana malcriada, mãe do tagarela e do surdo mudo, tinha postura aristocrática. Elegante, esbelto. O casal era bem bonito. Assim como os filhos.
Antes do banco desaparecer do mundo, ele se aposentou. Venderam o imóvel e compraram um maior numa das melhores ruas do bairro. Deixaram os outros porquinhos para trás.
E eis que num final de tarde de Domingo, avistei-os num restaurante. O tempo é cruel. Feito de rugas, cicatrizes, celulites lembranças...Lixo.
Se ela retornou, essa recordação, é porque algo suscitou. A baixaria que a vizinha fez naquela manhã foi surpreendente.Contudo, foi instrutiva. Até então, não tinha a devida atenção com a lixeira e suas particularidades. Não que tenha havido alguma transformação militante chata das 'cousas' da chamada natureza, mas uma pequena elevação no nível de civilidade.
Mexendo no lixo, revisito aquele edifício em que nasci e que morreu. Ele era menos bonitinho, sem toques de contemporaneidade. Aconchegante. Próprio. O que pode significar próprio, não sei Genética? Seus pilares e concretos familiares? Os vizinhos - apesar de certos pesares- eram próximos. Sem se falar.
Por exemplo: nunca compareci a qualquer reunião do chamado Condomínio. E tudo se resolvia. Hoje, vivemos o contrário. Não que seja tão reacionário a ponto de não contemplar, apreciar e desfrutar das invencionices do mundo que acompanham o meu corpo débil. mas o prédio morreu. No seu lugar, emerge um esconderijo necessário. Ao lado, um monstro de sei lá quantas patas de concreto, luxuoso, ultra-moderno, ergue-se sem cerimônia. Causou e ainda causa estragos. Mentira... Não é estrago. Atormenta a minha terrivelmente nesses últimos 3 anos.
Uns canalhas. Despudorados, caras de pau, psicopatas da construção. Adoecem a vizinhança com um barulho inacreditável e substâncias tóxicas , alergênicas. Chegaram a trabalhar nos feriados e alguns domingos. O que é proibido por uma lei. Lei.... A que rege os desgraçados se chama 'faço o que quero e foda-se o resto. E não reclamem pois tenho razão'. Não há dúvida de que tens razão. Seu grande filho de uma puta! E quem não tem? Em que sanatório diriam o contrário? Eles não obedecem às normas estabelecidas. Eles são a lei. Ao menos agem como se fossem.
Já se tentou de tudo. Brigar, processar, liminar... Tudo deu certo e errado. E aquele monte de operários que são surdos, pois não falam : berram, bostejam. Fora as canções...Desafinados. Mas segundo um poeta também tem um coração. Metáfora inteligente.
Nunca vistes o inferno tão próximo? Tão presente? Pois ele vez ou outra surge. Quando - frase do beatle assassinado- planejávamos outras coisas.
Assinar:
Postagens (Atom)