Leio o Calibre 22 de Rubem Fonseca como se estivesse degustando um vinho.
Essa frase significa quase nada. É tão somente uma frase para inciar uma dito qualquer pois deseja-se dizer alguma coisa. Então está dito. Toma-se um tiro calibre 22 e se faz uma analogia com a bebida preferida.
O livro foi recomendado. Um colega/amigo acabara de lê-lo. Através da rede social fez a divulgação.
Elogiou sobretudo o vitalismo contemporâneo de Rubem.
Nascido em Juiz de Fora, Minas, Rubem está com 92 anos. E deve estar seguindo a orientação de algum notório que teria dito que tinha todas as idades. A memória nos desenha um Ziraldo menino.
Mas esse bilhete-texto não é uma homenagem ao Rubem. Não sei fazer homenagens por escrito. Concordo com Pessoa. Cartas de amor são ridículas. E homenagens mal escritas também. E tampouco vou colocar cereja no bolinho do vascaíno egrégio. Estamos malcriados, por enquanto e portanto.
Mas antes de fuzilar com o derradeiro ponto, aconselho a leitura- é só uma dica- nesse livro mencionado, o primeiro conto que se chama 'Fantasmas'. Uma homenagem à impostura analítica.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
segunda-feira, 31 de julho de 2017
O fracasso da sociedade civil - mediante quase 3 décadas de ditadura militar- e da nossa própria incompetência resultam nesse quadro que se instala no Rio. Veremos os robocops e seus caminhões 'desfilando' pela cidade.
O secretário de 'segurança' diz que a operação é inteligente e que existe uma logística eficaz,,,,, kkkkkkkkkkk. Gozador , o 'secretário.' População negra, jovem, pobre e honesta que se cuide... Já sabemos como será o patrulhamento de quem não sabe patrulhar.
Em psicanálise isso se chama retorno de formações recalcadas.
Portanto, o infantilismo e sua neura triunfam. Temos os mediadores de Toga e a patrulha fardada ditando as regras. Reformas estruturais- que levam tempo- mas já se foram 32 anos que a 'Nova República" instalou-se- , nem pensar. É proposital esse genocídio contra a população, contra os policiais, contra os servidores públicos estaduais, contra euzinho e vocêzinha..
E o ministro Jungmann- ele já não foi comunista?- não quer pronunciar, mas pensou,e pronunciou o óbvio. Guerra.
Nenhum político brasileiro tem o culhão de falar, por exemplo, no necessário controle de natalidade. Uma certa classe média já pratica ou por falência ou por LUCIDEZ. 'BUT' ...
Tablóides ingleses afirmam que a formação conhecida como brasileira é idiota. Recorramos a Dostoiévski. Depois, se saco houver, continuamos o papo.
O secretário de 'segurança' diz que a operação é inteligente e que existe uma logística eficaz,,,,, kkkkkkkkkkk. Gozador , o 'secretário.' População negra, jovem, pobre e honesta que se cuide... Já sabemos como será o patrulhamento de quem não sabe patrulhar.
Em psicanálise isso se chama retorno de formações recalcadas.
Portanto, o infantilismo e sua neura triunfam. Temos os mediadores de Toga e a patrulha fardada ditando as regras. Reformas estruturais- que levam tempo- mas já se foram 32 anos que a 'Nova República" instalou-se- , nem pensar. É proposital esse genocídio contra a população, contra os policiais, contra os servidores públicos estaduais, contra euzinho e vocêzinha..
E o ministro Jungmann- ele já não foi comunista?- não quer pronunciar, mas pensou,e pronunciou o óbvio. Guerra.
Nenhum político brasileiro tem o culhão de falar, por exemplo, no necessário controle de natalidade. Uma certa classe média já pratica ou por falência ou por LUCIDEZ. 'BUT' ...
Tablóides ingleses afirmam que a formação conhecida como brasileira é idiota. Recorramos a Dostoiévski. Depois, se saco houver, continuamos o papo.
Operação Lava- Jato tem prazo de validade? A mocinha que matou os pais e que namorava na cadeia - não sei escrever o sobrenome dela que é alguma coisa parecida com nomes da Geórgia e que possuem 7 consoantes juntas numa única palavra- , segundo uma criminóloga e escritora paulistana ( muito articulada) trata seus vínculos paternos com prazo de validade. E nisso- ela , a maluquete , não está completamente errada. Só que ela é muito escrota. Quer ser escrota o tempo inteiro. PRAZO DE VALIDADE. o QUE NÃO TERIA prazo de validade?
Rádio Relógio Internética no face+ book. Vocês sabiam que o Guilherme Guinle, patriarca daquilo tudo e fundador da Cia Docas, chegou a ser sondado pelo Parido Comunista de Prestes- O cavaleiro e Cavalheiro da Esperança- a sair candidato? Não sei para quê. Mas o flerte ocorreu. O Partidão... Quem diria. O partidão... Mas partidão mesmo era o Guinle, não?
😋
segunda-feira, 8 de maio de 2017
O lixo e o 'lixo'
Veríssimo escreveu um belo texto sobre os vizinhos que se conheceram ao depositar o lixo na lixeira do prédio em que moram. Iniciou-se ali uma amizade. Uma parceria. Não me lembro desse texto. Foi Mônica que o trouxe de volta. Ela gosta muito do Veríssimo.
No meu caso, só encontrei uma única vez a vizinha na lixeira. Há muitos anos.Ela conversava com um funcionário do condomínio e chamava os outros de porcos. ' Essa gente porca' . Ao que parece , alguém sujou ainda mais o que já era sujo.
Quando me viu, levou um susto. Virou de costas e entrou no seu apartamento. Por quê o susto? Passados muitos ano, pergunto se um porco falante pode morder e machucar pra valer?!
Algum tempo depois, a malcriada se mudou. Tinha um filho surdo-mudo. E um outro que tagarelava pelos dois. Já o marido trabalhava num banco que não existe mais . A malcriada era uma recatada dona de casa. Vem de longe a qualificação.
Já a família , dona do banco, estaria numa situação bem difícil se a instituição financeira ainda existisse. Irregularidades- e não foram poucas- surgiram à época. Os banqueiros têm o seu vasto mundo particular. É preciso desagradar, abusar muito dos seus sócios, de outros setores, para se arrebentarem. Os novos fatos indicam para isso.
Aquele marido da fulana malcriada, mãe do tagarela e do surdo mudo, tinha postura aristocrática. Elegante, esbelto. O casal era bem bonito. Assim como os filhos.
Antes do banco desaparecer do mundo, ele se aposentou. Venderam o imóvel e compraram um maior numa das melhores ruas do bairro. Deixaram os outros porquinhos para trás.
E eis que num final de tarde de Domingo, avistei-os num restaurante. O tempo é cruel. Feito de rugas, cicatrizes, celulites lembranças...Lixo.
Se ela retornou, essa recordação, é porque algo suscitou. A baixaria que a vizinha fez naquela manhã foi surpreendente.Contudo, foi instrutiva. Até então, não tinha a devida atenção com a lixeira e suas particularidades. Não que tenha havido alguma transformação militante chata das 'cousas' da chamada natureza, mas uma pequena elevação no nível de civilidade.
Mexendo no lixo, revisito aquele edifício em que nasci e que morreu. Ele era menos bonitinho, sem toques de contemporaneidade. Aconchegante. Próprio. O que pode significar próprio, não sei Genética? Seus pilares e concretos familiares? Os vizinhos - apesar de certos pesares- eram próximos. Sem se falar.
Por exemplo: nunca compareci a qualquer reunião do chamado Condomínio. E tudo se resolvia. Hoje, vivemos o contrário. Não que seja tão reacionário a ponto de não contemplar, apreciar e desfrutar das invencionices do mundo que acompanham o meu corpo débil. mas o prédio morreu. No seu lugar, emerge um esconderijo necessário. Ao lado, um monstro de sei lá quantas patas de concreto, luxuoso, ultra-moderno, ergue-se sem cerimônia. Causou e ainda causa estragos. Mentira... Não é estrago. Atormenta a minha terrivelmente nesses últimos 3 anos.
Uns canalhas. Despudorados, caras de pau, psicopatas da construção. Adoecem a vizinhança com um barulho inacreditável e substâncias tóxicas , alergênicas. Chegaram a trabalhar nos feriados e alguns domingos. O que é proibido por uma lei. Lei.... A que rege os desgraçados se chama 'faço o que quero e foda-se o resto. E não reclamem pois tenho razão'. Não há dúvida de que tens razão. Seu grande filho de uma puta! E quem não tem? Em que sanatório diriam o contrário? Eles não obedecem às normas estabelecidas. Eles são a lei. Ao menos agem como se fossem.
Já se tentou de tudo. Brigar, processar, liminar... Tudo deu certo e errado. E aquele monte de operários que são surdos, pois não falam : berram, bostejam. Fora as canções...Desafinados. Mas segundo um poeta também tem um coração. Metáfora inteligente.
Nunca vistes o inferno tão próximo? Tão presente? Pois ele vez ou outra surge. Quando - frase do beatle assassinado- planejávamos outras coisas.
No meu caso, só encontrei uma única vez a vizinha na lixeira. Há muitos anos.Ela conversava com um funcionário do condomínio e chamava os outros de porcos. ' Essa gente porca' . Ao que parece , alguém sujou ainda mais o que já era sujo.
Quando me viu, levou um susto. Virou de costas e entrou no seu apartamento. Por quê o susto? Passados muitos ano, pergunto se um porco falante pode morder e machucar pra valer?!
Algum tempo depois, a malcriada se mudou. Tinha um filho surdo-mudo. E um outro que tagarelava pelos dois. Já o marido trabalhava num banco que não existe mais . A malcriada era uma recatada dona de casa. Vem de longe a qualificação.
Já a família , dona do banco, estaria numa situação bem difícil se a instituição financeira ainda existisse. Irregularidades- e não foram poucas- surgiram à época. Os banqueiros têm o seu vasto mundo particular. É preciso desagradar, abusar muito dos seus sócios, de outros setores, para se arrebentarem. Os novos fatos indicam para isso.
Aquele marido da fulana malcriada, mãe do tagarela e do surdo mudo, tinha postura aristocrática. Elegante, esbelto. O casal era bem bonito. Assim como os filhos.
Antes do banco desaparecer do mundo, ele se aposentou. Venderam o imóvel e compraram um maior numa das melhores ruas do bairro. Deixaram os outros porquinhos para trás.
E eis que num final de tarde de Domingo, avistei-os num restaurante. O tempo é cruel. Feito de rugas, cicatrizes, celulites lembranças...Lixo.
Se ela retornou, essa recordação, é porque algo suscitou. A baixaria que a vizinha fez naquela manhã foi surpreendente.Contudo, foi instrutiva. Até então, não tinha a devida atenção com a lixeira e suas particularidades. Não que tenha havido alguma transformação militante chata das 'cousas' da chamada natureza, mas uma pequena elevação no nível de civilidade.
Mexendo no lixo, revisito aquele edifício em que nasci e que morreu. Ele era menos bonitinho, sem toques de contemporaneidade. Aconchegante. Próprio. O que pode significar próprio, não sei Genética? Seus pilares e concretos familiares? Os vizinhos - apesar de certos pesares- eram próximos. Sem se falar.
Por exemplo: nunca compareci a qualquer reunião do chamado Condomínio. E tudo se resolvia. Hoje, vivemos o contrário. Não que seja tão reacionário a ponto de não contemplar, apreciar e desfrutar das invencionices do mundo que acompanham o meu corpo débil. mas o prédio morreu. No seu lugar, emerge um esconderijo necessário. Ao lado, um monstro de sei lá quantas patas de concreto, luxuoso, ultra-moderno, ergue-se sem cerimônia. Causou e ainda causa estragos. Mentira... Não é estrago. Atormenta a minha terrivelmente nesses últimos 3 anos.
Uns canalhas. Despudorados, caras de pau, psicopatas da construção. Adoecem a vizinhança com um barulho inacreditável e substâncias tóxicas , alergênicas. Chegaram a trabalhar nos feriados e alguns domingos. O que é proibido por uma lei. Lei.... A que rege os desgraçados se chama 'faço o que quero e foda-se o resto. E não reclamem pois tenho razão'. Não há dúvida de que tens razão. Seu grande filho de uma puta! E quem não tem? Em que sanatório diriam o contrário? Eles não obedecem às normas estabelecidas. Eles são a lei. Ao menos agem como se fossem.
Já se tentou de tudo. Brigar, processar, liminar... Tudo deu certo e errado. E aquele monte de operários que são surdos, pois não falam : berram, bostejam. Fora as canções...Desafinados. Mas segundo um poeta também tem um coração. Metáfora inteligente.
Nunca vistes o inferno tão próximo? Tão presente? Pois ele vez ou outra surge. Quando - frase do beatle assassinado- planejávamos outras coisas.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Onde mesmo?
Saio. Guarda chuva aberto . Ela prometeu que vinha e veio . Anunciada, fez mistério . Caiu com duvidosa timidez. Era o início. Depois, chegou para valer. E as ruas estão tristes.
A poça d´água mais próxima não faz mistério sobre o perigo que ela pode nos ocasionar. Sozinho. Absolutamente só. O mundo lhe parece distante. O ano parece que não passa. Por que as horas e seus minutos com os seus segundos não podem simplesmente estacionar, congelar? Eles são fictícios ou não? Esse tempo que não cessa de passar?
Chega-se na esquina. As pernas mecânicas com seus motores e buzinas passam apressadas. Temerosos em não ultrapassar a próxima poça que acumula obstáculos. As nuvens são belas. Estão baixas. Encobrem o cristo. Contornam as montanhas. Ai está...
Ele se aproxima. Nada discreto. Amarelo reluzente. Há uma igreja mais à frente. O cidadão pouco diz. O caminho é indicado. Ele parece não falar. Emite um som gutural. É grandão, desajeitado. Não conhece o lugar onde está. Corajoso? Ele ou eu? Pista escorregadia... Vida de perigos. Deve ser a crise. E a oportunidade? Onde baila? O cara está ali. Deixando-se conduzir pela necessidade. Pelo Tesão da sobrevivência. Seria mesmo? Será que ele sabe o que quer? Um bronco. Mas o broncos podem ser felizes. E os arrogantes? 'Aquilo ali é um estádio'?- perguntou. Sim e não. Respondi. É o Jóquei Clube. Lugar em que os cavalinhos pulam, correm, apanham. 'AH'....ou outro 'mugido' semelhante. E ali, caro senhor desorientado, logo, mais feliz, é a Lagoa. Lugar onde os peixes , antigamente, nadavam. .. Mostrou os dentes. Um sorriso? O senhor pode pegar aquela rua principal para retornar a salvo. Alertei. 'Eu sei- num tom irritado-, conheço Copacabana. ???????????????????
Não é por nada não, mas estávamos em Ipanema. Boa noite.
A poça d´água mais próxima não faz mistério sobre o perigo que ela pode nos ocasionar. Sozinho. Absolutamente só. O mundo lhe parece distante. O ano parece que não passa. Por que as horas e seus minutos com os seus segundos não podem simplesmente estacionar, congelar? Eles são fictícios ou não? Esse tempo que não cessa de passar?
Chega-se na esquina. As pernas mecânicas com seus motores e buzinas passam apressadas. Temerosos em não ultrapassar a próxima poça que acumula obstáculos. As nuvens são belas. Estão baixas. Encobrem o cristo. Contornam as montanhas. Ai está...
Ele se aproxima. Nada discreto. Amarelo reluzente. Há uma igreja mais à frente. O cidadão pouco diz. O caminho é indicado. Ele parece não falar. Emite um som gutural. É grandão, desajeitado. Não conhece o lugar onde está. Corajoso? Ele ou eu? Pista escorregadia... Vida de perigos. Deve ser a crise. E a oportunidade? Onde baila? O cara está ali. Deixando-se conduzir pela necessidade. Pelo Tesão da sobrevivência. Seria mesmo? Será que ele sabe o que quer? Um bronco. Mas o broncos podem ser felizes. E os arrogantes? 'Aquilo ali é um estádio'?- perguntou. Sim e não. Respondi. É o Jóquei Clube. Lugar em que os cavalinhos pulam, correm, apanham. 'AH'....ou outro 'mugido' semelhante. E ali, caro senhor desorientado, logo, mais feliz, é a Lagoa. Lugar onde os peixes , antigamente, nadavam. .. Mostrou os dentes. Um sorriso? O senhor pode pegar aquela rua principal para retornar a salvo. Alertei. 'Eu sei- num tom irritado-, conheço Copacabana. ???????????????????
Não é por nada não, mas estávamos em Ipanema. Boa noite.
quinta-feira, 16 de março de 2017
A secretária eletrônica.
-A secretária eletrônica.
Fulano. Vem almoçar.
Não tenho fome agora.
E quando você tem fome?
O corpo me avisa .
E como ele lhe avisa?
Algo se manifesta por aqui. Feito a hora de cagar, mijar.Tem a ver com aqueles simpáticos e parassimpáticos.
Fulano. Vem almoçar.
Não tenho fome agora.
E quando você tem fome?
O corpo me avisa .
E como ele lhe avisa?
Algo se manifesta por aqui. Feito a hora de cagar, mijar.Tem a ver com aqueles simpáticos e parassimpáticos.
Dispense essas figuras por algum tempo e venha almoçar .
A secretária eletrônica gravava toda essa maluquice . Ela mesmo iniciava a conversa e continuava. Respondia automaticamente porque sabia as respostas que já tinham lhe sido dadas . A conversa foi repetida inúmeras vezes. Os argumentos não bastavam. Eram menos intensos do que aquilo que já tinha introjetado. Era a sua verdade. A sua visão tacanha , mas determinada sobre tudo.
Algo é inegável: certas formações mais ignorantes sofrem bem menos. E se forem arrogantes... Triunfam. O grau de semancol é zero, É o gozo da cegueira feliz. É impressionante como não quer ver. Paga para isso. Você aponta e a criatura não quer ver. Fica feliz em permanecer cega . É o chamado recalque hiper-bem sucedido. Aquilo fica- como diria corretamente um ex-ministro de estado nosso- imexível. Palavra correta e cujo protagonista que foi sacaneado por todos - incluindo muitos dos futuros eleitores de um futuro presidente 'erudito'.
Essa criatura tinha essa característica. Velha era a vizinha de cima . Detalhe. Tinha 10 anos menos que ela. Mas isso pouco importa. Nisso, sem saber, ela tinha razão. A idade e o tempo são ficcionais
Quantos anos você tem? Tenho todas as idades . Inclusive a que está na carteira de identidade. Já ensinava Millôr Fernandes. Artifício Social para se driblar o que não se é. Mas ela não tinha essa sofisticação
E ela mentia a idade. E ela mentia sobre o fato ocorrido. Sobre o recado deixado. 'Não fui eu! ' Mas está gravado! É a sua voz! 'Deve haver algum engano'.
Trouxe a máquina. Liguei na tomada da sua casa . Chamei-a para escutar. Ela pediu para que repetisse. Botasse a fita novamente. Coloquei. Aumentei o volume A voz estridente chamou a atenção da funcionária da casa que apareceu para ver o que estava acontecendo .
Perguntada sobre o que estava escutando, disse: ' É a voz da senhora';
Não adiantou. Nos chamou de mentirosos. E emendou: ' Detesto essa tecnologia toda '. Não entendo disso e garanto : Essa máquina é mentirosa . Não é a minha voz'.
Já tinha feito isso antes. Um amigo havia telefonado , certo dia. Deixou um recado para que eu lhe retornasse a chamada. Jamais me deu o recado. Não gostava do rapaz porque algum outro parente tinha bronca com ele.E por uma tolice juvenil. Ela resolveu então comprar uma briga com o ZÉ. Eu lhe lembrei que havia feito isso. Desmentiu. Quis uma acareação. Recusou-se. Saiu vociferando contra tudo e todos. Até a secretária eletrônica se tivesse poderes de interagir teria lhe chamado atenção.
Nunca mudou. E era feliz.
A secretária eletrônica gravava toda essa maluquice . Ela mesmo iniciava a conversa e continuava. Respondia automaticamente porque sabia as respostas que já tinham lhe sido dadas . A conversa foi repetida inúmeras vezes. Os argumentos não bastavam. Eram menos intensos do que aquilo que já tinha introjetado. Era a sua verdade. A sua visão tacanha , mas determinada sobre tudo.
Algo é inegável: certas formações mais ignorantes sofrem bem menos. E se forem arrogantes... Triunfam. O grau de semancol é zero, É o gozo da cegueira feliz. É impressionante como não quer ver. Paga para isso. Você aponta e a criatura não quer ver. Fica feliz em permanecer cega . É o chamado recalque hiper-bem sucedido. Aquilo fica- como diria corretamente um ex-ministro de estado nosso- imexível. Palavra correta e cujo protagonista que foi sacaneado por todos - incluindo muitos dos futuros eleitores de um futuro presidente 'erudito'.
Essa criatura tinha essa característica. Velha era a vizinha de cima . Detalhe. Tinha 10 anos menos que ela. Mas isso pouco importa. Nisso, sem saber, ela tinha razão. A idade e o tempo são ficcionais
Quantos anos você tem? Tenho todas as idades . Inclusive a que está na carteira de identidade. Já ensinava Millôr Fernandes. Artifício Social para se driblar o que não se é. Mas ela não tinha essa sofisticação
E ela mentia a idade. E ela mentia sobre o fato ocorrido. Sobre o recado deixado. 'Não fui eu! ' Mas está gravado! É a sua voz! 'Deve haver algum engano'.
Trouxe a máquina. Liguei na tomada da sua casa . Chamei-a para escutar. Ela pediu para que repetisse. Botasse a fita novamente. Coloquei. Aumentei o volume A voz estridente chamou a atenção da funcionária da casa que apareceu para ver o que estava acontecendo .
Perguntada sobre o que estava escutando, disse: ' É a voz da senhora';
Não adiantou. Nos chamou de mentirosos. E emendou: ' Detesto essa tecnologia toda '. Não entendo disso e garanto : Essa máquina é mentirosa . Não é a minha voz'.
Já tinha feito isso antes. Um amigo havia telefonado , certo dia. Deixou um recado para que eu lhe retornasse a chamada. Jamais me deu o recado. Não gostava do rapaz porque algum outro parente tinha bronca com ele.E por uma tolice juvenil. Ela resolveu então comprar uma briga com o ZÉ. Eu lhe lembrei que havia feito isso. Desmentiu. Quis uma acareação. Recusou-se. Saiu vociferando contra tudo e todos. Até a secretária eletrônica se tivesse poderes de interagir teria lhe chamado atenção.
Nunca mudou. E era feliz.
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