Roberto surgiu. Alto, imponente. Era uma presença naquele bar Sempre no mesmo horário e dia. Domingo à noite. Justo no famigerado Domingo, à noite.
Domingo à noite, portanto, para tantos e a mim também ressoava certa melancolia. Trata-se de um dia santo nesse país tropical e cristão. Nos tempos de infância, quase tudo cerrava as portas. Não se via aquele padeiro, aquela madame perfumada. A oficina e o seu perfume de graxas. Tudo muito curioso, justo porque num país superpopuloso, logo, sempre disposto para oportunidades, pois está permanentemente em crise, e que decide morrer no sétimo dia. E o que se faz? Assiste-se ao futebol, na sequência, em que se assistiu à missa. Hoje em dia, colocaram o futebol no mesmo horário de algumas missas. Quando havia o Maracanã e seus artistas verdadeiros, jogava-se um dia de glória. Ao menos para uma criança bastante interessada.
O abominável sétimo dia antecipava o primeiro dia da semana e dos horrores semanais, após aquela derradeira música e coreografia típica, geralmente inclinada à cafonice, dos programas dominicais. Eis que emergia então aquela ordem imperativa: ' Hora de dormir'. Mandava-se a pobre criatura para o quarto escuro. Era o mesmo que mandar alguém para a puta que lhe pariu. E nunca se revelava onde se esconde essa senhora: a tal da puta que alguma coisa pariu. Para mim, a mensagem decodificada sob forma de ordenação indicava um compromisso vital para o dia seguinte . E também o era. Mas.... Êta troço e maneiras mais opressivas. Detestava aquilo tudo. E não havia espaço para maiores conversas. É assim e ponto!
A maldita da sala de aula para um eu-pequeno - desses sem a menor autonomia e assujeitado às vontades dos outros maiores- era uma assombração.Igual às histórias infantis. E o uniforme? Nos períodos autoritários, o cidadão sem maiores mediações ou poderes permanecia com seus direitos à reboque de baionetas surdas. Fingimos que aderimos à máxima - quase um axioma minimalista, elegante:"Manda quem pode. Obedece quem tem juízo". De fato, com o acréscimo dos cabelos grisalhos ou a falta deles, reconhece-se que se trata de uma orientação para vida toda. Mas não exageremos na dose do veneno, pois pode retardar o processo de crescimento. Qualquer crescimento.
Tantas são as possibilidades, tantos talentos possíveis para emergir e essa burocracia reacionária a atrapalhar. Um calendário gregoriano, necessário feito bússola, para ajuizados ou não, mas que pode muito bem ser relativizado.Ignorar suas amarras, seus festejos cada vez mais enfadonhos e quase sempre imperativos, feito a ordem materna, aos Domingos, e que não cessam de ser tão somente Domingos. Ainda que a gravidade insista- para sempre- em nos puxar para baixo e o espaço acima da cabeça seja apelidado, equivocadamente, de céu. Morada para os crentes, alguns mitômanos gregos e seus seres alados.
Nenhum ato criativo - quanto mais um ato de criação que nos traz o novo, o quase impensável até agora- haverá, se por um outro acaso essas referências não forem dribladas, suspensas um pouco. De preferência, todo dia. Difícil, não? Dificílimo.
Tão difícil quanto lidar com a presença contundente de Roberto. Escorado pela sua inseparável mochila que abrigava os seus escritos e desenhos, postava-se no balcão do bar, sempre aos Domingos à noite. Naquela esquina do Leblon. Onde o passar das horas não prometia amanhã. As tais esquinas podem ser fascinantes. No caso das esquinas em porre...Ainda mais. São muitas as trombadas que se aglomeram. Por exemplo: e o vai e vem das pessoas que saem do cinema em frente? Fincado, majestoso, há décadas, no outro lado daquela mesma esquina. Um vai e vem, ou seja, uma transa. Depois e daquele escurinho com pipocas.
Obsessivamente, exatos trinta minutos após a despedida final do apresentador de um programa nada 'Fantástico'- mas também provisória essa despedida , visto que ele retorna, não ao mesmo lugar , mas ao mesmo canal, faz mais de 30 anos-, esse engenheiro aposentado de repartições, mas repleto de invenções, e cuja carreira lhe rendeu promoções e comendas, atracava pesado. Era alto e robusto.
Um conhecido de nós dois nos fez conhecer um + o outro. Lembro-me da advertência que o mediador proferiu: ' Agora que você se aventura pelas investigações sobre o psiquismo humano, um prato repleto de diversidades - muitas bem estranhas, bem verdade, estão aqui para o seu dispor.' As palavras foram mais ou menos essas. Esse rapaz era bastante formal. Tomava cerveja sem álcool. O que era uma novidade naquele momento, mas sobretudo um alívio para um ex-alcoólatra. O quê ele mais gostava pra valer era poder sentir ainda a espuma cremosa banhando os seus lábios e apreciar a coloração da bebida sob a luz específica e que ficava no teto, no céu, daquele boteco. Irônico ( irônico?), virou-se para o lado e partiu. Não me lembro de tê-lo encontrado novamente. Ao menos, naquelas noite dominicais.
Jogo feito, banca forte. Como na canção. Qual foi o bicho que deu? Deu águia e a sua sorte. O alto e imponente era também simpatizante da Portela.
Iniciava-se uma camaradagem que duraria uns 10 anos mais ou menos. Foram muitos os Domingos e até mesmo alguns Sábados - quando por algum tropeço 'quântico', ele decidia mudar sua intocável rotina- permitindo-se uma deslocada para outros lados. Talvez tenha sido um dos homens mais cultos e inventivos que jamais conhecera. E também um dos mais paranoicos.
Uma paranoia, a bem dizer, que não era somente adjetiva - expressão de senso comum - , mas estrutural. Do ponto de vista nosológico. Relembrando que a nosologia é a área de pesquisa que classifica afecções, doenças. E temos de um tudo um pouco. Cada um. Antes de sair xingando o vizinho mais próximo, cuidado com o próprio quintal e seus dejetos, por vezes, mal cheirosos. E o responsável, muito provavelmente, não terá sido o cachorrinho daquela madame perfumada que não pode comprar aquele brioche, já que lhe fecharam portas na cara bem maquiada, nesses dias de alguma melancolia. E olhemos que ele, o cachorrinho, ainda é inimputável. Mas por pouco tempo. Em breve, haverá legislação e legisladores de quatro patas.
Roberto, o novo amigo, ficaria irritadíssimo com essa ladainha. Sua parana permitia somente a presença imperativa, superegóica, das formações que sustentavam as suas elucubrações. Não havia equivocação possível. Tropeço nem pensar. Só o quântico, eventural, acidental. Mesmo assim não era reconhecido por ele como tal. Esbanjava um riso, aflito, para tão logo mudar de tema. Tudo na sua fala e produção era muito, mas muito formatado- com seriação e lógica bem pertinentes-. Tudo inclusive foi testemunhado por várias pessoas e até instituições. Infernizava, por exemplo, a redação do Jornal do Brasil ( Jornal do Brasil foi um jornal que existiu brilhantemente no país tropical e cristão) , afirmando que muitas das matérias ali publicadas eram de sua autoria. Reclamava também pela não publicação de seus inúmeros desenhos ( tinha um traço excelente) ou cartas que tinham sido enviadas, por ele mesmo, ao periódico. Eram dezenas delas. O editor, furioso, chegou a lhe sugerir se não estava disposto a fazer uma proposta de compra aos donos do jornal. Assim, teria a seção de cartas ao seu dispor. Além da capa, a contracapa , mais o caderno B ( Que saudades do caderno B!) , o caderno de esportes, o caderno Ideias. Imaginem o Roberto se apossando dos classificados de anúncios? Seria ao mesmo tempo anunciante/anunciado. Onipresente. E ele achava que não tinha cacoetes religiosos...Atormentou também a assessoria de um primo famoso e que presidiu, no Governo de José Sarney, o Senado Federal.
Inventor de apetrechos adoráveis , tais como aquela outra mochila enorme que abrigava um guarda sol/guarda-chuva e que possuía um dispositivo automático que não o deixava na mão. Um leve toque num botão bastante acessível e ele se abria. Testemunhei o fato, numa tarde ensolarada, em plena praia. As pessoas de sungas e fios dentais gargalhavam diante do fato. Ele prosseguia impávido, solitário.
Uma cadeira automática e com rodinhas de poliuretano - para não arranhar o piso do apto lebloniano e que pertencia ao único irmão- fazia-lhe companhia , sobretudo, nas madrugadas. Ele a inventara. 'Por que não tenta patentear suas criações? Poderia lhe render um bom dinheiro?'- insisti. 'Não tenho paciência para lidar com esse tipo de negociata'- respondeu com certo desprezo. Justo aquele Roberto marxista e que vivia no imóvel do irmão afortunado. Nada mais marxista! Aquela esposa rica, aquele Engels carregador de piano e um Marcuse, mais sofisticado, para divulgar sua teoria. O irmão- creio que o único- era um executivo de sucesso, em São Paulo. Deixara, além do imóvel, um Opala, anos 80, para um passeio saudoso pela orla carioca quando por aqui desembarcasse. Restava ao irmão inventor ressuscitar o monstro mecânico, duas vezes por semana, girando uma chave, esquentando seu motor. Algo que de fato ele detestava, pois odiava os automóveis. Ainda que estacionados, inofensivos nessa posição. Só não os apedrejava publicamente- fazia isso nos desenhos e textos- porque mantinha as recordações dos tempos em que levava as deusas- suas ex-namoradas assim conclamadas- para a Barra da Tijuca ou para o Recreio dos Bandeirantes. Os 'monstros mecânicos ' serviam de abrigo para o namoro. Relembro a cena : seus grandes óculos bifocais vibrando de entusiasmo ao tagarelar pela milésima vez sobre as suas conquistas amorosas. Mãos trêmulas, lábios molhados: ' As deusas....As deusas!'- repetia em alegrias. Esquecia então de toda a praga que rogava diuturnamente aos automóveis e seus usuários.
Um outro alguém teria dito que o coração para tanta razão talvez viesse do fato, traumático, dele ter perdido uma dessas deusas num acidente entre carros e seus condutores. Vinha daí o horror, a rejeição. A parana também estava circulando por aí. Retirava a função, a materialidade, a ideia, o conceito da formação carro e enfiava umas articulações paranoicas na mente. O carro fazia diabruras; não os seus condutores.
Quando o ex-presidente Collor foi afastado, ele estava no bar. Ele e quase todos nós. Aliás, muitos entusiastas naquele momento e que agora... Deixa para lá. Alguns bilhões não valem uma abominável Fiat Elba, nem tampouco um chafariz em casa de dindas.
Creio que alguma coisa por aqui passou a escutar o silêncio da própria imprudência. Quero dizer: da minha própria imprudência. Escutar e calá-la. Deixar comichões em suspensão e à espreita. Deixar a conversa fluir- por mais louca que parecesse ( e era mesmo) - e somente perguntar, sorrir sem razão. Sorriso de bem vindo. Eventualmente, posicionar-se com mais firmeza. Caso contrário, não haveria amizade alguma. Ele tinha mais maluquices supostas que muitos de nós, mas não era burro. Pelo contrário. Tinha desprezo por burrices a mais.
Uma noite, e que não se chamava de Domingo, olhei para o lado e o vi. Fazia alguns anos. Sentado, não mais encostado. Frágil. Não mais imponente. Nem mochila, nem apetrechos criativos.Um jovem rapaz lhe fazia companhia. Vestia branco, esse mancebo. Seria um filho de santo? Pálido, bem mais magro esse novo Roberto.
Aproximei-me. Falei com o rapaz que observou a minha aproximação. Atento, malandro.Parecia um bichano acuado, mas com alguma armadilha preparada. Apresentei-me. O rapaz respondeu avisando: 'Dr. Roberto. Seu amigo, fulano de tal'. Nessa hora, eu já esperava pelo pior. A cabeça virou um pouco para trás; um pouco para o lado. Não eram mais os mesmos óculos, apesar de idênticos. Aquele olhar-óculos estava num outro canto. Estaria maquinando invencionices? Confabulando contra o editor de algum jornal que não publicava mais as suas cartas-desenhos? Teria se desiludido com alguma das deusas? Ele adorava as meninas campeãs do vôlei. Perseguia algumas delas- nas tardes da falecida lanchonete 'Chaika', Ipanema-, com cavalheirismo e uma rosa nas mãos. E é claro: com seus textos-desenhos. Que quase ninguém entendia. Além de uma confusão bem particular, havia uma erudição em jogo. A banca do engenheiro trazia expressões em Latin e até em grego.
Não.Aquela não-expressão no rosto do amigo intelectual trouxe o meu pai e a sua enfermidade - faz dez anos que ele padece com uma demência senil- para o Leblon e aquele instante triste. Estava feito. Ele era realmente um outro. Tão somente e solitariamente, o inventor sorriu e fez um aceno. Éramos de novo estranhos. 'Muito prazer'. 'Muito prazer?' Faltou dizer.
Roberto Frageli morreu em Janeiro de 2010, aos oitenta e poucos anos. Fui atrás da informação na central nacional de óbitos ou coisa mórbida semelhante, porque já tinha escutado diversas versões sobre o seu fim ou não. Houve quem dissesse que ele estava bem e que o tal rapaz que o acompanhava (uma especie de enfermeiro) manipulava seus remédios, fazia-lhe umas maldades. Contudo, há controvérsias sobre essa maledicência toda.
Coube à amiga e companheira de longas jornadas decidir por relembrar o Roberto em comum, numa prosa internética, dizendo acreditar que ele não estava mais no pedaço ou fincado em qualquer outra esquina. E ele a adorava. Era mais uma deusa da sua lista. -'E com aquela voz'!! - exaltava.
Decidi, portanto, desse outro modo internético, por um ponto final nessa história. Foi um prazer, amigo.
terça-feira, 7 de junho de 2016
quarta-feira, 18 de maio de 2016
O côncavo-convexo. Nossas ilusões.
Vejo um espelho tão pessoal que ao focar no retrato côncavo e convexo desenhado , porque esse espelho é feito de limitações, imagens outras não me oferecem nada a não ser ilusões.
Quebrado o espelho, resta uma miragem do que pode ser apelidado EU. Tantos eus. Hiper-polar. Não somente bi-polar. Bi-polar é para iniciantes.. Perguntem às Pessoas do Pessoa. Aquele Fernando, aquele mesmo outro. O tal português.
Moço ébrio e de boa família.
...
Quebrado o espelho, resta uma miragem do que pode ser apelidado EU. Tantos eus. Hiper-polar. Não somente bi-polar. Bi-polar é para iniciantes.. Perguntem às Pessoas do Pessoa. Aquele Fernando, aquele mesmo outro. O tal português.
Moço ébrio e de boa família.
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Vota inconsciente. Afinal, existe outro sistema mais fidedigno?
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quarta-feira, 27 de abril de 2016
Conversando com estátuas. Papo futuro.
No seu livro mais conhecido, A Rebelião das Massas, escrito na segunda metade dos anos 40, século XX, o espanhol José Ortega y Gasset, dentre outras importantes considerações, cunha - palavra cujo nome próprio em território brasileiro ressoa turbulências- uma pérola de letrinhas em que afirma: 'Conversando com estátuas'.
Conversar com certas estátuas, no caso do intelectual Gasset, era hábito seu quando visitava outros países e por lá não tinha vínculo com outras estátuas de carne e osso. Essa formação primária tão frágil e quase patética. O nosso corpo. Moldado de cabeça, afetos, e cujo tronco e os outros membros são decantações resultantes a sustentar o resto da carcaça.
Não se sabe se por deliberação antisocial ou por distanciamento entre línguas estrangeiras- apesar que informes dão conta de que o escritor era poliglota- , ele quase não mantinha contato com locais. Portanto, estabelecia falações, monólogos sem réplicas com essas celébres esculturas.
Quando visitava Portugal, por exemplo, cumprimentava de Pombal a Pessoa. Na França, Itália ou na imperial Áustria era um orgia de dizeres proferidos aos bonecos, muitos deles, feitos de bronze. Diante da sua erudição comentava-se que bonecos mais exaltados teriam tentado alguma réplica. Até com contundência. Porém, incapacitados pelo peso da fantasia e o tempo a corroer, desistiam. Restava o silêncio e uma biografia bastante consistente a se argumentar.
Diante disso, tenta-se fazer o mesmo , por aqui, antiga Guanabara, nas localidades vizinhas e seus arredores. A mais recente peça bronzeada a se exibir está postada próxima ao oceano e suas arrebentações. Puseram-lhe uma luz particular cuidando assim da sua integridade física de estátua. Ganhou o nome de Tom Jobim. Também já houve relatos de que o teriam confundido com um outro alguém. Ali por perto, talvez um quilômetro e pouco de distância, caminhando-se para o Centro, Carlos Drummond já virou Santos Dumont - o maior pássaro brasileiro- e Dorival Caymmi se tornou o Tio Barnabé das fantasias de Monteiro Lobato e o seu planeta feito de sítio. Pintado de amarelo. Por um bendito pica-pau. Nada que não possa ser esclarecido com o tempo. Resta saber qual?
O aqui e o agora dependem sempre de um mínimo de interlocução para que os personagens em transa conversem. Os que estão fora dessa transação, obviamente, existem também. Não se pode dizer que não estando aqui, não existem lá fora (entenda-se que o fora nada tem a ver com posições transcendentes; outro mundo). Todavia, não estão nessa transa de agora. Talvez por isso a necessidade dessa consideração. Dessa fala - ainda que equivocada- sobre o fato abordado. Alguém será interlocutor para que se possa, inclusive, chamar-se de alguém. Esse narcisimo de alteridades que nos compõem. Além do mais, ninguém fala sozinho. Nem mesmo com estátuas.
Ao se reportar às formas de concreto, José não tinha só uma pedra ou um pedaço de bronze em seu caminho. Tinha uma constelação inteira feita de saberes a lhe invectivar, para o resto da vida. José, além do brilho intelectual, era também muito destemido.
O que foi demasiadamente desagradável, no iniciar desse périplo, é que muitas dessas obras estavam degradas e tiveram suas partes íntimas violadas. Arrancam-lhes os braços, as pernas, o nariz, violam o animal que fora aliado na conquista, naquela batalha e assim adiante. A alma, enfim, se acaso houvesse de fato: início e fim. Duas ilusões da nossa existência. Os óculos do escritor..... Pois é: como se atrevem a roubar os óculos do escritor que não poderá de outra maneira escrever de punho próprio as suas histórias? Nossas histórias. Ainda que se confunda o Pelé com o Edson, não deveríamos pintar com boçalidades borradas a história de quem construiu histórias, tornando-se monumento. No Brasil, de agora e outrora, o que é de domínio público está para ser violado, apropriado ilegalmente. Tornado instrumento público das minhas perversidades mais recônditas. E o malfazejo responderá ao ser indagado/a sobre seus atos: ´Porque sim. Porque assim o quis.'
Ortega y Gasset discorre sobre uma época pós-segunda grande guerra. Guerra essa que para muitos comentadores foi uma extensão da primeira e que ainda não acabou. E não haverá como ter fim. Os inúmeros mortos e feridos compondo uma mescla de ressentimento, mágoa, ódio - para que tanto amor?- entre os sobreviventes e herdeiros dessa incivilidade. O pensante espanhol ainda teve que se haver com aquela guerra civil sanguinária entre toureiros e toureiros e que Picasso a pincelou de Guernica. Ele morre, nosso José, em 1955, e escapou da ditadura do Generalíssimo Franco ( torcedor do Real Madri). O desgraçado do ditador fascínora ( redundância) só morrerá nos anos 70.
Ele também faz críticas duras a certos aspectos democráticos e aponta a falação sem propósito e a degradação da formação do homem como algo bastante preocupante. Imagine se ele estivesse por aqui e agora, nessa contemporaneidade que flerta com ideais medievais. E do pior período da idade média. Pois ela durou uns 4 séculos mais ou menos.
O mundo cresceu muito. Tem gente demais pra todo lado. E a formação humana se deteriora. Quando olho para alguns dos meus tão prezados hábitos, assusto-me. Acho tão medíocre que um cachorro se aproxima e faz saudação. Parece reconhecer um par. Tenta-se estabelecer uma conversa com semelhantes e o susto e o desânimo comparecem nessa resultante de solidão. O momento é pleno de reatividades. O quanto de meu corpo tomado de sintomas mal editados se expressam. Temos opiniões sobre quase tudo sem ter havido a preocupação primeira de se estudar primeiro. E o politicamente correto? Insuportável no falso modernismo movido a malcriações, falta de educação e que confunde rebeldia profícua , feito a de Ortega y Gasset e seus amigos agora estátuas com delirações anarquistas e outras piadas sem graça. O tal modernismo, se houvesse, teria um mundo de analistas, artistas de fato, de poetas com a vida. Eventualmente um verso.
Numa manhã, supomos que era dia e deveras cedo, afinal não se faz outra coisa, Millôr Fernandes lembrava que ateísmo de verdade era para quem gozava de boa saúde. Acrescento que, além da saúde, as finanças também devem estar tranquilas a garantir certos consumos burgueses deliciosos para o meu tesão pulsional. Não é mesmo companheiro comunista a denegar a reserva cambial do capital inconsciente? Ou não há gente? Freud já apontara que Marx era um brilhante economista , mas que não entendia nada de gente. Sonhava com mercados fechadinhos, estados gulosos, obesos mórbidos, opressores, demasiadamente reguladores, perdulários, com suas mais valias do ponto de vista do patrão- ele próprio e seu casamento com moça rica, próspera- guerras de classes ( como se já não tivéssemos tantas batalhas desde sempre, independente do sistema e forma de governos. Ora! Nunca ouvistes falar em família? ) , e outras posições que insistem na afirmação que somos todos iguais. Não somos! Somos bem diferentes e ainda bem. Temos heranças genéticas e a epigenética comparecendo o tempo todo e modificando a expressão de certos genes. A tal ideia de sobredeterminação freudiana e um velho Lamarck revisitado, depois de desmoralizado pelo triunfo Darwinista. Cada um de nós tem nome próprio. E nasceu único. Quando se casa, faz-se dois e não um.
Faz muito tempo, escrevi um texto e que fora apresentado num evento insitucional onde contrapunha o mais valia marxista e o conceito de mais gozar e sua onda de significantes lacaniano. Elogiaram aquilo. Uma saudosa colega, psicanalista e professora de arte e filosofia da PUC/RIO, telefonou-me e brindamos. Não serve mais para nada. Não faz gol nesse século que se está e o que virá. Serviu. Teria servido mais em outra época. E já foi muito. Ideias, teorias, assim como remédios, comida, certos vínculos, produções artísticas e tudo o que ficou de fora dessa pequena lista ( aquela estátua lá do início acaba de nos estirar o dedo) são datadas. Tem a tarja preta a informar: prazo de validade tal. Passou do prazo, vira veneno. Porque não surtirá efeito. Só sugestão, esperança. Logo, ilusão.
Quando se escuta pela primeira ou enésima vez essa expressão 'datada' apavora-se. Nossa obsessividade tão cara, chacoalha forte. Garantia zero em última instância. Toda ciência só pode ser exata sob suspeição e quando encaminhada para depois, pra frente. Lembram do herói estruturalista, Descartes? O que melhor se retira daquela enciclopédia é que somos capazes e devemos sempre .... suspeitar. A dúvida nos compõem também. É o anti-narcisismo dos profetas, dos oráculos, dos que acham que tem a boa solução para o buraco fundo do mundo, das almas mais honestas e cínicas. Portanto, militante do reino das desilusões - com muito humor e pé nas nuvens- não esperemos por popularidade ou multidão a lhe cortejar. Aliás, multidão não faz singularidade. É uma manada de abestalhados chacoalhando. Nunca me viram num estádio de futebol a chacoalhar? Será que posso abrir mão disso, um dia? Certas festas e carnavais já se foram.
Não sei a quantas anda a nossa indestrutível infância, mas por aqui e agora, envelhece-se. Por enquanto, numa boa. O mundo se estreita para qualidades maiores. Papo de estátuas?
Conversar com certas estátuas, no caso do intelectual Gasset, era hábito seu quando visitava outros países e por lá não tinha vínculo com outras estátuas de carne e osso. Essa formação primária tão frágil e quase patética. O nosso corpo. Moldado de cabeça, afetos, e cujo tronco e os outros membros são decantações resultantes a sustentar o resto da carcaça.
Não se sabe se por deliberação antisocial ou por distanciamento entre línguas estrangeiras- apesar que informes dão conta de que o escritor era poliglota- , ele quase não mantinha contato com locais. Portanto, estabelecia falações, monólogos sem réplicas com essas celébres esculturas.
Quando visitava Portugal, por exemplo, cumprimentava de Pombal a Pessoa. Na França, Itália ou na imperial Áustria era um orgia de dizeres proferidos aos bonecos, muitos deles, feitos de bronze. Diante da sua erudição comentava-se que bonecos mais exaltados teriam tentado alguma réplica. Até com contundência. Porém, incapacitados pelo peso da fantasia e o tempo a corroer, desistiam. Restava o silêncio e uma biografia bastante consistente a se argumentar.
Diante disso, tenta-se fazer o mesmo , por aqui, antiga Guanabara, nas localidades vizinhas e seus arredores. A mais recente peça bronzeada a se exibir está postada próxima ao oceano e suas arrebentações. Puseram-lhe uma luz particular cuidando assim da sua integridade física de estátua. Ganhou o nome de Tom Jobim. Também já houve relatos de que o teriam confundido com um outro alguém. Ali por perto, talvez um quilômetro e pouco de distância, caminhando-se para o Centro, Carlos Drummond já virou Santos Dumont - o maior pássaro brasileiro- e Dorival Caymmi se tornou o Tio Barnabé das fantasias de Monteiro Lobato e o seu planeta feito de sítio. Pintado de amarelo. Por um bendito pica-pau. Nada que não possa ser esclarecido com o tempo. Resta saber qual?
O aqui e o agora dependem sempre de um mínimo de interlocução para que os personagens em transa conversem. Os que estão fora dessa transação, obviamente, existem também. Não se pode dizer que não estando aqui, não existem lá fora (entenda-se que o fora nada tem a ver com posições transcendentes; outro mundo). Todavia, não estão nessa transa de agora. Talvez por isso a necessidade dessa consideração. Dessa fala - ainda que equivocada- sobre o fato abordado. Alguém será interlocutor para que se possa, inclusive, chamar-se de alguém. Esse narcisimo de alteridades que nos compõem. Além do mais, ninguém fala sozinho. Nem mesmo com estátuas.
Ao se reportar às formas de concreto, José não tinha só uma pedra ou um pedaço de bronze em seu caminho. Tinha uma constelação inteira feita de saberes a lhe invectivar, para o resto da vida. José, além do brilho intelectual, era também muito destemido.
O que foi demasiadamente desagradável, no iniciar desse périplo, é que muitas dessas obras estavam degradas e tiveram suas partes íntimas violadas. Arrancam-lhes os braços, as pernas, o nariz, violam o animal que fora aliado na conquista, naquela batalha e assim adiante. A alma, enfim, se acaso houvesse de fato: início e fim. Duas ilusões da nossa existência. Os óculos do escritor..... Pois é: como se atrevem a roubar os óculos do escritor que não poderá de outra maneira escrever de punho próprio as suas histórias? Nossas histórias. Ainda que se confunda o Pelé com o Edson, não deveríamos pintar com boçalidades borradas a história de quem construiu histórias, tornando-se monumento. No Brasil, de agora e outrora, o que é de domínio público está para ser violado, apropriado ilegalmente. Tornado instrumento público das minhas perversidades mais recônditas. E o malfazejo responderá ao ser indagado/a sobre seus atos: ´Porque sim. Porque assim o quis.'
Ortega y Gasset discorre sobre uma época pós-segunda grande guerra. Guerra essa que para muitos comentadores foi uma extensão da primeira e que ainda não acabou. E não haverá como ter fim. Os inúmeros mortos e feridos compondo uma mescla de ressentimento, mágoa, ódio - para que tanto amor?- entre os sobreviventes e herdeiros dessa incivilidade. O pensante espanhol ainda teve que se haver com aquela guerra civil sanguinária entre toureiros e toureiros e que Picasso a pincelou de Guernica. Ele morre, nosso José, em 1955, e escapou da ditadura do Generalíssimo Franco ( torcedor do Real Madri). O desgraçado do ditador fascínora ( redundância) só morrerá nos anos 70.
Ele também faz críticas duras a certos aspectos democráticos e aponta a falação sem propósito e a degradação da formação do homem como algo bastante preocupante. Imagine se ele estivesse por aqui e agora, nessa contemporaneidade que flerta com ideais medievais. E do pior período da idade média. Pois ela durou uns 4 séculos mais ou menos.
O mundo cresceu muito. Tem gente demais pra todo lado. E a formação humana se deteriora. Quando olho para alguns dos meus tão prezados hábitos, assusto-me. Acho tão medíocre que um cachorro se aproxima e faz saudação. Parece reconhecer um par. Tenta-se estabelecer uma conversa com semelhantes e o susto e o desânimo comparecem nessa resultante de solidão. O momento é pleno de reatividades. O quanto de meu corpo tomado de sintomas mal editados se expressam. Temos opiniões sobre quase tudo sem ter havido a preocupação primeira de se estudar primeiro. E o politicamente correto? Insuportável no falso modernismo movido a malcriações, falta de educação e que confunde rebeldia profícua , feito a de Ortega y Gasset e seus amigos agora estátuas com delirações anarquistas e outras piadas sem graça. O tal modernismo, se houvesse, teria um mundo de analistas, artistas de fato, de poetas com a vida. Eventualmente um verso.
Numa manhã, supomos que era dia e deveras cedo, afinal não se faz outra coisa, Millôr Fernandes lembrava que ateísmo de verdade era para quem gozava de boa saúde. Acrescento que, além da saúde, as finanças também devem estar tranquilas a garantir certos consumos burgueses deliciosos para o meu tesão pulsional. Não é mesmo companheiro comunista a denegar a reserva cambial do capital inconsciente? Ou não há gente? Freud já apontara que Marx era um brilhante economista , mas que não entendia nada de gente. Sonhava com mercados fechadinhos, estados gulosos, obesos mórbidos, opressores, demasiadamente reguladores, perdulários, com suas mais valias do ponto de vista do patrão- ele próprio e seu casamento com moça rica, próspera- guerras de classes ( como se já não tivéssemos tantas batalhas desde sempre, independente do sistema e forma de governos. Ora! Nunca ouvistes falar em família? ) , e outras posições que insistem na afirmação que somos todos iguais. Não somos! Somos bem diferentes e ainda bem. Temos heranças genéticas e a epigenética comparecendo o tempo todo e modificando a expressão de certos genes. A tal ideia de sobredeterminação freudiana e um velho Lamarck revisitado, depois de desmoralizado pelo triunfo Darwinista. Cada um de nós tem nome próprio. E nasceu único. Quando se casa, faz-se dois e não um.
Faz muito tempo, escrevi um texto e que fora apresentado num evento insitucional onde contrapunha o mais valia marxista e o conceito de mais gozar e sua onda de significantes lacaniano. Elogiaram aquilo. Uma saudosa colega, psicanalista e professora de arte e filosofia da PUC/RIO, telefonou-me e brindamos. Não serve mais para nada. Não faz gol nesse século que se está e o que virá. Serviu. Teria servido mais em outra época. E já foi muito. Ideias, teorias, assim como remédios, comida, certos vínculos, produções artísticas e tudo o que ficou de fora dessa pequena lista ( aquela estátua lá do início acaba de nos estirar o dedo) são datadas. Tem a tarja preta a informar: prazo de validade tal. Passou do prazo, vira veneno. Porque não surtirá efeito. Só sugestão, esperança. Logo, ilusão.
Quando se escuta pela primeira ou enésima vez essa expressão 'datada' apavora-se. Nossa obsessividade tão cara, chacoalha forte. Garantia zero em última instância. Toda ciência só pode ser exata sob suspeição e quando encaminhada para depois, pra frente. Lembram do herói estruturalista, Descartes? O que melhor se retira daquela enciclopédia é que somos capazes e devemos sempre .... suspeitar. A dúvida nos compõem também. É o anti-narcisismo dos profetas, dos oráculos, dos que acham que tem a boa solução para o buraco fundo do mundo, das almas mais honestas e cínicas. Portanto, militante do reino das desilusões - com muito humor e pé nas nuvens- não esperemos por popularidade ou multidão a lhe cortejar. Aliás, multidão não faz singularidade. É uma manada de abestalhados chacoalhando. Nunca me viram num estádio de futebol a chacoalhar? Será que posso abrir mão disso, um dia? Certas festas e carnavais já se foram.
Não sei a quantas anda a nossa indestrutível infância, mas por aqui e agora, envelhece-se. Por enquanto, numa boa. O mundo se estreita para qualidades maiores. Papo de estátuas?
sexta-feira, 18 de março de 2016
Desvio de FINALIDADE funcional.
Diante de tanto desatino.Desvio de finalidade? Tesão. Ainda acho que um Moro reelege Luís Inácio. E Francisco , The Pope, elege Trump. Os protestantes , a grande maioria nos EUA, agradecem.
Quando Alan Turing e mais posteriormente Bill Gates, Steve Jobs , produziram artefatos que mudam nossos modos de interagir ou nos destruir , a privacidade passou a viajar para o beleléu. Daria no que deu. Sobretudo, na república das bananas.
Décadas depois, o analista de sistemas, Edward ...Snowden, estadunidense que, andou divulgando assuntos secretos e paga um preço enorme por essa rebeldia adorável e imprudente, alertou as autoridades que tiveram ligações telefônicas bisbilhotadas que deveriam se comunicar por criptografia. Ele fica espantado porque não o fizeram. Ainda bem. E anda mal. Se eu posso desconhecer a lei ou sou inimputável , transito por uma certa legalidade até que me provem o contrário . Acontece que eu não posso não conhecer os dispositivos legais. Não me é dado esse direito.
Quando Alan Turing e mais posteriormente Bill Gates, Steve Jobs , produziram artefatos que mudam nossos modos de interagir ou nos destruir , a privacidade passou a viajar para o beleléu. Daria no que deu. Sobretudo, na república das bananas.
Décadas depois, o analista de sistemas, Edward ...Snowden, estadunidense que, andou divulgando assuntos secretos e paga um preço enorme por essa rebeldia adorável e imprudente, alertou as autoridades que tiveram ligações telefônicas bisbilhotadas que deveriam se comunicar por criptografia. Ele fica espantado porque não o fizeram. Ainda bem. E anda mal. Se eu posso desconhecer a lei ou sou inimputável , transito por uma certa legalidade até que me provem o contrário . Acontece que eu não posso não conhecer os dispositivos legais. Não me é dado esse direito.
A tenista Russa ( país tido como o inimigo do Ocidente no momento), Maria Sharapova, não sabia sobre a mudança de uma substância que, de permitida, passou, em Janeiro último, a ser proibida. Depois de anos de carreira, daquela formosura toda e daquele gemido mais potente do que um ACE e nenhuma irregularidade séria ( a não ser a beleza), na sua trajetória, vai tomar um gancho. A medida foi tomada apenas um mês após a mudança da regra. A complexidade dos assuntos jurídicos- porque a nossa espécie é essa confusão mesmo- levam a uma discussão interminável. Não sou especialista em leis. A única lei que me habita é a que diz que eu desejo o impossível sempre. Chama=se pulsão ou tesão. E ela não se realiza de fato, mas há de direito. Essa pulsão sofre de desvios de FINALIDADE mediante a sua não execução de última instância. Conhecemos um pouco sobre gente. É uma pretensão. Igual a toda gente. Com a palavra , The brazilian version of Snowden:
Ver maisquarta-feira, 16 de março de 2016
Suicídio?Terceiro Mandato? Golpe de mestre?
Suicídio?Terceiro Mandato? Golpe de mestre?
Num 16 de Maio de 1990, O ex Presidente , hoje senador e colecionador de Ferraris e outros quitutes, Fernando Collor , juntamente com a sua ministra histérica do dinheiro público, Zélia Cardoso, confiscavam a grana da gente, dos aposentados., dos vivos. Até mesmo a indelével, inefável, caderneta de poupança foi em parte para o beleléu - que nem um Médici abrutalhado (para dizer o mínimo) - ,ousou fazê-lo. No dia em que desceu a rampa MAIS poderosa do país- sem perder a pose imperial- era o ÚLTIMO dia do prazo para devolução do capital tungado. Muitos não se aperceberam. Para o candidato derrotado em 1989, Lula da Silva, não era golpe , e sim, impedimento legal, constitucional, etc e tal. O mundo fica dando voltas... Em Março de 1964 - eu nem era nascido- Jango desafiava a direita empresarial -agrária-católica- brasileira. Certas viagens, medidas temerárias , mas necessárias, provocações inconsequentes e uma guerra quente- fria não existe- abastecendo a parana estadunidense e soviética que navegava pelo globo. Qual foi o crime de Jango? Imprudência, incompetência, arrogância? Isso derruba? JK teve os direitos políticos tungados, também, por que mesmo?
Assistam ao documentário do filho do ex deputado, Flavio Tavares, e que nasceu no exílio, no caso o México de Frida Kahlo, sobre certas operações dos EUA com relação ao Brasil e a declaração de guerra que JFK fez ao nosso país ao convidar o ex-presidente Jango para conhecer as instalações onde se armazenavam algumas bombas nucleares do país do PLUTO-TRUMP. Ou seria Pateta-Trump? Fora um porta aviões ancorado com seu armamento apontado para uma praia de Santos. A expressão de constrangimento e medo no rosto de Jango é nossa também. A não ser para ...deixa solto. JFK não pode assistir ao término precipitado do ex-presidente brasileiro. 'Suicidou-se' - não é assim que querem fazer crer leeoswaldianamente?- um ano e meio antes.
O que me irrita e entristece profundamente é a constatação do fracasso , da degradação, de uma sociedade civil. De um modo deteriorado e boçal de se fazer política. E sem política não há transa entre poderes, não há civilidade. Anarquia é impossível e nada profícuo. Caso houvesse. O mínimo de arquia necessária para quem só pensa em AVANÇAR o sinal fechado. E o tempo todo.
O famigerado estado brasileiro não permanecia mais de uma década sem impedimentos, renúncias, suicídios ( Bala no Peito Mãe Gentil. Pá Pá Rá Pá Pá!!!) , golpes de estado. Agora, somam-se 24.
Faz menos de 2 anos, que certos personagens foram eleitos ou reeleitos. Presidenta, o ex-aliado que preside a câmara federal ( ao cair na porrada com esse elemento re-inicia seu calvário), o Deputado que toma TARJA PRETA com Cachaça e assina ... Sem saber? E sabem quem os elege? Talvez os milhares de votos ou os milhões- no caso dos mais gulosos- brotaram de uma urna sem dono, certamente emprestada?
Collor reduziu ministérios ( uma medida importante no controle dos gastos públicos e para uma gestão mais eficiente, mas perigosa na transa entre os poderes políticos); tungou o capital e não tinha partido político ou estado federativo forte que o apoiasse. Seu encosto partidário desbotava gradativamente. Ele enfureceu o congresso que é muito sensível a quem não tenta barganhar por reeleição ( Governo do PSDB) ou mensalidades metalúrgicas a garantí-lo . A GENI- apelido posto e assumido pelo PMDB- que o diga. Quando Collor decretou seu semi-plano Marshall, alguém que conheço tanto, acompanhava uma reunião na CNI ( confederação nacional das indústrias) e presenciou um quase-infarto e essa declaração de importante dirigente das indústrias do estado mais poderoso da união: 'Antigamente a gente resolvia na bala. Não importa que TENHA sido um aliado.' Futuro anterior.
O homem do kARATÊ já estava com destino traçado. Era só esperar o momento para o tropeço final. Subestimou a tecnologia que surgia e os dados da Receita Federal lhe apresentaram uma realidade preto no branco. Fora uma ex- cunhada bem gostosa, bonita. Aquelas pernas exibidadas felizes e matreiras. Aquele irmão com jeito de marido enganado...Aquele PC.. Era um 386.Pentium. Era o self de uma época.
Ela se casou -depois que ficou viúva, a bem dizer- com o dono da empresa do meu primeiro aparelho de som: um Gradiente. E em 1988, ano da constituição que muitos tentaram impugnar e que hoje os MANTÉM, um ex-deputado, líder partidário com carisma, liderança, conhecimento do jogo político interno e talento para comunicação com as massas inquestionável, teria dito: " Ladrão quando é pobre , no Brasil, vai para cadeia. É FATO. Quando é rico, vira MINISTRO. " Lembram da Mãe Diná? Dinah? Dirá?
Num 16 de Maio de 1990, O ex Presidente , hoje senador e colecionador de Ferraris e outros quitutes, Fernando Collor , juntamente com a sua ministra histérica do dinheiro público, Zélia Cardoso, confiscavam a grana da gente, dos aposentados., dos vivos. Até mesmo a indelével, inefável, caderneta de poupança foi em parte para o beleléu - que nem um Médici abrutalhado (para dizer o mínimo) - ,ousou fazê-lo. No dia em que desceu a rampa MAIS poderosa do país- sem perder a pose imperial- era o ÚLTIMO dia do prazo para devolução do capital tungado. Muitos não se aperceberam. Para o candidato derrotado em 1989, Lula da Silva, não era golpe , e sim, impedimento legal, constitucional, etc e tal. O mundo fica dando voltas... Em Março de 1964 - eu nem era nascido- Jango desafiava a direita empresarial -agrária-católica- brasileira. Certas viagens, medidas temerárias , mas necessárias, provocações inconsequentes e uma guerra quente- fria não existe- abastecendo a parana estadunidense e soviética que navegava pelo globo. Qual foi o crime de Jango? Imprudência, incompetência, arrogância? Isso derruba? JK teve os direitos políticos tungados, também, por que mesmo?
Assistam ao documentário do filho do ex deputado, Flavio Tavares, e que nasceu no exílio, no caso o México de Frida Kahlo, sobre certas operações dos EUA com relação ao Brasil e a declaração de guerra que JFK fez ao nosso país ao convidar o ex-presidente Jango para conhecer as instalações onde se armazenavam algumas bombas nucleares do país do PLUTO-TRUMP. Ou seria Pateta-Trump? Fora um porta aviões ancorado com seu armamento apontado para uma praia de Santos. A expressão de constrangimento e medo no rosto de Jango é nossa também. A não ser para ...deixa solto. JFK não pode assistir ao término precipitado do ex-presidente brasileiro. 'Suicidou-se' - não é assim que querem fazer crer leeoswaldianamente?- um ano e meio antes.
O que me irrita e entristece profundamente é a constatação do fracasso , da degradação, de uma sociedade civil. De um modo deteriorado e boçal de se fazer política. E sem política não há transa entre poderes, não há civilidade. Anarquia é impossível e nada profícuo. Caso houvesse. O mínimo de arquia necessária para quem só pensa em AVANÇAR o sinal fechado. E o tempo todo.
O famigerado estado brasileiro não permanecia mais de uma década sem impedimentos, renúncias, suicídios ( Bala no Peito Mãe Gentil. Pá Pá Rá Pá Pá!!!) , golpes de estado. Agora, somam-se 24.
Faz menos de 2 anos, que certos personagens foram eleitos ou reeleitos. Presidenta, o ex-aliado que preside a câmara federal ( ao cair na porrada com esse elemento re-inicia seu calvário), o Deputado que toma TARJA PRETA com Cachaça e assina ... Sem saber? E sabem quem os elege? Talvez os milhares de votos ou os milhões- no caso dos mais gulosos- brotaram de uma urna sem dono, certamente emprestada?
Collor reduziu ministérios ( uma medida importante no controle dos gastos públicos e para uma gestão mais eficiente, mas perigosa na transa entre os poderes políticos); tungou o capital e não tinha partido político ou estado federativo forte que o apoiasse. Seu encosto partidário desbotava gradativamente. Ele enfureceu o congresso que é muito sensível a quem não tenta barganhar por reeleição ( Governo do PSDB) ou mensalidades metalúrgicas a garantí-lo . A GENI- apelido posto e assumido pelo PMDB- que o diga. Quando Collor decretou seu semi-plano Marshall, alguém que conheço tanto, acompanhava uma reunião na CNI ( confederação nacional das indústrias) e presenciou um quase-infarto e essa declaração de importante dirigente das indústrias do estado mais poderoso da união: 'Antigamente a gente resolvia na bala. Não importa que TENHA sido um aliado.' Futuro anterior.
O homem do kARATÊ já estava com destino traçado. Era só esperar o momento para o tropeço final. Subestimou a tecnologia que surgia e os dados da Receita Federal lhe apresentaram uma realidade preto no branco. Fora uma ex- cunhada bem gostosa, bonita. Aquelas pernas exibidadas felizes e matreiras. Aquele irmão com jeito de marido enganado...Aquele PC.. Era um 386.Pentium. Era o self de uma época.
Ela se casou -depois que ficou viúva, a bem dizer- com o dono da empresa do meu primeiro aparelho de som: um Gradiente. E em 1988, ano da constituição que muitos tentaram impugnar e que hoje os MANTÉM, um ex-deputado, líder partidário com carisma, liderança, conhecimento do jogo político interno e talento para comunicação com as massas inquestionável, teria dito: " Ladrão quando é pobre , no Brasil, vai para cadeia. É FATO. Quando é rico, vira MINISTRO. " Lembram da Mãe Diná? Dinah? Dirá?
quarta-feira, 2 de março de 2016
Dançar à beira do abismo. Então tá.
Dançar à beira do abismo traz uma certa controvérsia em relação ao autor/a dessa frase. Já disseram que ela foi plantada nos grotões do Nordeste brasileiro, mas também creditam a tal sentença a um observador inglês.
Observadores estrangeiros fazem muito sucesso por aqui. Isso não é novidade, visto que temos aquela característica em aceitar sem maiores quastionamentos qualquer saber advindo de fora, e por tabela destruir alguma produção caseira que ainda não tenha feito sucesso nas terras, mantendo o GPS ligado, do tal comentador inglês.
Pegando a versão que parece ter vindo do longínquo sertão nordestino, a frase que baila em torno de precipícios fora acompanhada da suspensão imediata dos festejos carnavalescos em diversos municípios do Estado do Ceará. As cidades, dezenas delas, estavam com dificuldades financeiras sérias e os mais diversos serviços públicos e pagamentos dos servidores paralisados ou atrasados.
O comentador inglês deve bem saber que do ponto de vista da produção em série, uma seriação, o nosso Brasil estatal desenvolve, faz muitos anos, um binarismo em que se escreve populismo-corrupção. Não são sinônimos ou simétricos. É uma resultante e que se põe em prática enquanto forma e sistema de gestão governamental. Independente de ideologia ou inscrição partidária. Uma espécie de metástase cancerosa crônica. Existirão aqueles que vão chamar essa nosologia descrita como um neologismo , mas o fato existe. É óbvio. E não só no nível da fala ou escrita.
Estaríamos suicidas? O quanto de loucura - não que o ato de querer por ponto final na sua vida seja ato tresloucado necessariamente- está governando os nossos vínculos, nossas atitudes, nossos poderes?
O fato de não haver a experiência de morte coloca essa espécie - e aqui nesse caso, uma gente brasileira- com enorme tesão para provocar a sua destruição? Desafiando perigos que podem se tornar irreversíveis? Temerários? Infantis? Mito? E não seria mito tão pouco supor que amanhã haverá pelo simples fato de que se deseja que haja?
Alguns intelectuais discutindo o futuro político existencial do Brasil se perguntavam qual seria o messias- o ser transcendental - a emergir enquanto uma 'salvação' ( as aspas são do texto) para questões tão importantes. Messias tem que ter essa pegada transcendente, caso contrário, toma posse como santo do pau oco. A conversa entre os ditos pensantes não foi presenciada por quem tecla essas letrinhas, mas relatada. Parece que falavam seriedades. Mas é um tanto estranho que um grupo de pensantes possa evocar justamente aquilo que creio ser um dos maiores problemas que norteiam as mentes quase todas e que diz respeito a certas crenças e as suas vicissitudes. Então porque não elegemos, em novo plebiscito, um Rei? Aquele primeiro plebiscito no início dos anos 90 foi de araque. Precipitação de um Ulisses - nosso senhor democracia e os seus olhos da cor do oceano que lhe serviu de túmulo- que parecia antever o próprio fim.
São muitos os reis que dividem o imaginário poderoso do nosso povo. Rei do bacalhau, da canção, rainha dos baixinhos, rei do futebol, da putaria, da cara dura. E assim vivemos uma semi-monarquia popular de fato, mas não de direito. Portanto, somos uma galera que aprecia os fatos...mas não tanto. Se nos é conveniente ou ao menos o for para a nossa patota envolvida tanto melhor. Caso contrário, guilhotina neles.
Nessa mesma época, após rodopios dançantes e confiscos de capital diante do buraco fundo Collorido, um conhecido e respeitado sociólogo teve o nome flagrado na lista de doações de um poderoso contraventor do indelével jogo dos bichos carioca ( assim mesmo no plural. A lista de bicharada é extensa) . A patota aliada disse que tratava-se de um erro político. Porém, tinham dito anteriormente - pouco antes da divulgação da lista completa dos beneficiados e ao saber que um adversário político estava na lista- que esse adversário era um anti-ético e calhorda. Pertencia a uma coligação política tida como reacionária, ultrapassada. E olha que esse 'reaça' havia recebido bem menos da bufunfa. Logo, concluímos que o erro político foi ter sido descoberto enquanto mais um contemplado. E a ideia de ética fica também comprometida e ao sabor do tamanho da sacanagem praticada e dos interesses e seus poderes para decidir. Onde? Localmente ou Global? Todos os humanos nascem iguais e por isso... "Sorry", mas não nascem e não são iguais. Brad Pitt- Bradley para poucos- tem a constituição fenotípica que tem e eu não. A genética e a epigenética foram mais generosas com o estadunidense de Oklahoma. Fora todas as outras formações que podem nos ferrar a vida. Imaginem a criança nascida em ambiente hostil das comunidades miseráveis do Brasil ou as novas crianças afegãs, sírias ou as sobrinhas de Donald Trump? Qual seria a canção de ninar possível? Um Brahms' Lullabye com arranjos explosivos, 'wagnerianos', amputações, sangue no teclado, canalhice racista republicana? Para não se esquecer, não há recordação se o dinheiro-contravenção foi devolvido. A causa era nobre.
À beira do abismo só cabe quem se atreve. E de atrevimento em atrevimento rodopia a canção dessa pátria amada mãe deveras gentil.
Observadores estrangeiros fazem muito sucesso por aqui. Isso não é novidade, visto que temos aquela característica em aceitar sem maiores quastionamentos qualquer saber advindo de fora, e por tabela destruir alguma produção caseira que ainda não tenha feito sucesso nas terras, mantendo o GPS ligado, do tal comentador inglês.
Pegando a versão que parece ter vindo do longínquo sertão nordestino, a frase que baila em torno de precipícios fora acompanhada da suspensão imediata dos festejos carnavalescos em diversos municípios do Estado do Ceará. As cidades, dezenas delas, estavam com dificuldades financeiras sérias e os mais diversos serviços públicos e pagamentos dos servidores paralisados ou atrasados.
O comentador inglês deve bem saber que do ponto de vista da produção em série, uma seriação, o nosso Brasil estatal desenvolve, faz muitos anos, um binarismo em que se escreve populismo-corrupção. Não são sinônimos ou simétricos. É uma resultante e que se põe em prática enquanto forma e sistema de gestão governamental. Independente de ideologia ou inscrição partidária. Uma espécie de metástase cancerosa crônica. Existirão aqueles que vão chamar essa nosologia descrita como um neologismo , mas o fato existe. É óbvio. E não só no nível da fala ou escrita.
Estaríamos suicidas? O quanto de loucura - não que o ato de querer por ponto final na sua vida seja ato tresloucado necessariamente- está governando os nossos vínculos, nossas atitudes, nossos poderes?
O fato de não haver a experiência de morte coloca essa espécie - e aqui nesse caso, uma gente brasileira- com enorme tesão para provocar a sua destruição? Desafiando perigos que podem se tornar irreversíveis? Temerários? Infantis? Mito? E não seria mito tão pouco supor que amanhã haverá pelo simples fato de que se deseja que haja?
Alguns intelectuais discutindo o futuro político existencial do Brasil se perguntavam qual seria o messias- o ser transcendental - a emergir enquanto uma 'salvação' ( as aspas são do texto) para questões tão importantes. Messias tem que ter essa pegada transcendente, caso contrário, toma posse como santo do pau oco. A conversa entre os ditos pensantes não foi presenciada por quem tecla essas letrinhas, mas relatada. Parece que falavam seriedades. Mas é um tanto estranho que um grupo de pensantes possa evocar justamente aquilo que creio ser um dos maiores problemas que norteiam as mentes quase todas e que diz respeito a certas crenças e as suas vicissitudes. Então porque não elegemos, em novo plebiscito, um Rei? Aquele primeiro plebiscito no início dos anos 90 foi de araque. Precipitação de um Ulisses - nosso senhor democracia e os seus olhos da cor do oceano que lhe serviu de túmulo- que parecia antever o próprio fim.
São muitos os reis que dividem o imaginário poderoso do nosso povo. Rei do bacalhau, da canção, rainha dos baixinhos, rei do futebol, da putaria, da cara dura. E assim vivemos uma semi-monarquia popular de fato, mas não de direito. Portanto, somos uma galera que aprecia os fatos...mas não tanto. Se nos é conveniente ou ao menos o for para a nossa patota envolvida tanto melhor. Caso contrário, guilhotina neles.
Nessa mesma época, após rodopios dançantes e confiscos de capital diante do buraco fundo Collorido, um conhecido e respeitado sociólogo teve o nome flagrado na lista de doações de um poderoso contraventor do indelével jogo dos bichos carioca ( assim mesmo no plural. A lista de bicharada é extensa) . A patota aliada disse que tratava-se de um erro político. Porém, tinham dito anteriormente - pouco antes da divulgação da lista completa dos beneficiados e ao saber que um adversário político estava na lista- que esse adversário era um anti-ético e calhorda. Pertencia a uma coligação política tida como reacionária, ultrapassada. E olha que esse 'reaça' havia recebido bem menos da bufunfa. Logo, concluímos que o erro político foi ter sido descoberto enquanto mais um contemplado. E a ideia de ética fica também comprometida e ao sabor do tamanho da sacanagem praticada e dos interesses e seus poderes para decidir. Onde? Localmente ou Global? Todos os humanos nascem iguais e por isso... "Sorry", mas não nascem e não são iguais. Brad Pitt- Bradley para poucos- tem a constituição fenotípica que tem e eu não. A genética e a epigenética foram mais generosas com o estadunidense de Oklahoma. Fora todas as outras formações que podem nos ferrar a vida. Imaginem a criança nascida em ambiente hostil das comunidades miseráveis do Brasil ou as novas crianças afegãs, sírias ou as sobrinhas de Donald Trump? Qual seria a canção de ninar possível? Um Brahms' Lullabye com arranjos explosivos, 'wagnerianos', amputações, sangue no teclado, canalhice racista republicana? Para não se esquecer, não há recordação se o dinheiro-contravenção foi devolvido. A causa era nobre.
À beira do abismo só cabe quem se atreve. E de atrevimento em atrevimento rodopia a canção dessa pátria amada mãe deveras gentil.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
ATÉ BREVE , PAUL. IMPRESSÕES DO IMPRESSIONISTA.
Émile Zola tomou uma frase emprestada de seu amigo de juventude, Paul Cézanne. Colocou essa sentença num dos seus mais famosos romances, 'A OBRA', e sentou a paulada no chamado movimento impressionista nas artes plásticas.
Sanguessuga foi o quadro que nem Cézanne, nem Renoir , Monet ou Degas - amigos e alguns dos principais inventores desse estilo- jamais pintaram. Teria sido a oportunidade para oferecê-la em desagravo à tentativa de destruição. Quem sabe o escritor não havia intuído que aquilo poderia se tornar algo mais importante do que a sua 'Obra'?
Émile já estava consagrado e desprezava os seus outros amigos ou intelectuais que ainda não tivessem obtido sucesso. Leia-se: faturado uma grana, obtido prestígio junto à realeza e outras formas de poder. Ingrato. Edouard Manet - um outro egrégio da turma- pintou-lhe e aquilo roda o mundo.
A provocação, entretanto, suscitou naqueles que foram muito esculhambados pelo escrito de Zola uma reação profícua. Ao invés da desistência, prosseguiram e mudaram as coisas nesse modo de ver. Paul Cézanne sobretudo.
Naquela famosa frase em que se diz que quem não veio ao mundo para incomodar seria melhor que não tivesse vindo, o pincel varreu a região da Provence centenas de vezes. Quando Ambroise Vollard -que se tornou marchand de Paul e de outros - decidiu procurar aquela versão século XIX de anacoreta , sabia que ali estava um olhar transformador. Portanto, um certo mal estar de rebeldias não faz malcriação. Ele incomoda porque se rebela. Mas se rebela com estilo próprio, sutilezas, riquezas, criatividade e até - nos casos mais relevantes- criação de uma estilística nova. Fadiga em relação à mesmice. Picasso ficou abismado com uma pequena escultura de um busto de escravo africano , nas mãos de um Matisse rival. Ali, teve início o seu cubismo transformador. Mesmo que não tenha sido a sua fase mais admirada. Para mim, por exemplo.
Somos uma espécie viciada. Adoramos hábitos que triunfaram. Fazer cocô, xixi. Beber água senão o rim apodrece. Ingerir carboidratos, glicose e proteínas para o boneco não perecer. Do ponto de vista de outras articulações, gostamos de manter certa rotina burocrática, cultural. A cor tal para menininhas e a outra para os menininhos. Imagine se isso cabe na mente de um desses caras citados anteriormente? Esse baile de cores disponíveis ou um ponto de luz na escuridão ( diria um Goethe diante do chamado vermelho) limitado à cegueira voluntária de um aspecto cultural esclerosado.
Aquilo já caducou, mas mantemos. Medo do desconhecido? Conversa fiada. Impossível temer o que não se conhece. Uma ex-mulher, por exemplo, não teme o que não conheceu, durante anos, ( Isso é século passado, pois hoje os casamentos duram até a troca dos presentes nas melhores lojas do ramo, após a festinha) no ex-marido. Sabe muito bem do que se trata. Ao menos deveria, caso contrário, surgirá o personagem todo engravatado e com aquele terno cinematográfico, carregando seu judicialismo pincelado de juízos valorados pela convenção cultural que a estabeleceu. Ou seja: borrou a tela. E o personagem mediando as transas, as negociações, os conflitos, aos quais nos recusamos pegá-los pelas rédeas pertinentes a cada situação e com mãos próprias. O genérico é inimigo das singularidades, das idiossincrasias. Genérico é neo-etologia. " Bom dia, Dr. Cachorro? Como vai a Senhora sua mãe, a Dona Cachorra?"
O excesso de judicialismo que nos submetemos é a comprovação da doença mental que assola a contemporaneidade. O mínimo de verdades que não se suporta- diria uma mente nietzschiana que sempre insiste em retornar porque não há outra saída-.
Onde? Como? O quê? Esse EU que, é tanta coisa e nada além, mente? Aqui e agora? Ficção? Realismo?
Ficamos à beira da estrada coberta por um vendaval de nome Mistral. Vem dos Alpes Suíços. Pontual, furioso e pode dar pinceladas por até 12 dias e atingir os 120 km/h.Temperatura descendo à menos 15 graus centígrados. As lavandas fugiram, esconderam-se dos nossos cavaletes à postos. " Não, senhor. Escafederam-se foi desse vento infernal'- disse aquela senhora que caminhava solitária pela encosta pintada de terracota, em Gordes, Provence. E ela gritou alto na nossa direção, enquanto agarrava sua sacola com as mãos: ' 'Il ya a pas de touristique ici, pendant l'hiver, monsieur' ( Não há turista por aqui no inverno, senhor!). Pobre senhora com calafrios! Ela ignorava que aventureiros-brasileiros-farofeiros formam uma tríade quase inacreditável. Surrealismo?
O hospício que foi habitado por Van Gogh , por último, em Les Baux, foi visitado. Mas Aix en Provence - um algoritmo que movimenta impressões- e pátria de Cézanne, escapou do olhar. Fica para uma outra, Paul. À bientôt.
Sanguessuga foi o quadro que nem Cézanne, nem Renoir , Monet ou Degas - amigos e alguns dos principais inventores desse estilo- jamais pintaram. Teria sido a oportunidade para oferecê-la em desagravo à tentativa de destruição. Quem sabe o escritor não havia intuído que aquilo poderia se tornar algo mais importante do que a sua 'Obra'?
Émile já estava consagrado e desprezava os seus outros amigos ou intelectuais que ainda não tivessem obtido sucesso. Leia-se: faturado uma grana, obtido prestígio junto à realeza e outras formas de poder. Ingrato. Edouard Manet - um outro egrégio da turma- pintou-lhe e aquilo roda o mundo.
A provocação, entretanto, suscitou naqueles que foram muito esculhambados pelo escrito de Zola uma reação profícua. Ao invés da desistência, prosseguiram e mudaram as coisas nesse modo de ver. Paul Cézanne sobretudo.
Naquela famosa frase em que se diz que quem não veio ao mundo para incomodar seria melhor que não tivesse vindo, o pincel varreu a região da Provence centenas de vezes. Quando Ambroise Vollard -que se tornou marchand de Paul e de outros - decidiu procurar aquela versão século XIX de anacoreta , sabia que ali estava um olhar transformador. Portanto, um certo mal estar de rebeldias não faz malcriação. Ele incomoda porque se rebela. Mas se rebela com estilo próprio, sutilezas, riquezas, criatividade e até - nos casos mais relevantes- criação de uma estilística nova. Fadiga em relação à mesmice. Picasso ficou abismado com uma pequena escultura de um busto de escravo africano , nas mãos de um Matisse rival. Ali, teve início o seu cubismo transformador. Mesmo que não tenha sido a sua fase mais admirada. Para mim, por exemplo.
Somos uma espécie viciada. Adoramos hábitos que triunfaram. Fazer cocô, xixi. Beber água senão o rim apodrece. Ingerir carboidratos, glicose e proteínas para o boneco não perecer. Do ponto de vista de outras articulações, gostamos de manter certa rotina burocrática, cultural. A cor tal para menininhas e a outra para os menininhos. Imagine se isso cabe na mente de um desses caras citados anteriormente? Esse baile de cores disponíveis ou um ponto de luz na escuridão ( diria um Goethe diante do chamado vermelho) limitado à cegueira voluntária de um aspecto cultural esclerosado.
Aquilo já caducou, mas mantemos. Medo do desconhecido? Conversa fiada. Impossível temer o que não se conhece. Uma ex-mulher, por exemplo, não teme o que não conheceu, durante anos, ( Isso é século passado, pois hoje os casamentos duram até a troca dos presentes nas melhores lojas do ramo, após a festinha) no ex-marido. Sabe muito bem do que se trata. Ao menos deveria, caso contrário, surgirá o personagem todo engravatado e com aquele terno cinematográfico, carregando seu judicialismo pincelado de juízos valorados pela convenção cultural que a estabeleceu. Ou seja: borrou a tela. E o personagem mediando as transas, as negociações, os conflitos, aos quais nos recusamos pegá-los pelas rédeas pertinentes a cada situação e com mãos próprias. O genérico é inimigo das singularidades, das idiossincrasias. Genérico é neo-etologia. " Bom dia, Dr. Cachorro? Como vai a Senhora sua mãe, a Dona Cachorra?"
O excesso de judicialismo que nos submetemos é a comprovação da doença mental que assola a contemporaneidade. O mínimo de verdades que não se suporta- diria uma mente nietzschiana que sempre insiste em retornar porque não há outra saída-.
Onde? Como? O quê? Esse EU que, é tanta coisa e nada além, mente? Aqui e agora? Ficção? Realismo?
Ficamos à beira da estrada coberta por um vendaval de nome Mistral. Vem dos Alpes Suíços. Pontual, furioso e pode dar pinceladas por até 12 dias e atingir os 120 km/h.Temperatura descendo à menos 15 graus centígrados. As lavandas fugiram, esconderam-se dos nossos cavaletes à postos. " Não, senhor. Escafederam-se foi desse vento infernal'- disse aquela senhora que caminhava solitária pela encosta pintada de terracota, em Gordes, Provence. E ela gritou alto na nossa direção, enquanto agarrava sua sacola com as mãos: ' 'Il ya a pas de touristique ici, pendant l'hiver, monsieur' ( Não há turista por aqui no inverno, senhor!). Pobre senhora com calafrios! Ela ignorava que aventureiros-brasileiros-farofeiros formam uma tríade quase inacreditável. Surrealismo?
O hospício que foi habitado por Van Gogh , por último, em Les Baux, foi visitado. Mas Aix en Provence - um algoritmo que movimenta impressões- e pátria de Cézanne, escapou do olhar. Fica para uma outra, Paul. À bientôt.
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