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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Para amenizar as baixarias que são reflexos dos mandatários que ignoraram o recado dado nas ruas, ano passado, - " Não queremos mais um país desse jeito"- diziam os passos, calejados ou não, de algumas manifestações- relembro um momento da campanha de um amigo de um tio meu, ambos já morreram, numa capital do nordeste. 
Seguia-se o cortejo por um bairro periférico. Naquela época, Natal era uma cidade pequena. Capital do estado, mas pequenina.Logo, muito mais agradável para se viver. O candidato era novato no ofício. Filho de família financeiramente rica e pobre no resto todo. Experiente, o tio cabelo gomalina ouvia o que os moradores do local solicitavam, pediam, reclamavam. A tecnologia naquele momento era made in Flintstones, e se um celular ou tablet surgisse seria excomungado feito desconjuro. Reza braba pra espantar o coisa ruim. Reclamava-se pouco também. Havia uma ditadura. Não havia cidadão. O único que dali brotou foi um Boçalnaro com aparências de um Fidélix. Há controvérsias se ali tem Pessoa.Pois bem. Uma moça, moradora do local, aconchegou-se no tio que adorava um flerte. Ele então lhe perguntou sobre os quereres e como estava a vida. Antes, vasculhou com as garras e a lábia de quem conhecia campanha se a donzela tinha , além dos quereres, uma aliança ou voto de compromisso declarado. Se estivesse registrado em cartório, o tal compromisso, ele anularia, pois era dono de um e o outro era da família do amigo candidato. Ah! O candidato amigo, apalermado, continuava caminhando-caminhando.....sem rumo. A moça era brejeira, brasileira: 'Sr: preciso de uma casa para minha mãe doente, hospital para um outro parente que não tem aonde ir. Também necessito de um carro para o transporte e um amor fiel para o chamego. Ah! Uma bicicleta. E não precisa ser feito aquela do boneco da TV, do cinema, e que avoa'. Ela se referia ao bonequinho do ET , filme do Steven Spielberg e aquela cena linda. Aliás, sonho meu. Bicicleta que avoa.
O tio escutou, levou um beijinho inocente na face, alertou o assessor que pegasse o telefone dela ( ele sempre foi muito cuidadoso com as questões sociais) e falou ao candidato (Aquele! Estão acompanhando ainda ou já se cansaram?):
' Sem problema. Tudo fácil de solucionar. Até amor verdadeiro a gente dá um jeito. Você ainda é novato. Um dia entenderá. O problema aqui, meu caro, é a tal bicicleta. Essa que avoa então....Americano dá um trabalho!'

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

eleições em 2014.

O SR. ROMÁRIO candidatou-se ao Senado Federal porque não gostava muito de treinar. Mas ,se a falecida seleção de futebol não tivesse ido tão bem na última Copa , ele teria maiores dificuldades para jogar futevôlei pelos próximos 8 anos. Com toda aquela mordomia. Quanto à praia....Eles providenciam alguma coisa semelhante, seca, próximo ao Planalto. 
O Sr César Maia-uma das maiores decepções que tive na combalida política brasileira- contava com o efeito Saturnino Braga, ex-senador e prefeito nos anos 80. O tiro saiu por algum poste torto ou pela cidade hiper-faturada da música. Resta esclarecer:
Caiu sobre Saturnino a marca de uma falência local, logo após assumir a prefeitura em 1986. Eleição vencida no ano anterior. Tinha até Alvaro Valle na disputa e o seu PL de beatas tijucanas. O prefeito eleito não foi o único responsável pelo desastre que se seguiu. Ele herdou uma máquina já falida, desmoralizada, burocratizada em excesso, fora os boicotes midiáticos. Vocês sabem a quem me refiro. Discordou e discutiu seriamente com Brizola- então Governador- em vários pontos, e esse lhe conferiu um cerco político intransponível junto ao partido, PDT,- que o abandonou-, e por conseguinte ficou perdido na Câmara Municipal. Até com Gilberto Rodrigues - então presidente da Alerj e espécie de Picianni do high-society - o político gaúcho fez acordo. A briga foi feia.
O ex- professor de Kant quase sumiu da vida pública. Candidatou-se então ao cargo de vereador. Perdeu. Humilhação completa. No ano seguinte ou dois anos depois, elegeu-se senador. Eram duas vagas ao senado que o Rio dispunha Eleição para o Senado tem essa conotação. Há uma preocupação com certa postura, trajetória.. É cara a eleição para o Senado também. Partido aposta alto. Mas a cabeça do eleitor é singular. Até porque, eles adoram declarar que não se interessam por política. Logo, não deveriam votar. Eu não aposto no que não me interessa. Se o voto deixar de ser obrigatório, o comparecimento cairá pela metade. Por isso que obrigam até quem não sabe ler o que a telinha mostra a se perpetuar como escravo. E tem os modismos.Aquele penteado, aquele rabo de cavalo. Muito divertido. E nenhuma graça. Tem a multa. É baratinha para quem pode pagar. Tem sanções. Passaporte, empréstimo, concurso público... Diante de tantos múltiplos, que nos caracteriza, seres de múltiplas personalidades, Pessoas com heterônimos, o voto é inconsciente. E há de se respeitar cada um. Até os votos nulos, os votos brancos, os votos negros , coloridos,...E abstenções. Não sei porque esse último tipo de voto- o que não quer votar - não vence. Acho que estão certos. O professor de Kant talvez discorde, mas ressoa estranheza esse imperativo categórico "democrático". Boas urnas. E olho na fraude.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Na seca da Capital.

E na manhã desinteressante e ainda seca na capital do país a exalar melancolia dissimulada e a uma semana do pleito ( essa palavra é péssima e rima mais com uma outra que exala gases fedorentos), e cujo resultado pode acarretar em certo temor-terror para os próximos anos-, o amalucado do Tocantins - pode ser um estado de espírito- invadiu um hotel e sequestrou um cidadão. Conclamava o cumprimento da lei de ficha limpa. Acrescentou em seu programa de governo que se resolvesse o imbróglio envolvendo o bandido italiano, refugiado aqui, e o nosso governo.
Quando estive há 4 anos na Itália, nenhum italiano estava interessado no assunto. As Brigadas Vermelhas já tinham passado do ponto. Aldo Moro- o primeiro ministro assassinado pelo bando- não era flor para se contemplar na primavera que se aconchega.
Esse rapaz provavelmente estará em algum desses programas desesperados por audiência (Quem sabe um Novo Network, Rede de intrigas, 1976? Seria um novo Howard Beale? ( interpretado maravilhosamente por Peter Flnch e que recebeu o Oscar postumamente).
Podemos vê-lo sentado, bem comportado, dirigindo-se a sua mãe _ a quem escreveu uma carta_ na bancada do Jornal Nacional. Olhos lacrimejantes , A senhorita Poeta lhe dirá coisas maternais. Todo maluco tem mãe que adora cartas de amor. Incrível esse dado. Foi divulgado- tal fato- na data folha ou no Ibope. E no fim, o Bonner lhe dirá que ele tem apenas 5 minutos para nos dizer como resolver os problemas do país. Sem armas falsas ou bombinhas de estalinho. Tudo bem. Também gosto de minimalismos. Mondrian, aquela turma. Mas 5 minutos? O jornal leva meia-hora para não comunicar? Sei não. Pode ser explosivo. De fato.
E o maluco escapou por um triz! O Lutador Minotauro estava no Hotel. E ele lhe ordenou que saísse imediatamente. Quando recebi a notícia do sequestro, em 1978, do Aldo Moro, eu estava preocupado com a Emília, o Pedrinho, O Saci. Era Monteiro Lobato derrotando o minotauro de verdade.Aquele vizinho de Aristóteles, Platão....

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O prefeito não tem pai, Graciliano.

Graciliano Ramos, em 2013, fez sessenta anos de morto. Interessante como um morto tem o seu recorte e existência determinada. Celebra-se o nascimento, mas também o aniversário da sua morte. Essa última celebração ocorre mediante uma presença dolorida chamada saudade. Já as suas Vidas Secas rememoraram setenta anos de eternidade em 2008. A televisão resolveu homenagear Graciliano no ano de 2014. Teria sido pela aridez ou pela secura do clima? Um recorde nesse último verão, temporada 2013/14, e ao que tudo indica deve prosseguir. São Paulo, orgulho caipira do país ao olhos de um carioquismo provinciano, em pleno século XXI ( e tem gente que já conclama pelo 22), promove racionamento de água. Vale lembrar que estamos no Brasil. Não estamos no deserto chileno do Atacama. Mas com um bocadinho a mais de negligência , poderemos nos igualar. Metamorfose de palmeira - dos índios ou não- em cacto.
Graciliano também era alagoano feito Paulo Gracindo, feito Ledo Ivo. Foi prefeito de Palmeira dos Índios - cidade no interior do estado de Alagoas-, e administrou sua região com esferográfica de ferro. Seu pai, um velho coronel local, fora reclamar de alguma coisa e anunciou a sua pessoa imperial como pai do prefeito. E ouviu do ordenança da prefeitura a resposta seca, árida, feito o clima do sertão: ' O prefeito avisou que prefeito não tem pai'. 
O escritor-político foi membro do partidão. Como é sabido, o país tem pelo menos uns 3 partidos comunistas para um zilhão de outros religiosos. Nem a Albânia, maior contrabandista de tabaco do mundo, quiça Coréia do Norte- maior detentora de zumbis por metro cúbico-  tem tanto foice para pouco martelo por lá quanto por aqui se alavanca. Foi preso na Ilha Grande durante a ditadura do populista Vargas, Getúlio Vargas, presidente símbolo desse Brasil a ser reinventado, garantia que não ordenou a sua prisão , mas que também nada fez para que ele fosse solto. 
O autor das vidas secas era a favor de uma certa dose de censura à imprensa. Curioso. Dizia que textos mal escritos deveriam ser proibidos de ser publicados. Poderiam causas danos aos jovens leitores, novas gerações. Interessante. Talvez Graciliano ordenasse à mesma ordenança que fosse enviado um torpedo viral para esse modesto blog, agora umedecido pela garoa que faz dengo e cai devagarinho.. Aliás, como é divertido ser um tanto invisível.  Pode-se dizer as bobagens não caladas em certa prosa. A única bendita sacanagem é que ela pode se espalhar mundo a fora. E essa é a boa intenção e um alívio que a tecnologia nos oferece. E o grande risco também. Portanto, a tecnologia- esse espírito acolhedor e indiferente- apresenta certos mundos de  mentirinhas de fazer rir, porque bem arriscados. Imagina-se Diadorim ou Riobaldo- personagens de um Rosa versado também em sertões-, a teclar algoritmos cibernéticos? Suassuna implicaria. " Pra que tanta frescurice só pra contar mentiras"? Ainda mais naquela secura toda. E nem ao menos uma gota d'água para iludir as ideias.
E as ideias de Graciliano eram potentes, contundentes. Deve-se lembrar que o autor de Angústia- ele não era homem feliz feito zumbis guaranis e suas mucamas-  levava tempo infinito para canetar um parágrafo. Ele esculpia as letrinhas. Dizia de Amado, Jorge; ' Incrível como ele consegue escrever 170 páginas enquanto eu escrevo 17 linhas. Escreve como se fosse mijar'. Seria alguma rixa antiga oriunda do velho partido? Uma contenda de classe? Jorge foi o único escritor brasileiro a ganhar dinheiro nesse país. Tinha o partidão no suporte. E depois, um canal de concessão pública- uma emissora de televisão- a encenar suas Gabrielas e quetais. Jorge foi grande. Além do que, muito hábil nas atuações para sustentar os seus vínculos.Um outro coronel, ACM-Magalhães, político semi-dono do estado baiano ( aparentado ficcional de um coronel Jesuíno), era íntimo. Nunca o político de olhos claros e sorriso de Don Corleone, um godfather com sarapatel, mandou cortar as luzes de sua casa ou do bairro em que vivia e produzia sua vasta obra, por causa de algum entrevero acontecido. Mandava cortar, sim, as luzes dos adversários de urnas ou golpes. Lançava a patota alheia no colo da escuridão. Sob às bençãos dos orixás - mais de um senão perde-se voto, magia-  e regadas ao melhor dendê. ACM- que não se confunda essas letrinhas com qualquer abreviação ou sigla de empreiteira- era homem dadivoso e bastante religioso.
Já o escultor de letrinhas alagoano não tinha essa mesma habilidade e das igrejas não se aproximava de modo algum. Ou seria sinceridade por demais? Essa postura que mesclava e confundia rigor com rigidez? Mas isso pode ser deletério do ponto de vista das mediações afetivas. Afinal, vivemos de mentirinhas de fazer rir e chorar. Pra que tanto fricote? Já ensinou o pernambucano Suassuna. Ele, Vidas Secas, arrumava confusões. Era contemporâneo do seu haver. Tinha guerra mundial esparramada aos quatro cantos. 
Muita gente insiste que aquela primeira grande confusão datada- oficialmente de 1914 a 1918- não terminou até hoje. O que é bem provável, pois não há como apagar qualquer trauma que tenha se fixado. Uma vez marcado, marcado estará. E a marcação acontece porque havia predisposição para tal. O que se resta a fazer é administrar as consequências do estrago.
E administrar um câncer agressivo não foi possível para ele. O homem das vidas secas sofreu um bocado. Seu câncer foi uma mistura de exílio na bela Ilha Grande com probidade nos atos públicos , mais o preciosismo com as letras e falas, somado à morfina que lhe era ministrada pela filha apaixonada. Até hoje, vigora a paixão. Ela brilha Graciliano nos olhos. Nos últimos dias de agonia, presenciou o pai chamar pela mãe. A mãe dele, diga-se. Mãe morta e presente. Coisa fixada e que não se apaga. Está marcado.
Como num delírio, um sertanejo em busca de água para o seu poço fundo avista um ordenança arrastando-se pela terra seca feito lagarto que muda de cor. Seria miragem? O ordenança se aproxima com palmo de língua pra fora a lhe indicar o alvo a ser sugado. Cada um tem o GPS que pode. Repete então a reza com bastante cuidado para não fazer errado. Para que não lhe censurem o dito. Não espantem o espanto.Não lhe cubram o sol. Sua única luz. Entendeu, coronel?! Ofegante e quase morto. "Terei festa daqui a 50 anos? A celebrar minha existência que mais parece grão de areia"?- continuou com a reza. Ele consegue: 
' O prefeito mandou avisar que prefeito não tem pai'.


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Um conhecidíssimo empresário carioca, morto há 10 anos mais ou menos e com quase 100 anos de idade, detestava se reunir para conversar sobre seus negócios, com a sua diretoria se houvesse mais de duas pessoas presentes. Não há concentração. Fica tudo mais ou menos disperso.Fica difícil gerenciar aquilo tudo com toda essa multidão. Ele dizia. Imaginem se esse mesmo empresário testemunhasse as reuniões ministeriais do ex-presidente sindicalista- um oráculo de massas- com mais de 250 mil ministérios a coordenar. Secretarias com status de ministério e por aí foi.Em alguns momentos não havia cadeira para todos os srs ministros pousarem seus traseiros oficiais. É uma espécie de Sarney Way of Life que se eterniza na política do país. O capitão do mato maranhense reiniciou a praticagem ao inchar a máquina estatal, até porque não existe cabo eleitoral mais fiel e fácil de se manobrar e retaliar. Quem diria? O velho senhor adotava algumas práticas comunas.E quem diria que o ator a reduzir esse número de ministérios drasticamente ( acho que eram 15) foi o amalucado- dentre outros adjetivos possíveis- do alagoano Collor. Aí é que ele ficou sem apoio algum no congresso. Congressista carnavalesco é muito sensível a essas reduções. Como diminuir o meu número de blocos e serpentinas? Fora o confisco da grana. Ele se achava um George Marshall. Aquele ex-secretário de estado dos USA, logo após a segunda guerra que completa 75 anos esse ano. A sua ministra da grana queria na verdade um casamento e filhos. Tão original esse querer vindo de muitas mulheres...Vindo sobremaneira de um Gozador. Afinal, era um Chaplin- Anísio- Coalhada-Painho. Fernando Sabino-escritor- que marcou minha vida num Encontro Marcado- dedicou-lhe- dedicado à moça que vive na estranja- uma longa prosa. Quase foi linchado pela opinião jornalística.O dia em que o hoje senador, Fernando Collor, desceu a rampa, expulso do poder por outros poderes, era o último dia do prazo para devolução da grana que tungou da população. Era algo em 1992. Significante mesmo é o dinheiro. Já ensinou Lacan.
Aliás, temos uma constituição parlamentarista em regime presidencialista e com federalismo de mentirinha. Não parece papo de psicótico não. É mesmo.
É quase certo, papo reto, que elegemos um quase rei, agora rainhas, ao invés de republicanos. Nunca escapamos da Casa Grande e da senzala, do patriarcalismo moreno. Um país tão jovem em sua cronologia e tão velho de posturas. E o tal empresário global era freudiano no que diz respeito ao tempo e suas ficções. Ele não reconhecia a idade quase centenária que atravessava. Pensava-se menino.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Terror eleitoral gratuito

Uma curiosidade me assola nesse início de terror eleitoral. Talvez até um sonho ruim. Como terá sido - assim mesmo no futuro do pretérito que é onde a cura pode advir- o álbum de figurinhas ou as brincadeiras infantis do sempre candidato à presidência , O abominável Sr Eymael e o não menos 'adorável' , também candidato a esse cargo aparentemente sem a menor importância, ou seja, a presidência da Res-pública do Brasil, O SR FÉLIX.? Esse último- cujo nome tem a minha simpatia pela lembrança do goleiro Félix (um dos grandes artistas da Copa de 1970)- , promete ENDIREITAR O país. Parece uma cantilena Bolsonariana. Variações boçais à direita.
Na Pernambuco dos anos 40/50, um rapaz magricela ficava na soleira da porta de casa observando e anotando quantos automóveis de chapa fria, ou melhor, os tais carros oficiais- aqueles carros que exibem carteiras modelo " Sabe com quem estás a falar"-, exibidos de placas brancas, atravessavam a sua vista e ambição. De nada adiantava os amiguinhos convocarem o magrela a jogar bola ou se banhar nas águas do oceano mais próximo junto com as belas sereias vizinhas. Sereias à prova de tubarões, dizia a placa do salva vidas. O garoto focado não arredava alma. Hoje, algumas mães de meninos não tão focados avistam tão somente Ritalinas e tarjas pretas.
O futuro político de pouco peso preferia a contabilidade formal do veículo oficial. Décadas depois, anos 90 , século passado, tornou-se vice-presidente da res-pública brasileira. Marco Maciel foi uma espécie de Joseph Fouché tupiniquim. Aquele francês que foi monarquista, bonapartista e republicano. Quem sabe de Fouché é o alemão Stefan Zweig. Escreveu a história dele. Quem sabe de Stefan pelos nossos lados é Alberto Dines. Jornalista de proa e popa. Aquele do programa Observatório da Imprensa. Atravessou quase tudo, o francês invisível. Feito o personagem pernambucano em questão.
Pernambuco sempre esteve nas decisões políticas importantes do país. Stefan não aguentou a paranoia própria e matou a si e a esposa com um balaço, Na verdade, dois balaços. A lógica pode ser unária , mas quando se decanta temos as bifididades e alguma pólvora,Logo ali em Petrópolis. Terra de Pedro. Gosto muito da serra petropolitana. Não gosto desse Félix nem tampouco do pastor de Acari. E o Açaí me traz alergias. Uma pena, pois é ferroso. Aliás, do pastor nada sei. E tenho raiva se vier a saber.
Chamar o aristocrata Fouché de canalha ou mau caráter porque sambava para lá ou para cá é uma tolice moralista de quem rejeita nossa origem macunaímica. Macunaíma de Andrade é gênio brasileiro. É maneirismo de alta qualidade. Algo que Eymael e outros tais não entendem. Deve ser o tal brinquedo de criança que não houve. Ou haveria por demais?
Perversidades estão na moda. Basta ver o doutor monstro, especialista em estupros, que vivia de esbanjar, na rua próxima ao endereço do Presidente do Paraguai. E o Paraguai já teve ministro da marinha! Ah! Eymael- na verdade Joseph Mary-, traz ao esquecimento que o Brasil já teve ministro da Justiça.
Não confundir flexibilidade com pusilanimidade ou sacanagem mesmo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A criança e o bicho de pelúcia.

Queria mesmo é fazer umas carícias num animal feroz, perigoso. Passar-lhe o dedo, tocar seu pelo. Estaria o bichano com alguma carência específica? Tem fome? Um titã lhe perguntaria sobre essa fome. É fome do quê?
Primeiro flerte foi com uma jaguatirica. Apelido bem dado para alguém bastante invocado. Depois, o leãozinho. O leãozinho é aquela formação que se acha. Acha-se, segundo estudiosos e que talvez tenham fetiche pela juba imponente,  o rei da selva. Porém, esse reinado se restringe a uma selva específica que ele habita. Porque na selva em que vivemos- tenha ela a constituição que tiver- quem anda rugindo mais é essa nossa espécie meio estranha. O leão tem uma constituição física- apesar dos pareceres- bem pior do que a nossa humana insignificância cósmica diante de uma quarenta e cinco bem engatilhada ou uma espingarda calibre doze. Mas há de se estar acompanhado desse outro bicho de pólvora. Caso contrário, os caninos da realeza da selva causarão estrago irreversível.
Um pouco mais que depois, um belo tigre a visitar. Abobalhado pelo cativeiro criado pela tal espécie humana. Trancam o animal ali para contemplá-lo e sacaneá-lo. Seria inveja? Seria uma resultante da fome insaciável do boneco gente? Imaginemos uma cena inusitada:  a mamãe tigre trancafiada em sua suíte de grades e lambendo com seus caninos o bonequinho filho de gente que embala no seu colo de patas e garras. Caminhadas, protestos, manifestações. Faríamos um barulho danado em defesa do filhote de gente. Acontece que eles não têm essa competência sígnica, articulatória. Eles não são tão malucos. Não frequentam, por exemplo, salas escuras com seus projetores e sons que exibem ilusões. Nunca vi um deles por lá. Muito menos frequentando o divã de analistas. Aliás, divã é uma peça de mobiliário pouco comum na cultura dos trópicos abaixo do Equador e sua linha imaginária. Seria constituída de cinema e ilusão essa linha? Tudo então se faz cinema. Uma tela de sonhos na sala escura com gente desconhecida.
O tigre continuou a sua brincadeira. Quem disse que não era só brincadeira? Que formações podem garantir que aquilo que estava sendo mordido e arrancado não era um brinquedo para pular-sacudir ou cuspir-engolir?
O importante era poder acariciar aquele monstrengo lindo. Aquela carcaça colorida de pelos e aquele corpanzil. Olhos claros. Seria um galã? Por que raios não se pode brincar com o gatinho cheio de testosterona? Ele passou no antidoping? Vai participar do próximo 'ultimate rinha de galo fight'? Tem galo que briga.
Não. Não se deve. Poder pode. E perder o dedo, o braço e a vida, também se pode. Não se deve. Mas esse não se deve também é moralismo e intromissão de quem ainda arrisca supor que sabe o que é menos ruim para o outro. E esse outro bate na gente que pensa que é gente mesmo. Portanto, se queres arriscar partes do corpo que poderão lhe faltar já tens um atalho a trilhar. E que merda também. Só porque o corpo impotente de cá tem essas vontades e o tigre a me arrancar o braço-alma. Digamos assim: papai. Perdoai-vos porque o tigre não sabe o que faz! Não sabe? Claro que sabe. Se tem algo que o tigre sabe é o que ele tem para fazer. Seu programa etológico é perfeito. Mas se quiser convidá-lo para ir ao cinema, ele não topará. E se por lá der pinta, pode-se comportar bem mal. Mal para quem? Para a humana convenção de como se comportar em certos locais. E isso pode ser amplo......
O tigre não está confuso. Ele estava somente agitado com o estranho amiguinho a lhe aporrinhar a paciência. Quem sabe para retirá-lo do tédio diário? ''Poderiam ao menos pintar aquela grade. Com as mesmas cores que enfeitam o meu pelo vistoso''- resmunga com sobriedade e sem cerimônia o felino acorrentado. E acrescenta:  ' Não tenho esse tal de fair-play'. O novo amiguinho, contudo, parece decidido em não saber o que faz. Como não? Claro que sabe. O quê parece até agora não saber é sobre alguns riscos. Sobre a vida que se exibe dentro e fora das grades. No mais é só entretenimento. Princípio do prazer e suas diversidades. Diversidades de meninos e meninas. 
Dizer portanto que o menino está, ou estava, assim ou assado, é especulação delirante. Quem ousa fazê-lo deve estar parecido com o tigre. Que também anda falando muito. O bichano exige até um advogado, já que querem assassiná-lo. Acusam-no de tentativa de homicídio com dolo. Que é aquele onde se presume alguma intenção. Mais ou menos como penalidade no futebol. E quem avalia as intenções? Nunca se percebeu um ator de fato? Aquele que é fingidor pessoal, poeticamente?
Havia também um responsável pelo guri no circo humano. Pai desse mesmo menino que  tem idade menor. Diz que não viu o flerte entre a última fera e o mancebo porque cuidava da outra cria. O menino que não sabia o porquê fazia essas coisas de brincar com feras indomáveis tinha total liberdade para prosseguir fazendo o quê queria sem saber bem ao certo o quê fazia. Ao menos do risco que corria. Cansamos. Desse cansaço pode emergir um ponto. Vírgula para respirar. 
Recuperado, pergunta-se: e o quê ou quem não corre riscos? Há uma  estatística que determina que certas práticas apresentam perigos maiores. Bem como uma outra certa estatística que afirma que o menino por achar que jaguatirica, leão ou tigre são bichos de pelúcia e mansos feito o coelhinho de páscoa, implica em delírio ou maluquice de sua parte.Consideram assim-assado porque eles e uma maioria de outros - ditadura epistemológica- acham que o coelhinho da páscoa é realmente mais manso do que os animais listados e visitados pelo garoto naquela manhã de inverno ao sul do Brasil. Mesmo que tal coelhinho não exista de fato. Pois ele há de direito. Caso contrário não falaríamos dele e nem besuntaríamos o mundo com serotonina de cacau, vulgo chocolate benzido. 
No último final de semana, o garoto, Destemido- Sem Saber-O- Porquê- Da- Silva, falou à imprensa. Gesticulou com um braço só. O pai- provedor de sua vida- só faz chorar. Ele talvez possa reger uma orquestra. Um novo modo de regência. Já está disponível na grande rede a imagem. Só falta pagar os direitos ao tigre. Senão, ele vai rugir de novo. E está certo.