Brasília foi uma cidade de quintais abertos.E por isso éramos de um voyeurismo escancarado.Os jardins mais belos das casas ,banhadas à distância por um Lago Artificial -como se todos os outros lagos não o fossem para nós,espécie que nomeia tais coisas-; éramos também adolescentes bem arrogantes - o que não é nenhuma novidade - invadindo garagens militares para afrontar os milicos e garantir presença. Cenas de uma época remota....
O comboio começava a se armar a partir de uma ideia sobre coisa alguma.Chegava um depois o outro depois mais outro e assim por diante.As bicicletas e as calças curtas então se posicionavam para o ataque. Na frente,preparado para levar chumbo,entenda-se uma boa bronca, ia o mais velho,mais alto,mais forte e destemido comandante.E era um comandante pra valer,pois alguns generais refestelam-se somente em observar, dos seus gabinetes confortáveis , a sua tropa ser dizimada.
Invadíamos as garagens dos blocos da Marinha Brasileira pela porta de saída - o que representava perigo iminente - e saíamos apressados pela entrada contrária.Era o máximo!
Vingávamos a nós mesmos e aos outros que ,sem alternativa, viam-se obrigados à humilhação de ter o corpo inteiro emporcalhado por ovos podres que os filhos dos marinheiros de alta patente reservavam aos filhos de civis que habitavam a mesma superquadra candanga.Eram meados dos anos 70 e o poder servia só para oprimir quem não fosse da mesma patota.
Pouco a pouco nos tornamos todos camaradas.Alguns até eram conterrâneos.Porém,sempre suspeitávamos de que algo muito sério poderia nos atacar repentinamente.Certa vez, distraído pela comodidade confortável, escapei por pouco do massacre dos ovos podres.Sabia que correra enorme perigo,mas consegui.Ufa! Retornei com a minha integridade física preservada à casa que até hoje resiste. Lá encontrei mãe amorosa que ao saber do acontecido ,exclamou: 'esses meninos são meninos selvagens.Você não deve se envolver com eles'.
Minha mãe sempre me pareceu alguém que não nascera nesse planeta ou ao menos nesse país que resiste em se tornar uma nação de fato.Ela era doce e elegante.E também firme quando necessário.É ,sentenciado pelo Rei Roberto, a saudade que eu gosto- apesar e por causa da dor de sua ausência- de ter.
Contrariando-a entretanto ,segui a vida com os meninos selvagens que me ensinaram truques ótimos para sobrevivência posterior.
Quando o segundo amor me atingiu,eu já era um menino selvagem.Pouco graduado ,pois não fui selvagem o suficiente para que aquela cobra encantadora que, trazia o cheiro da maresia da nossa mesma terra,O Rio de Janeiro,não menos selvagem, se deixasse envenenar ....por mim ,é claro.
Anos depois, já de volta à pátria carioca, reencontrei-a numa noite de lua.E qual é a noite que não tem lua?É isso que dá querer fazer prosa bonita sem saber....Bem, novamente: reencontrei-a -aquela tal menina veneno- numa discoteca.E foi sem a menor emoção,mas com muita alegria que pude constatar a baranga em que ela havia se transformado!!Que baranga!! Fiquei numa euforia tal - agora sim,depois de reparar bem naquele troço em que aquela desgraçada que se enroscou com o meu maior rival de bicicletices,havia se metamorfoseado - que quase larguei o meu carro para alugar uma "bike" e pedalar até a lua mais próxima.Seria minguante?Teria minguado?
Passados 30 anos em cinco minutos e aqueles mesmos prédios com aquelas garagens,agora lacradas por grades inteligentes, e sem a mesma vida,sem as mesmas cores,sem os mesmos comandantes de calças curtas e suas viaturas com correntes ,guidons e selins,num silêncio que mais parece toque de recolher, incompatível com as falações livres do agora, e a constatação que se recusa a partir: por que Domingo ainda se parece tanto com Domingo?
domingo, 24 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Os novos amigos.
Tenho novos amigo que não sabem o meu nome.São amigos de outros cantos, de outros mesmos mundos.
No início, olhávamos uns para os outros desconfiados.Prontos para o ataque dos machos bárbaros.Pouco a pouco, nos aproximamos, sentimos o cheiro da pele suada, feito pugilistas que pugnam por um nocaute certeiro.Esgueira-se para lá ,mais para baixo, outro lado visitado e vínculos se estabelecem empaticamente.Seria assim mesmo? Claro que não.O vínculo é de pura simpatia.
Empatia tão somente seria pedir muito,já que há rivalidade no ar. Basta um cão novo surgir e exibir-se gaudioso que os outros rosnam a céu aberto. Se vier de muito longe então...Por exemplo: um andarilho de um outro país que fala língua esquisita - e a nossa por certo não é - e o rosnar sobe de tom.
Esse canto de amigos novos tem síndico e tudo.E ele , o nosso síndico , regozija-se intensamente pela função.Talvez seja o único síndico feliz que haja.Além de ser o único que quando ralha com qualquer um outro da matilha é atendido prontamente.Ele é um tanto ranheta ,mas é um ótimo síndico.
Deixei de lado a minha identidade e parti para uma conversa onde o que vale é o que acontece ali,de três até cinco vezes por semana,se calor estiver ou a chuva como companhia a nos refrescar e também a afugentar.
E cada um tem o seu trabalho,tem a sua vidinha,seus dramas,seus vícios,suas vagabundagens,suas ambições e aquele oceano para compartilhar escopicamente ,feito sonho de menino que queria um dia ser forte e se exibir em outros cantos dos mesmos mundos.
No início, olhávamos uns para os outros desconfiados.Prontos para o ataque dos machos bárbaros.Pouco a pouco, nos aproximamos, sentimos o cheiro da pele suada, feito pugilistas que pugnam por um nocaute certeiro.Esgueira-se para lá ,mais para baixo, outro lado visitado e vínculos se estabelecem empaticamente.Seria assim mesmo? Claro que não.O vínculo é de pura simpatia.
Empatia tão somente seria pedir muito,já que há rivalidade no ar. Basta um cão novo surgir e exibir-se gaudioso que os outros rosnam a céu aberto. Se vier de muito longe então...Por exemplo: um andarilho de um outro país que fala língua esquisita - e a nossa por certo não é - e o rosnar sobe de tom.
Esse canto de amigos novos tem síndico e tudo.E ele , o nosso síndico , regozija-se intensamente pela função.Talvez seja o único síndico feliz que haja.Além de ser o único que quando ralha com qualquer um outro da matilha é atendido prontamente.Ele é um tanto ranheta ,mas é um ótimo síndico.
Deixei de lado a minha identidade e parti para uma conversa onde o que vale é o que acontece ali,de três até cinco vezes por semana,se calor estiver ou a chuva como companhia a nos refrescar e também a afugentar.
E cada um tem o seu trabalho,tem a sua vidinha,seus dramas,seus vícios,suas vagabundagens,suas ambições e aquele oceano para compartilhar escopicamente ,feito sonho de menino que queria um dia ser forte e se exibir em outros cantos dos mesmos mundos.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Fotografias erradas
A quem pode interessar a alienação subserviente que se constata?
Quando se é bem jovenzinho o reino das ilusões é hegemônico.Com o passar do tempo é como se essa ilusão permanecesse por inércia,mas a lucidez ,dolorida quase sempre ,que a desilusão nos traz ,ao menos para quem acompanha o teatro da vida, torna-se ela sim hegemônica.
Você supostamente atravessou diversos processos,experimentou-os ,logo não cai tão facilmente noutras armadilhas.Digo outras ,pois não serão mais as mesmas por mais semelhantes ,análogas ou coisa próxima do que tenham um dia sido.Na minha ignorância acadêmica ,recordo Heráclito ,famoso pré-socrático mobilista ,e o seu mergulho que não era nunca o mesmo.'Um mesmo homem jamais se banha duas vezes no mesmo rio"- teria dito enquanto nadava.
A propagada experiência - e aqui revelo preferência pela idéia das experimentações ,sem ser positivista ou algo semelhante,mas o termo maturidade me irrita pelo simples fato de que o fruto quando maduro cai de podre- nos conduz a um distanciamento mais sereno,menos pré-conceituoso diante dos acontecimentos.Você já mapeou algumas-poucas na verdade- encruzilhadas e sacou que a fronteira não está mais lá.Não só se deslocou ,mas parece ter desaparecido de vez.É como se certas fundações não tivessem sido tão fundamentais assim.Um grande teatro repleto de possibilidades.É o que há.É o que certa caminhada nos apresenta.
Décadas atrás, e aí o tempo já nos dá essa autoridade de argumento´,ao menos enquanto trajetória percorrida,o futuro demorava mesmo muito tempo. Uma profecia do filósofo marxista Althusser.
'Now' , ele deixou de ser uma elocubração mítica e se aproxima.Afinal, caminha-se para frente.
Em outra certa ocasião, o hiper-democrata Michel Foucault, declarara o seu horror pela carteira de identidade.Considerava esse troço ,com a fotografia sempre errada ,algo muito invasivo.
Fico a vislumbrar esse tão importante pensador francês, se vivo estivesse , a conviver com celulares apitando em todos os bolsos, de quaisquer nacionalidade.A telefonia da loucura,sua clínica.
Resgatando Foucault ,lembrei-me portanto que esgueirar-se é preciso.Tornar-se eficazmente invisível,apesar das tentações que qualquer furor exibicionista possa nos suscitar.E somos espontaneamente exibidos,desde quando éramos,há poucos minutos-horas ,jovenzinhos.E também espontaneamente vinculados a um conceito Deus,confundido com algumas carteiras de identidade e suas fotografias erradas.
Quando se é bem jovenzinho o reino das ilusões é hegemônico.Com o passar do tempo é como se essa ilusão permanecesse por inércia,mas a lucidez ,dolorida quase sempre ,que a desilusão nos traz ,ao menos para quem acompanha o teatro da vida, torna-se ela sim hegemônica.
Você supostamente atravessou diversos processos,experimentou-os ,logo não cai tão facilmente noutras armadilhas.Digo outras ,pois não serão mais as mesmas por mais semelhantes ,análogas ou coisa próxima do que tenham um dia sido.Na minha ignorância acadêmica ,recordo Heráclito ,famoso pré-socrático mobilista ,e o seu mergulho que não era nunca o mesmo.'Um mesmo homem jamais se banha duas vezes no mesmo rio"- teria dito enquanto nadava.
A propagada experiência - e aqui revelo preferência pela idéia das experimentações ,sem ser positivista ou algo semelhante,mas o termo maturidade me irrita pelo simples fato de que o fruto quando maduro cai de podre- nos conduz a um distanciamento mais sereno,menos pré-conceituoso diante dos acontecimentos.Você já mapeou algumas-poucas na verdade- encruzilhadas e sacou que a fronteira não está mais lá.Não só se deslocou ,mas parece ter desaparecido de vez.É como se certas fundações não tivessem sido tão fundamentais assim.Um grande teatro repleto de possibilidades.É o que há.É o que certa caminhada nos apresenta.
Décadas atrás, e aí o tempo já nos dá essa autoridade de argumento´,ao menos enquanto trajetória percorrida,o futuro demorava mesmo muito tempo. Uma profecia do filósofo marxista Althusser.
'Now' , ele deixou de ser uma elocubração mítica e se aproxima.Afinal, caminha-se para frente.
Em outra certa ocasião, o hiper-democrata Michel Foucault, declarara o seu horror pela carteira de identidade.Considerava esse troço ,com a fotografia sempre errada ,algo muito invasivo.
Fico a vislumbrar esse tão importante pensador francês, se vivo estivesse , a conviver com celulares apitando em todos os bolsos, de quaisquer nacionalidade.A telefonia da loucura,sua clínica.
Resgatando Foucault ,lembrei-me portanto que esgueirar-se é preciso.Tornar-se eficazmente invisível,apesar das tentações que qualquer furor exibicionista possa nos suscitar.E somos espontaneamente exibidos,desde quando éramos,há poucos minutos-horas ,jovenzinhos.E também espontaneamente vinculados a um conceito Deus,confundido com algumas carteiras de identidade e suas fotografias erradas.
domingo, 19 de setembro de 2010
Digressões narcísicas ou papo de Psicótico?
Será que a gente consegue se livrar de um certo narcisismo baixo?
Observo alguns comentários exemplares sobre preferências eleitoreiras e ele se mostra.Ele quem? O tal narcisismo.O cara não somente aposta ,mas faz defesas apaixonadas de si - é claro- projetadas lá no candidato escolhido.O outro não presta.
Faz algum tempo que não escrevo nada aqui nesse espaço. Ando narcisicamente -não há escapatória disso- dizendo abobrinhas numa ferramenta chamada facebook.É uma gracinha internética onde postamos escritos, imagens ,gemidos ,através de uma limitação de caracteres.O troço é bem curtinho.Quatrocentos e poucos caracteres no maximo.E tem coisa mais curtinha ainda.
Entretanto, ele também é ótimo pois falar algo através de um número reduzido de letras ou palavras ou sons ou imagens é uma beleza.
Fui educado num sistema religioso - católico- em que longos sermões eram valorizadíssimos. Além do mais, as obras literárias também eram muito extensas.Imaginem hoje um jovem atravessando a obra de Proust?Aqueles sete volumes em que ,vez ou outra, o grande Marcel leva páginas a fio descrevendo o laço de fita da roupa de uma personagem?Se você não se atentar para o fato de que naquele laço de fita há a condensação de todos os personagens e por conseguinte toda a história ,adeus ao livro.
Será que dois gênios conseguem ser amigos?Conseguem pelo menos conversar?Não concordar genialmente?
Não preciso convencer ninguém de que ele está enganado.O que posso saber sobre o engano alheio?Para além ou aquém de uma visão minha que é pojada de sintoma?Quando avalio,avalio de que lugar?
Isso é fundamental pois os nossos preconceitos já tomaram o poder faz tempo.
Um dia imaginei uma conversa ,seria melhor escrevê-la,fingi-la ao menos, entre criaturas,ditas humanas, que desconfiam.Não recorrem a nenhum argumento de autoridade ,como por exemplo,enfiar o Proust na conversa.Tão somente,escutavam e argumentavam.Ninguém teria razão e todos teriam.
O problema é que queremos sempre ganhar as discussões.E é normal esse querer.
Queremos o poder. Poder é bom.Impotência é triste...até mesmo nas partes baixas.Se bem que as novas tecnologias trazem diversas possibilidades.Sobretudo para os que acreditam demais nas próprias piroquinhas.
Odiamos a crítica também, porque toda crítica é destrutiva.Ela implica em descontinuidade,mesmo quando nos considera uma maravilha.E aí se localiza também o cinismo sobre ética. É parecido o movimento.
Se alguém não tem uma conduta que a nossa turma concorde ou aplauda ,não é ético.Mas se esse alguém é ou esteve próximo da gente ,pode ter sido tão somente um erro político.
Lidar com a tal crítica é semelhante. Se foi elogiosa , vira propaganda para o espetáculo.Se foi contundente no seu não apreço pelo mesmo espetáculo, quem a fez geralmente não presta.
Certa vez, uma famosa atriz brasileira ao receber um troféu,por causa da sua atuação numa telenovela,dedicou corajosamente o troféu a uma colega que, disputara o mesmo prêmio com ela. Ela dedicou; ela não lhe deu o prêmio.
Meu mestre traduziu aquele volume enorme e maravilhoso ,escrito por Freud no início do século passado, chamado "O Mal Estar na Cultura" , para 'A vida é uma Merda'. E freudianamente sabemos que ouro e merda são o mesmo. A variação se dá em termos de odor.
Argumento de autoridade posto sobre o papel monitor: encerro esse troço que escrevo sem concluir quase nada. O que é ótimo,pois implica na continuidade dessa falação que não cessa.Ainda que, através de parcos caracteres.Quantos foram mesmo?
Observo alguns comentários exemplares sobre preferências eleitoreiras e ele se mostra.Ele quem? O tal narcisismo.O cara não somente aposta ,mas faz defesas apaixonadas de si - é claro- projetadas lá no candidato escolhido.O outro não presta.
Faz algum tempo que não escrevo nada aqui nesse espaço. Ando narcisicamente -não há escapatória disso- dizendo abobrinhas numa ferramenta chamada facebook.É uma gracinha internética onde postamos escritos, imagens ,gemidos ,através de uma limitação de caracteres.O troço é bem curtinho.Quatrocentos e poucos caracteres no maximo.E tem coisa mais curtinha ainda.
Entretanto, ele também é ótimo pois falar algo através de um número reduzido de letras ou palavras ou sons ou imagens é uma beleza.
Fui educado num sistema religioso - católico- em que longos sermões eram valorizadíssimos. Além do mais, as obras literárias também eram muito extensas.Imaginem hoje um jovem atravessando a obra de Proust?Aqueles sete volumes em que ,vez ou outra, o grande Marcel leva páginas a fio descrevendo o laço de fita da roupa de uma personagem?Se você não se atentar para o fato de que naquele laço de fita há a condensação de todos os personagens e por conseguinte toda a história ,adeus ao livro.
Será que dois gênios conseguem ser amigos?Conseguem pelo menos conversar?Não concordar genialmente?
Não preciso convencer ninguém de que ele está enganado.O que posso saber sobre o engano alheio?Para além ou aquém de uma visão minha que é pojada de sintoma?Quando avalio,avalio de que lugar?
Isso é fundamental pois os nossos preconceitos já tomaram o poder faz tempo.
Um dia imaginei uma conversa ,seria melhor escrevê-la,fingi-la ao menos, entre criaturas,ditas humanas, que desconfiam.Não recorrem a nenhum argumento de autoridade ,como por exemplo,enfiar o Proust na conversa.Tão somente,escutavam e argumentavam.Ninguém teria razão e todos teriam.
O problema é que queremos sempre ganhar as discussões.E é normal esse querer.
Queremos o poder. Poder é bom.Impotência é triste...até mesmo nas partes baixas.Se bem que as novas tecnologias trazem diversas possibilidades.Sobretudo para os que acreditam demais nas próprias piroquinhas.
Odiamos a crítica também, porque toda crítica é destrutiva.Ela implica em descontinuidade,mesmo quando nos considera uma maravilha.E aí se localiza também o cinismo sobre ética. É parecido o movimento.
Se alguém não tem uma conduta que a nossa turma concorde ou aplauda ,não é ético.Mas se esse alguém é ou esteve próximo da gente ,pode ter sido tão somente um erro político.
Lidar com a tal crítica é semelhante. Se foi elogiosa , vira propaganda para o espetáculo.Se foi contundente no seu não apreço pelo mesmo espetáculo, quem a fez geralmente não presta.
Certa vez, uma famosa atriz brasileira ao receber um troféu,por causa da sua atuação numa telenovela,dedicou corajosamente o troféu a uma colega que, disputara o mesmo prêmio com ela. Ela dedicou; ela não lhe deu o prêmio.
Meu mestre traduziu aquele volume enorme e maravilhoso ,escrito por Freud no início do século passado, chamado "O Mal Estar na Cultura" , para 'A vida é uma Merda'. E freudianamente sabemos que ouro e merda são o mesmo. A variação se dá em termos de odor.
Argumento de autoridade posto sobre o papel monitor: encerro esse troço que escrevo sem concluir quase nada. O que é ótimo,pois implica na continuidade dessa falação que não cessa.Ainda que, através de parcos caracteres.Quantos foram mesmo?
domingo, 29 de agosto de 2010
Bisbilhoteiros De alma.
Será possível olhar para o que quer que seja sem afetações ou conceitos a priori? Nossa cultura ocidental foi toda ela moldada por essa postura. Se não houvesse um a priori ,numa perspectiva Kantiana por exemplo, não conheceríamos coisa alguma.Justamente porque temos algumas formações ,disponibilidades mentais é que se acreditava que poderíamos estabelecer algum conhecimento a priori. Conhecimento que é realizado por um sujeito em relação a um objeto qualquer.Objeto este exterior ao sujeito conhecedor.Sabemos então desde Freud que não há nada para nossa espécie que se dê a priori.Muito pelo contrário: o que temos é só depois ou como alerta o Psicanalista MD.Magno, um Tarde demais e que torna todo o processo curativo bastante precário.O entendimento só depois e que caracteriza o nosso conhecimento sobre o que quer que compareça ,o que quer que haja, é resultante da refrega das múltiplas e incomensuráveis formações que estão por aí no mundo.Obviamente, existem disponibilidades cerebrais para se realizar a tal operação de conhecer,mas não há nenhum homúnculo localizado na caixa craniana (tem gente que pensa que a mente está lá) a brincar de adivinhação, a retirar fotografias amareladas de saudades de um carcomido baú.
Estamos desde sempre atolados em sensações ,em gostos e tesões que nos marcam.Temperamento é um exemplo.Preferências estéticas, fantasias também.Difícil explicitar as suas razões.Elas existem,mas permanecem silenciosas no seu âmago.Jacques Lacan,Egrégio Psicanalista Francês que fará cento e dez anos de nascimento no ano que vem, chegou a destacar uma fórmula, outra tentativa por parte dele em abstrair ao máximo o processo analítico,enquanto possibilidade de cura se a sua travessia pudesse ser alcançada.E essa fórmula se diz como fórmula da fantasia.E toda fantasia é sexual no sentido de uma quebra ,de uma secção que impede que uma completude,uma simetrização absoluta se realize,pois é impossível,apesar da busca incessante ,indelével, que uma transcendência haja e aja,para algo além desse mundo.Os religiosos e outras crendices apostam que é possível.Estão enfiados com essas produções delirantes há milênios. E dificilmente serão derrotados. A nossa covardia é hegemônica.
Certa vez ,na cumplicidade com a escuridão da sala de cinema,num palco vazio, filme contundente sem final feliz,a cena forte atingiu em cheio a amiga de vida toda e que me acompanhava naquela noite de festa.E por que noite de festa se não havia nenhuma específica? Mas é claro que havia!Era uma tentativa ousadíssima de contemplar uma articulação cinematográfica, um filme ,nirvanamente. De repente, ela se levantou e foi ao banheiro.Não se sentia bem e aquela violência nossa retratada na tela, por atores muito competentes, estava sendo demasiada.Teríamos sido muito arrogantes na nossa imensa pretensão?Esperei um pouco e preocupado fui atrás daquele susto,daquele chilique. Parado diante da proibição em prosseguir,já que era proibido para meninos a entrada naquele recinto,indaguei-lhe: "Tudo bem aí?Calma que se trata somente de um filme!"
A resposta foi romântica , centralizada no próprio eixo ,apesar de cambaleante naquele momento visceral:"Vai tomar no cu!!!!"
Conseguiríamos nos distanciar eventualmente das nossas preferências,dos nossos tesões e comichões quando algum gatilho mal localizado dispara?É muito difícil,mas não impossível. Talvez a lembrança do contrário daquilo tudo que está em curso traga certo alívio e bastante lucidez.
Qual seria mesmo o roteiro do filme que faço,que traço e perpasso sobre o que chamo,ilusoriamente , de mim mesmo?
Se recolher tudo o que escrevi nesses anos todos de tentativas vãs ,qual seria a forma desse imenso e tolo retalho ?
Tenho angústia constante pelo fato pueril de que " o não sei" passou a me acompanhar cotidianamente.E " o não sei" assim como o " só depois Freudiano" são provas de que há conhecimento.Resta-me então prosseguir insistindo na espionagem (Definição de Gilberto Freire para bisbilhoteiros da alma dos homens) sobre aquilo do que se trata.E trata-se do quê mesmo?Ao menos, supoem-se que sim.
Estamos desde sempre atolados em sensações ,em gostos e tesões que nos marcam.Temperamento é um exemplo.Preferências estéticas, fantasias também.Difícil explicitar as suas razões.Elas existem,mas permanecem silenciosas no seu âmago.Jacques Lacan,Egrégio Psicanalista Francês que fará cento e dez anos de nascimento no ano que vem, chegou a destacar uma fórmula, outra tentativa por parte dele em abstrair ao máximo o processo analítico,enquanto possibilidade de cura se a sua travessia pudesse ser alcançada.E essa fórmula se diz como fórmula da fantasia.E toda fantasia é sexual no sentido de uma quebra ,de uma secção que impede que uma completude,uma simetrização absoluta se realize,pois é impossível,apesar da busca incessante ,indelével, que uma transcendência haja e aja,para algo além desse mundo.Os religiosos e outras crendices apostam que é possível.Estão enfiados com essas produções delirantes há milênios. E dificilmente serão derrotados. A nossa covardia é hegemônica.
Certa vez ,na cumplicidade com a escuridão da sala de cinema,num palco vazio, filme contundente sem final feliz,a cena forte atingiu em cheio a amiga de vida toda e que me acompanhava naquela noite de festa.E por que noite de festa se não havia nenhuma específica? Mas é claro que havia!Era uma tentativa ousadíssima de contemplar uma articulação cinematográfica, um filme ,nirvanamente. De repente, ela se levantou e foi ao banheiro.Não se sentia bem e aquela violência nossa retratada na tela, por atores muito competentes, estava sendo demasiada.Teríamos sido muito arrogantes na nossa imensa pretensão?Esperei um pouco e preocupado fui atrás daquele susto,daquele chilique. Parado diante da proibição em prosseguir,já que era proibido para meninos a entrada naquele recinto,indaguei-lhe: "Tudo bem aí?Calma que se trata somente de um filme!"
A resposta foi romântica , centralizada no próprio eixo ,apesar de cambaleante naquele momento visceral:"Vai tomar no cu!!!!"
Conseguiríamos nos distanciar eventualmente das nossas preferências,dos nossos tesões e comichões quando algum gatilho mal localizado dispara?É muito difícil,mas não impossível. Talvez a lembrança do contrário daquilo tudo que está em curso traga certo alívio e bastante lucidez.
Qual seria mesmo o roteiro do filme que faço,que traço e perpasso sobre o que chamo,ilusoriamente , de mim mesmo?
Se recolher tudo o que escrevi nesses anos todos de tentativas vãs ,qual seria a forma desse imenso e tolo retalho ?
Tenho angústia constante pelo fato pueril de que " o não sei" passou a me acompanhar cotidianamente.E " o não sei" assim como o " só depois Freudiano" são provas de que há conhecimento.Resta-me então prosseguir insistindo na espionagem (Definição de Gilberto Freire para bisbilhoteiros da alma dos homens) sobre aquilo do que se trata.E trata-se do quê mesmo?Ao menos, supoem-se que sim.
domingo, 8 de agosto de 2010
Meu pai e o Paranoá.
Meu pai é um homem de quase 82 anos. Há cerca de cinco anos os sintomas demenciais eclodiram sem piedade e aquilo que eu já desconfiava fora confirmado.
Há muito que tenho sérias críticas à praticantes - claro que existem aqueles que são brilhantes e outros tantos piores- da medicina por uma certa insistência em querer não cuidar.O cuidado implica em atenção e suspeita.Creio que a cultura médica no Ocidente falha por esquecer que a Medicina é preventiva.Japonês e Chinês não fazem outra coisa.
Alguns ficam enfeitiçados pelo avanço da Farmacologia e acham que excesso de medicamento é que soluciona o problema.Já vi gente próxima a mim morrer disso.
Noutro dia,assistindo a uma entrevista de um médico na televisão, fiquei espantado.Eles são melhores do que alguns psicanalistas que ao se dirigirem às câmeras parecem débeis mentais.O discurso Psi-televisivo não difere muito do moralismo-reacionário e ignorante de alguns pregadores.Contudo, voltando ao nosso entrevistado, falava-se sobre os males da Hepatite A e da Hepatite B. A primeira mais branda,porém de contágio mais fácil e frequente. A segunda, B, transmitida somente através de serigas contaminadas ou relação sexual ,é muito mais violenta e pode matar. Cirrose e até câncer no fígado podem ser algumas das resultantes malévolas que esse vírus causa.Fora a Hepatite C que é muito mais grave.
Muito bem.Dito isso e apresentado o valor do medicamento que se utiliza no tratamento da Hepatite B( custa 840,00 Reais uma caixa do remédio para um mês de uso e o tratamento é para sempre ...por enquanto),encerrou-se o assunto.
O que me deixa perplexo é que eu,há 11 anos atrás, vacinei-me ,para vida toda, contra as duas moléstias,A e b!
São três doses ministradas em 3 etapas: toma-se a primeira e um mês depois a segunda.Três meses depois, senão me engano, você toma a última dose do resto da sua vida sem hepatite A ou B.Qualquer posto de saúde privado possui e creio que não é cara.
Por que ninguém fala sobre a existência dessa vacina e não se faz uma campanha para que ela seja disponibilizada de uma maneira mais abrangente,ou seja, vacinação em massa!?
Os cubanos,acho que a vacina que tomei vinha de lá,mas a nossa Fiocruz deve produzi-la também, são vacinados.
O nosso horror contra vacinas é oriundo daquela infância feliz....Aquilo doía,enchia o saco(Estou falando da vacina...).Injeção,eis o vilão.O que há de marmanjo que treme quando vê uma seringa....
Sou a favor da vacina e contra a doença. Da mesma forma que prefiro a camisinha à Aids ou à Hepatite B ou C ou Y.Mesmo reconhecendo que camisinha é uma merda!Ao menos para quem tem aquele troço pendurado no meio das pernas não depiladas.As campanhas a favor do uso de preservativos são estúpidas por que negam isso.O troço é ruim ,mas é melhor do que outros troços.Quer pagar a conta?Mas não se pode deixar de dizer que é uma merda. Até porque o fabricante da porcaria vai continuar, para sempre, - Feito hepatite- a não melhorar o seu produto.Está faturando mesmo....
Portanto,para o desespero de muitos ,há vacina e ela é bastante segura e eficaz contra as Hepatites A e B.O seu fígado- e também o seu bolso- agradecem.
O meu querido pai quis permanecer eternamente jovem.Esqueceu que a juventude nossa também passa pela mente.Abusou muito de algumas "vacinas" proibidas e cuidou-se pouco.As vacinas fazem parte daquele quase ritual,cafona, que diz que homens de uma certa posição social tem que ter amantes.Elas custam muito caro...
Além do mais , acreditou que permaneceria indelevelmente no seu trabalho público.Desprovido de um estofo mental maior para poder driblar o fato inexorável de que não há férias possíveis para qualquer um de nós,apenas um descanso,recusou-se em arranjar outras diversões.Estudar,por exemplo,pode ser divertido.Iniciar outras coisas ou então coçar lindamente o saco descamisado ,ciente de que é só uma grande brincadeira,tal qual a vida.Coçar nirvanamente,tal como indica MD.Magno em um texto sublime intitulado " Sorvete Com Nirvana".
Imitou o meu avô,seu pai.E o pior que eu via e fui antevendo o que viria.Não foi por falta de aviso ou sugestão,ou melhor, aquilo do qual resmunguei no início desse texto, cuidado.
É preciso ter cuidado desde sempre,a toda hora. E mesmo assim estamos em risco. A vida é amante imanente das aleatoriedades.Sua ordem é o caos.
Agora ,ele tem nos seus fiéis amigos a garantia do seu maior divertimento.São companheiros e sabem,por travessias diversas ,que habitam o mesmo barco.E o barco navega em águas calmas de um Paranoá Central.Escolhido e adorado.
Há muito que tenho sérias críticas à praticantes - claro que existem aqueles que são brilhantes e outros tantos piores- da medicina por uma certa insistência em querer não cuidar.O cuidado implica em atenção e suspeita.Creio que a cultura médica no Ocidente falha por esquecer que a Medicina é preventiva.Japonês e Chinês não fazem outra coisa.
Alguns ficam enfeitiçados pelo avanço da Farmacologia e acham que excesso de medicamento é que soluciona o problema.Já vi gente próxima a mim morrer disso.
Noutro dia,assistindo a uma entrevista de um médico na televisão, fiquei espantado.Eles são melhores do que alguns psicanalistas que ao se dirigirem às câmeras parecem débeis mentais.O discurso Psi-televisivo não difere muito do moralismo-reacionário e ignorante de alguns pregadores.Contudo, voltando ao nosso entrevistado, falava-se sobre os males da Hepatite A e da Hepatite B. A primeira mais branda,porém de contágio mais fácil e frequente. A segunda, B, transmitida somente através de serigas contaminadas ou relação sexual ,é muito mais violenta e pode matar. Cirrose e até câncer no fígado podem ser algumas das resultantes malévolas que esse vírus causa.Fora a Hepatite C que é muito mais grave.
Muito bem.Dito isso e apresentado o valor do medicamento que se utiliza no tratamento da Hepatite B( custa 840,00 Reais uma caixa do remédio para um mês de uso e o tratamento é para sempre ...por enquanto),encerrou-se o assunto.
O que me deixa perplexo é que eu,há 11 anos atrás, vacinei-me ,para vida toda, contra as duas moléstias,A e b!
São três doses ministradas em 3 etapas: toma-se a primeira e um mês depois a segunda.Três meses depois, senão me engano, você toma a última dose do resto da sua vida sem hepatite A ou B.Qualquer posto de saúde privado possui e creio que não é cara.
Por que ninguém fala sobre a existência dessa vacina e não se faz uma campanha para que ela seja disponibilizada de uma maneira mais abrangente,ou seja, vacinação em massa!?
Os cubanos,acho que a vacina que tomei vinha de lá,mas a nossa Fiocruz deve produzi-la também, são vacinados.
O nosso horror contra vacinas é oriundo daquela infância feliz....Aquilo doía,enchia o saco(Estou falando da vacina...).Injeção,eis o vilão.O que há de marmanjo que treme quando vê uma seringa....
Sou a favor da vacina e contra a doença. Da mesma forma que prefiro a camisinha à Aids ou à Hepatite B ou C ou Y.Mesmo reconhecendo que camisinha é uma merda!Ao menos para quem tem aquele troço pendurado no meio das pernas não depiladas.As campanhas a favor do uso de preservativos são estúpidas por que negam isso.O troço é ruim ,mas é melhor do que outros troços.Quer pagar a conta?Mas não se pode deixar de dizer que é uma merda. Até porque o fabricante da porcaria vai continuar, para sempre, - Feito hepatite- a não melhorar o seu produto.Está faturando mesmo....
Portanto,para o desespero de muitos ,há vacina e ela é bastante segura e eficaz contra as Hepatites A e B.O seu fígado- e também o seu bolso- agradecem.
O meu querido pai quis permanecer eternamente jovem.Esqueceu que a juventude nossa também passa pela mente.Abusou muito de algumas "vacinas" proibidas e cuidou-se pouco.As vacinas fazem parte daquele quase ritual,cafona, que diz que homens de uma certa posição social tem que ter amantes.Elas custam muito caro...
Além do mais , acreditou que permaneceria indelevelmente no seu trabalho público.Desprovido de um estofo mental maior para poder driblar o fato inexorável de que não há férias possíveis para qualquer um de nós,apenas um descanso,recusou-se em arranjar outras diversões.Estudar,por exemplo,pode ser divertido.Iniciar outras coisas ou então coçar lindamente o saco descamisado ,ciente de que é só uma grande brincadeira,tal qual a vida.Coçar nirvanamente,tal como indica MD.Magno em um texto sublime intitulado " Sorvete Com Nirvana".
Imitou o meu avô,seu pai.E o pior que eu via e fui antevendo o que viria.Não foi por falta de aviso ou sugestão,ou melhor, aquilo do qual resmunguei no início desse texto, cuidado.
É preciso ter cuidado desde sempre,a toda hora. E mesmo assim estamos em risco. A vida é amante imanente das aleatoriedades.Sua ordem é o caos.
Agora ,ele tem nos seus fiéis amigos a garantia do seu maior divertimento.São companheiros e sabem,por travessias diversas ,que habitam o mesmo barco.E o barco navega em águas calmas de um Paranoá Central.Escolhido e adorado.
domingo, 1 de agosto de 2010
A fé dos predadores
Depois de alguma insistência,mensagens gravadas, telefonema cortado propositadamente, a predadora encontrou o alvo;
- O senhor cancelou a sua assinatura do nosso jornal,por quê?
-Porque sim.Porque eu quis.
-Isso não é resposta,senhor?
-Ah,não é?Então qual seria uma boa resposta no seu entendimento?
-Falando sério,senhor!Temos uma oferta excelente! E o senhor enquanto uma pessoa bem informada não pode ficar sem ler o nosso jornal.
-Não sou tão informado assim,e sempre li jornal.Vai ver que é isso.
-Vamos fazer um acordo ...
-Acordo nenhum!
-Deixe-me falar pelo menos.Para começar um esclarecimento sério,sem rodeios.O senhor cancelou a sua assinatura conosco,depois desses anos todos, por quê ?
-Sem rodeios?
-Por favor.
-Não posso mais ler.Perdi a visão num acidente,recentemente.Estou cego.
Silêncio,quebrado por um grito de louvor;
- Ai ,meu Deus!Que horror!Mas "pera í" 'senhô' que as coisas "vai melhorá"( os erros citados devem ter sido cometidos pelo calor da emoção ou alguma TPM..).Segura na mão de Deus e pense com firmeza que tudo vai passar.Ele com certeza vai iluminar o seu caminho!!Ai ,Senhor!Ilumina essa alma que está presa na escuridão!O senhor me desculpe ,mas eu vejo milagres acontecerem toda semana ,lá na nossa igreja. O senhor tem fé ,não tem?
- Primeiro me responda essa pergunta,e sem rodeios.Afinal, esse é o único acordo entre a gente.Qual é o jornal que ele assina?
-Ele quem ,senhor?
-O moço dos milagres.Ora quem mais?
Silêncio para sempre.
- O senhor cancelou a sua assinatura do nosso jornal,por quê?
-Porque sim.Porque eu quis.
-Isso não é resposta,senhor?
-Ah,não é?Então qual seria uma boa resposta no seu entendimento?
-Falando sério,senhor!Temos uma oferta excelente! E o senhor enquanto uma pessoa bem informada não pode ficar sem ler o nosso jornal.
-Não sou tão informado assim,e sempre li jornal.Vai ver que é isso.
-Vamos fazer um acordo ...
-Acordo nenhum!
-Deixe-me falar pelo menos.Para começar um esclarecimento sério,sem rodeios.O senhor cancelou a sua assinatura conosco,depois desses anos todos, por quê ?
-Sem rodeios?
-Por favor.
-Não posso mais ler.Perdi a visão num acidente,recentemente.Estou cego.
Silêncio,quebrado por um grito de louvor;
- Ai ,meu Deus!Que horror!Mas "pera í" 'senhô' que as coisas "vai melhorá"( os erros citados devem ter sido cometidos pelo calor da emoção ou alguma TPM..).Segura na mão de Deus e pense com firmeza que tudo vai passar.Ele com certeza vai iluminar o seu caminho!!Ai ,Senhor!Ilumina essa alma que está presa na escuridão!O senhor me desculpe ,mas eu vejo milagres acontecerem toda semana ,lá na nossa igreja. O senhor tem fé ,não tem?
- Primeiro me responda essa pergunta,e sem rodeios.Afinal, esse é o único acordo entre a gente.Qual é o jornal que ele assina?
-Ele quem ,senhor?
-O moço dos milagres.Ora quem mais?
Silêncio para sempre.
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